terça-feira, 26 de Março de 2019

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Ainda sobre as Praças

Por Everaldo Damião

Os Governos Municipais não sabem para que servem as Praças. Se sabem ainda não demonstrou que sabem. Mas essa realidade triste não é apenas um fato típico e restrito à nossa cidade. Os Gestores Públicos não sabem para que serve o espaço público destinado ao povo. E eu me pergunto, por que os Administradores Municipais não observam as regras dos Códigos de Posturas Municipais acerca dos Logradouros Públicos? Será que o Mestre Graça um educador inteligente, de conhecimento profundo sobre a alma humana, gostaria de ver na sua terra adotiva, hoje descaracterizada de arborização e de espaços verdes. Aliás, o cinturão verde que circundava a cidade de norte a sul do município na sua época não existe mais. A única reserva verde e arborizada existente no município não pertence aos cidadãos palmeirenses. Esse espaço é restrito à FUNAI, ocupado por famílias indígenas. Ali nenhum branco pode entrar sem autorização prévia da Fundação Nacional do Índio. Os palmeirenses brancos são invasores nessas terras e serão punidos se adentram nesse território indígena. Um terço do município é reservado aos índios, que não passam de 2 mil caboclos e mestiços. Essa é a área nobre da cidade, com matas, fontes de água potável, com ar puro, sem poluição alguma. Por outro lado, a população palmeirense com 70 mil habitantes se acautela em dois terços do município, desprovido de árvores, de ar puro e de espaços livres para as crianças recrearem, enquanto os velhos possam descansar sob a sombra das árvores para conversar, ler ou ouvir estórias. E não só isso, também para recordar o passado e viver as esperanças do futuro? Será que Graciliano Ramos (o Mestre Graça), homem de uma sensibilidade humana incomparável, viveria em paz na Palmeira dos Índios de hoje? Será que ele aprovaria a utilização do espaço público que outrora servia aos namorados, aos idosos e as crianças? Afinal, para que servem os espaços verdes nas cidades?

Segundo o urbanista francês Robert Auzelle (1971),“evocamos a utilização urbanística ou imobiliária de um espaço privado como se ele fosse independente do espaço público. Mas, evidentemente, tudo é a mesma coisa… […] Uma cidade se torna ela mesma completa, plena, a partir do momento em que dá a cada um o sentimento de pertencer a uma comunidade que está acima de todos e, em contrapartida dos direitos que ela permite a cada um, impõe a todos os mesmos deveres. Dessa forma, a cidade é escola, e escola permanente. Espaço único de homens diferentes, a cidade os faz viver num mesmo tempo, e nela vivendo, esses homens vão se sentir colocados no curso das idades. […] A cidade é arquivo de pedra. Memória ao mesmo tempo em que projeto. Espaço temporal. Ela é mãe da História. Atentemos para o fato de que a crise da cidade é a crise da história. […] O consumo faz a cidade, e excesso de consumo a desfaz…”

Mas, por falar em consumo, as praças públicas não passam de churrasqueiras e de bares para o deleite dos consumidores de álcool, enquanto que as crianças e os velhos são expulsos desses espaços públicos. E o que é pior, a cada dia o consumismo avança em direção às calçadas, as igrejas e as escolas, como se fosse uma praga daninha que se alastra, sem controle, sem freio.

E como ficamos nós, pobres mortais? Apenas indignados, chocados e desprezados, porque falta o espírito público em nossos Administradores. E, tal como Robert Auzelle (in Chaves do Urbanismo. 1971), perguntamos: “Vivemos numa democracia. Mas as decisões oficiais, em matéria de urbanismo são democráticas? […] A cidade deve ser vista como uma casa. […] Qual a criança, entre nós, que não sonha com a sua casa, onde possa por os pés num quintal, num jardim, e onde seu quarto, redondo, se situe no alto de uma torre da qual se pode ser bem longe?” […] O espaço público de uma comunidade é o produto das relações dos homens entre si e das relações dos homens com a “natureza” que os cerca. Não se poderia, portanto, pensar em urbanismo – que é a organização metódica do espaço humano – fora da democracia integral que, numa confusão mais ou menos grande, cada um conhece e sabe ser necessária.”.

Portanto, é preciso que o Administrador Público tenha consciência que a cidade tem vida, tem energia, tem espírito, embora seja feita de pedra. É necessário que o Gestor Municipal entenda que administrar é se preocupar com o bem-estar do povo, com o seu destino e com o pleno desenvolvimento de suas potencialidades – fatores que dependem do seu modo de viver, de sua maneira de morar, de locomover-se, tanto no ambiente em que trabalha, quanto no ambiente em que se diverte… Pensemos nisso! Por hoje é só.

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