domingo, 16 de dezembro de 2018

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Leilão de Eleonore Koch eleva a pintora ao patamar do mestre

O leilão do acervo da pintora Eleonore Koch, realizado na segunda-feira, 12, por James Lisboa, surpreendeu o próprio leiloeiro veterano, que viu os preços das obras da artista, morta em agosto deste ano, dispararem no pregão que durou mais de cinco horas na noite de segunda e reuniu 90 colecionadores. A pintora, única discípula que Volpi teve, viu sua obra reconhecida não só pelos volpistas, colecionadores do mestre, como por novos colecionadores. A tela mais disputada do leilão foi uma paisagem do deserto do Arizona, têmpera sobre tela (76 x 102 cm) pintada em 1995 e reproduzida no livro Lore Koch, publicado pela editora Cosac Naify em, 2013. Com um lance inicial de R$ 40 mil, a pintura alcançou R$ 255 mil, ou seja, um valor seis vezes superior, sendo disputada por 12 dos presentes ao leilão, inclusive, pela Pinacoteca do Estado, mas arrematada por um particular.

Foram 188 lotes leiloados e, segundo o leiloeiro James Lisboa, 98% das obras foram arrematadas, êxito sem precedentes nos recentes leilões por ele realizados. Alguns lotes seguiram o exemplo da tela mais disputada citada anteriormente, capa do catálogo do leilão. Um deles foi o caderno de desenhos de número 11 da artista (lote 73), com 54 desenhos em grafite, carvão, pastel e têmpera sobre papel, cujo lance inicial era de R$ 45 mil. Seu preço atingiu R$ 241 mil. Esse caderno é uma espécie de síntese do repertório de Eleonore Koch (conhecida por Lore pelos amigos). Ele é integrado por naturezas-mortas, paisagens de parques ingleses (ela morou muitos anos em Londres) e marinhas.

As têmperas sobre tela da pintora foram as obras que alcançaram maior preço (de R$ 65 mil a R$ 140 mil). Os estudos e desenhos também foram vendidos por preços bem superiores aos lances iniciais. Os lotes de cinco desenhos, cujo lance mínimo era de R$ 5 mil, chegaram a alcançar mais de R$ 36 mil. Com esses valores, é possível reafirmar, como foi publicado em reportagem do Caderno 2 do domingo (1) passado, que Eleonore Koch passa, finalmente, ao patamar de seu mestre Alfredo Volpi.

A pintora foi a única a ter contato com a técnica artesanal da têmpera de Volpi. Suas pinceladas lembram a do professor, mas seu repertório é bem diferente. Suas naturezas-mortas remetem à pintura metafísica dos italianos, mas também aos ingleses David Hockney e Patrick Caufield. Durante o tempo em que morou na Inglaterra, foi representada por duas galerias londrinas, onde fez algumas exposições. Lá, o grande colecionador de sua obra foi o empresário e político Alistair McAlpine (1942-2014), que foi conselheiro de Margareth Thatcher. Toda a coleção que estava em seu castelo foi destruída num incêndio.

O dinheiro arrecadado no leilão será revertido em benefício das pessoas e instituições indicadas no testamento de Eleonore Koch: o guarda da rua onde morava, sua cuidadora, algumas amigas e a associação Adote Um Gatinho, que busca lares para gatos encontrados na Grande São Paulo.

Autor: Antonio Gonçalves Filho
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