terça-feira, 18 de dezembro de 2018

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Cacá Diegues: Oscar não pode ser o juiz supremo de nossos filmes

É o sétimo filme de Cacá Diegues a tentar a indicação para o Oscar desde Xica da Silva, em 1977. Tentaram, depois, Bye-Bye Brasil, Um Trem Para as Estrelas, Dias Melhores Virão, Tieta do Agreste e Orfeu.

Como você recebeu a pré-indicação pelo Brasil?

O Grande Circo Místico foi selecionado por uma comissão da Academia Brasileira de Cinema, nomeada pelo MinC. Essa escolha me honra e me faz feliz, pois tenho certeza de que vivemos um momento excepcional no cinema brasileiro, talvez o período mais rico quantitativa e qualitativamente de nosso cinema, com a diversidade que nunca tivemos antes, diversidade regional, geracional, política, estética, cinematográfica, etc, com uma nova geração de cineastas fazendo filmes excelentes.

Qual vai ser a estratégia para seduzir a Academia?

No fim de novembro, vou a Los Angeles para mostrar o filme e conversar com a imprensa e os eleitores do Oscar. Não temos recursos para grandes campanhas, como outros filmes de outros países, que, além de festas e coquetéis, promovem eventos extraordinários para lançá-los na competição. Vamos apenas confiando na qualidade do filme.

Sua expectativa é alta?

É justa. Não podemos transformar o Oscar no juiz supremo de nossos filmes. Se ganharmos alguma coisa, tanto melhor para a promoção do cinema brasileiro. Ele será falado durante pelo menos mais um ano, até o próximo Oscar. Mas não é o Oscar e seus eleitores que decidem se um filme brasileiro é bom ou ruim, não iremos a Los Angeles para isso. O juiz supremo de nossos filmes somos nós mesmos, os espectadores brasileiros.

Você trabalha, no Circo Místico, com um elenco que, além de extenso, é internacional. Como foi reunir essa turma, e dirigi-la?

Já dirigi Jeanne Moreau, que talvez tenha sido a maior ícone do cinema autoral e ela foi excepcional em Joanna Francesa. Ficamos amigos. Queria ter aqui Isabelle Huppert, mas o filme atrasou e ela não teve data. Terminei escolhendo a Catherine Mouchet, de um filme mítico, Thérèse. Todo o mundo se empenhou muito. A Mariana Ximenes passou meses treinando o trapézio para dispensar dublê. O mais importante é que todo o elenco deu o tipo de interpretação não naturalista que eu sempre quero. O cinema não é a realidade. É uma janela, uma representação dela. Podem falar o que quiserem do meu filme, menos do elenco.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Autor: Luiz Carlos Merten
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