terça-feira, 13 de novembro de 2018

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No Rio, Witzel nega ligações com advogado de Nem da Rocinha

O candidato do PSC ao governo do Rio, Wilson Witzel, voltou a negar, nesta sexta-feira, 19, que tenha relações próximas com o advogado Luiz Carlos Cavalcanti Azenha, condenado por esconder um traficante no porta-malas de seu carro e oferecer suborno a policiais, sete anos atrás. Witzel refutou informações da revista “Veja”, que reproduziu uma troca de mensagens de WhatsApp entre os dois em que Witzel disse a Azenha: “Você me representa”. O advogado contou que ele foi um dos coordenadores de sua campanha no começo do processo eleitoral, o que Witzel também desmente.

Ex-juiz federal, o candidato do PSC lidera as pesquisas de intenção de voto na corrida do Rio, e sua relação com Azenha vem sendo explorada pelo seu adversário, o ex-prefeito da capital Eduardo Paes (DEM), que era o favorito no primeiro turno. Segundo a “Veja”, Azenha – ex-advogado de Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, que já foi um dos maiores traficantes de drogas do Rio, e que o ajudou a fugir de cerco policial em 2011 – se filiou ao PSC na mesma época de Witzel. Seu desejo era ser deputado (ele não chegou a concorrer).

À “Veja”, Azenha contou que pedia doações e organizava almoços e jantares para Witzel quando ele ainda era um candidato desconhecido, e pedia votos em diferentes municípios do Estado. Numa troca de mensagens, o ex-juiz convidou-o para ir à sua casa (“quando quiser, venha”). Eles têm fotos juntos, com as respectivas mulheres.

Após a divulgação do relacionamento entre os dois, de acordo com Azenha, ele foi bloqueado por Witzel no WhatsApp. Foi alertado para ficar “quieto”; assim, receberia um cargo num eventual governo do ex-juiz. Witzel sustenta que o advogado é apenas um ex-aluno (ele é professor de direito) e que nunca lhe prometeu cargo.

No debate de quarta-feira, 17, realizado pelo jornal “O Globo”, Paes atacou Witzel reiteradamente quanto às suas companhias, citando Azenha. “Eu ando com um monte de gente estranha na política, mas sou obrigado a conviver com esses personagens. No caso dele (Witzel), são as escolhas que ele fez”, afirmou o ex-prefeito. O ex-juiz, por sua vez, o acusou de ter “presidiários de estimação”, referindo-se aos antigos aliados de Paes Sérgio Cabral (MDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O ex-governador e o ex-presidente estão presos pela Lava Jato.

Nesta sexta-feira, a campanha de Witzel divulgou nota que diz que o candidato “jamais negou que conhecia ou que tenha estado com o advogado Azenha, que foi seu aluno, assim como com um incontável número de advogados criminais, cuja atuação em defesa de todo e qualquer cidadão deve ser respeitada”; “reafirma que Azenha nunca teve participação na campanha”; “se filiou ao partido na mesma data” de Azenha (2/3/2018), “assim como mais de 200 outras pessoas”. O comunicado diz também que depois da filiação o candidato “teve conversas políticas com todos esses pré-candidatos”.

O texto termina apontando que “a distorção desses fatos só interessa” a Paes e “ao seu grupo político” e que se Witzel for eleito “não restará um só contrato sem ser investigado”. O candidato promete “passar o Rio de Janeiro a limpo” e libertar “o Estado desse grupo político que o domina há muitos anos, em prejuízo da população.”

Campanha

Militantes da campanha de Witzel fazem nesta sexta-feira, 19, um “bandeiraço” e colam adesivos em veículos na Avenida Lúcio Costa, na Barra da Tijuca, em frente ao condomínio onde mora Bolsonaro. Entre os veículos que são parados para receber adesivos, estão ônibus urbanos com passageiros. Sete foram “adesivados” num intervalo de meia hora.

A maioria dos motoristas autoriza que os militantes entrem no ônibus para colar propaganda eleitoral de Witzel no para-brisa, mas mesmo quem não concorda acaba tendo o ônibus “adesivado”. Um motorista fez sinal de que não queria a propaganda, mas um dos militantes colou sem ele perceber na traseira do ônibus.

O grupo, formado por cerca de dez pessoas, chegou em um micro-ônibus por volta das 14h. Em alguns momentos eles cantam em voz alta “acabou o ‘caô’, o Wilson chegou”. O detalhe era que esse era o jingle do candidato Índio da Costa (PSD), que concorreu ao Executivo estadual, mas não chegou ao segundo turno.

Witzel chegou ao segundo turno apoiando Bolsonaro, mas o presidenciável já avisou que, nas disputas estaduais, será neutro.

Autor: Roberta Pennafort e Marcio Dolzan
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