terça-feira, 13 de novembro de 2018

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Duda Beat, para dançar chorando

Excesso de sentimento ou um pedido de desculpas debochado pós-superação. A ambiguidade no título Sinto Muito, álbum de estreia da recifense radicada no Rio de Janeiro Eduarda Bittencourt, a Duda Beat, tenta dar conta do mix de fluidez, amores não-assumidos, ressentimento, orgulho ferido, bom humor e pegação que a compositora imprime – com um sotaque gostoso e carregado – em suas letras.

“Um disco em que você sofre, mas também dança”, brinca a artista, que se apresenta nesta sexta-feira, 19, na Casa Natural Musical, em São Paulo. Para a apresentação, Duda antecipa que o setlist terá novidades. Além de um repertório que traz músicas bregas aclamadas pelo público, como Se Não Valorizar, da banda Aviões do Forró, uma versão remixada de seu sucesso Bixinho, cujo clipe já soma mais de 200 mil views no Youtube, será cantada em primeira mão.

O show terá, ainda, a participação de Filipe Catto, artista da também cena musical contemporânea brasileira que Duda conhecera durante comemoração de 10 anos do programa de rádio Faro MPB, em agosto último. Do acervo do gaúcho, ela afirma que cantará Canção de Engate, música que fala de amor e despedida. “Catto vai cantar duas músicas minhas. Não sei se posso dizer quais são, para não perder a graça do show”, conta aos risos.

Ao jornal O Estado de s. Paulo, Catto também manteve o mistério sobre o encontro, mas adiantou que será um evento para chorar e dançar. “É um pouco dessa viagem, em todos os aspectos. Dançar chorando, mas dançar até o fim. Este show vai trazer bastante amor, energia e resistência”.

O álbum

Com produção de Tomás Tróia e co-produção de Lux Ferreira e Patrick Laplan, a mixagem do álbum ‘cartão de visita’, como Duda sugere, ficou a cargo de Diogo Strausz e Pedro Garcia – que também assina a masterização. As composições são todas da cantora, que se inspirou em relacionamentos passados. “A produção começou há três anos, entre o fim de 2015 e início de 2016. Foi num momento em que eu estava na faculdade e trabalhando em um lugar que não gostava. E estava sofrendo de amor”.

Mas o álbum não fala só de um romance que não vingou. Das 11 músicas, nove são endereçadas para este amor e duas, para outros. Atualmente em um relacionamento com Tróia – que produziu Sinto Muito e que está à frente de seu segundo disco -, Duda confirma a sofrência em suas próximas composições. “Estou totalmente feliz e animada. Vivendo realmente essa nova fase. No próximo disco, ainda vão ter músicas de sofrência (que não entraram no álbum de estreia). Vai ser meu disco de passagem, de um momento para outro”.

Diferentemente de um disco totalmente solo, como o primeiro, Duda, que recentemente foi indicada na categoria Revelação do Womens Music Event, espera trazer, na nova produção, vozes de Wesley Safadão e Pabllo Vittar. “Vou apresentar a proposta (para o Safadão). Espero que ele aceite. Vou tentar convidar Pabllo Vittar também. Nada confirmado. São só desejos meus”.

Confira a entrevista com Duda Beat na íntegra:

A produção de Sinto Muito se deu em que momento da sua vida?

Ele veio há três anos, entre fim de 2015 e início de 2016. Foi num momento em que eu estava na faculdade (Ciências Políticas – UniRio), trabalhando (como hostess) em um lugar que não gostava. E estava sofrendo de amor por um cara que eu gostava, que tinha ido embora do Rio (de Janeiro) para São Paulo. No meio desse turbilhão de descontentamento, uma amiga indicou que eu fosse a um retiro espiritual, porque eu estava meio deprê. Fiquei 10 dias sem falar. É um retiro em você medita pra caramba. Foi quando uma luzinha acendeu na minha cabeça e eu resolvi que deveria tomar esse lugar de cantora e compositora, que já era um desejo meu.

Então, as letras das músicas são endereçadas para uma única pessoa?

Na verdade, o Sinto Muito tem duas canções para dois caras e as outras nove músicas são para o cara que eu tava sofrendo, inicialmente.

Seus fãs definiram o disco como ‘pop sofrência’. Você concorda com isso?

É um álbum eclético. Um disco em que você sofre, mas também dança. Parece muito comigo. Sou uma pessoa que, mesmo triste, tenta fazer brincadeiras. É um álbum, entre aspas, debochado. Dentro dele tem um raggae, um trap, um brega, uma música latina. E eu considero ele pop porque conversa com muitas tribos, mas sobre um tema único: o amor não correspondido.

Mas a sofrência do início do disco não é a mesma percebida no fim…

No fim, eu já estou totalmente empoderada. Nas últimas músicas, eu estou “não vou buscar a felicidade em mais ninguém” (letra de Bolo de Rolo) do que me lamentando.

Pegando o gancho da mudança nas letras, você canta, em Todo Carinho, “Eu sou de outro tempo / Amor que é pra sempre” e depois celebra o desapegado em Bixinho (Me contento em te ter bem devagarzinho / Fazer um amor bem gostosinho / Pra gente só se divertir”. Em qual fase você está agora?

Agora, eu estou namorando. Estou totalmente apegada a uma pessoa, que, inclusive, foi quem produziu meu disco, o Tomás Tróia. E estou totalmente empoderada. Como sou uma pessoa muito romântica, eu realmente sou uma pessoa de “outro tempo”. Eu não me encaixo muito nesses relacionamentos abertos. Não é minha praia. Sou muito mais uma pessoa que se apaixona e que quer estar com aquela pessoa pra sempre.

É o que acontece em Todo Carinho?

Isso. Eu estou muito bem, estou casada (risos). Estou morando com Tomás. A gente tem construído uma relação de muito amor. Bixinho foi feita para um menino específico, por isso ela destoa um pouco do disco. Com esse cara que eu ficava, não tinha muito apego por ele. Então era fácil não estar apaixonada. Mas esta foi uma situação em um milhão.

E nesta nova fase, você já pensa em algumas composições?

O próximo disco ainda tem canções que eu não dei em Sinto Muito. Então, vai ter um pouco de sofrência. Mas estou fazendo novas canções. Daqui para o fim do ano vão sair três singles (Mateus Carrilho e Romero Ferro estão nessas novas produções; além de Chapadinha, versão de High By The Beach, de Lana Del Rey). Estou totalmente feliz e animada. Vivendo realmente essa nova fase. No próximo disco, que vou começar a trabalhar nele em 2019, ainda vão ter músicas de sofrência. Vai ser meu disco de passagem, de um momento para outro.

Tem alguma participação já definida?

Ainda não sei. Gostaria muito de ter uma música com Wesley Safadão, por exemplo. Vou apresentar a proposta. Espero que ele aceite (risos). Vou tentar convidar Pabllo Vittar também. Nada confirmado. São só desejos meus.

No Mada, festival que ocorreu há pouco em Natal (RN), você trouxe músicas do Volume 3 de Aviões do Forró – álbum considerado um sucesso até hoje. No show com Catto, o que terá de novo?

Catto vai cantar duas músicas minhas e eu vou cantar uma dele. Não sei se posso dizer quais são, para não perder a graça do show. Dele, vamos cantar Canção de Engate, que é uma música muito bonita, de amor, de despedida. E vou cantar o remix (assinado por Tróia e Lux Ferreira, que serão responsáveis pelos próximos lançamentos da cantora) de Bixinho, que ainda não foi lançado nas plataformas. Tá muito legal, muito dançante. Bem caliente!

Catto disse que gosta muito de Todo Carinho. Esta pode ser uma das que ele vai cantar?

Pode ser, pode ser (risos).

Ele também antecipou que quer compor com você. O que você acha?

Ele falou isso? Então, eu não vejo a hora também! O Catto é um cara que eu admiro há muito tempo. Ele já trabalhou com amigos próximos, como a Alice Caymmi, Castello Branco, e eu sempre ficava babando. Quando a gente se encontrou (na comemoração de 10 anos do programa de rádio Faro MPB), foi amor à primeira vista. Librianos que se entendem…

Falando nisso, como é seu mapa astral?

Libra com ascendente em Aquário, lua em Touro e vênus em Libra. Sou bem românticazinha, avoada e criativa (risos).

Você esperava todo esse sucesso do primeiro álbum?

Esperava, viu? (risos). Não querendo ser metida, mas eu esperava. Porque eu, Tomás (Tróia), Lux (Ferreira), Gabriel (Bittencourt), todas as pessoas que estão comigo, tínhamos certeza de tudo que estávamos fazendo. O disco foi muito bem pensado para estar ali. A gente ouvia em casa e pensava “não tem como uma pessoa não gostar”. E espero mais, porque sou uma pessoa muito ambiciosa.

Recentemente, você recebeu indicação na categoria Revelação do Women’s Music Event, primeiro prêmio de música dedicado às mulheres. Como você recebeu a notícia?

Eu fiquei extremamente honrada e emocionada. Quando vi o e-mail, eu não acreditei. Eu estava esperando ser indicada para alguma coisa no prêmio Multishow, mas não rolou. E eu fiquei um pouco triste, né? Ambiciosa que sou…Estava na expectativa. Quando veio a indicação do WME, fiquei extremamente feliz. Postei (nas redes) logo. Vou fazer a campanha fortemente (para a votação).

Serviço

Data: 19/10/2018 – Sexta-feira

Local: Casa Natura Musical

Endereço: Rua Artur de Azevedo, 2134 – Pinheiros

Horário: 22h

Ingressos: R$ 50 – R$ 100

Autor: Caio Faheina e Clara Rellstab, especiais para O Estado
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