sexta-feira, 19 de outubro de 2018

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A trajetória brilhante de Helio Jaguaribe

No dia 23 de abril de 1923, o Rio de Janeiro viu nascer o seu filho ilustre, Helio Jaguaribe de Mattos, conhecido apenas como Helio Jaguaribe. Filho do General Francisco Jaguaribe de Mattos e de Francelina Santos Jaguaribe de Mattos, já trazia na bagagem familiar muita responsabilidade, já que o seu pai tinha sido geógrafo e cartógrafo da Comissão Rondon, chefiada pelo marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, que desenvolveu um dos projetos sociais mais importantes do país, e a sua mãe, portuguesa, era filha de um grande exportador de vinho do Porto. Em relação aos estudos, a sua opção foi pelo Direito, se formando em 1946 pela Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-RJ). Mas ele não se deteve apenas nesta área de atuação, já que é muito conhecido em todo o país como sociólogo, cientista político e escritor brasileiro. E não apenas como advogado.

A sua participação no Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), órgão criado em 1955, no Rio de Janeiro, vinculado ao Ministério de Educação e Cultura, foi marcante. Os debates realizados no local tiveram grande impacto nos anos 1950 e 1960, principalmente durante o governo de Juscelino Kubitschek, quando se buscava caminhos para o desenvolvimento industrial do país e alternativas para garantir a diminuição das contradições sociais. A questão cultural também mereceu a atenção do instituto. O seu livro “O Nacionalismo na Atualidade Brasileira”, lançado em 1958, é considerado uma de suas principais obras.

O brilhantismo das ideias lançadas por Hélio Jaguaribe era um dos destaques do ISEB. Lá, ele que teve a companhia de figuras, também brilhantes, como Roland Corbisier, Alberto Guerreiro Ramos, Álvaro Vieira Pinto, Nelson Werneck Sodré, Antonio Cândido, Wanderley Guilherme dos Santos, Cândido Mendes, Ignácio Rangel e Carlos Estevam Martins. Sem falar nos chamados colaboradores, como Celso Furtado, Gilberto Freyre e Heitor Villa Lobos, que também ajudavam nas atividades, assim como Miguel Reale e Sérgio Buarque de Hollanda, considerados os membros ilustres.
Após ser extinto, em 1964, os integrantes do ISEB tiveram que se exilar. Foi quando Helio Jaguaribe passou a lecionar nos Estados Unidos: de 1964 a 1966 na Universidade de Harvard, na Universidade de Stanford e no MIT – Massachusets Institute of Tecnology. Ao retornar ao Brasil, em 1969, foi contratado pelo Conjunto Universitário Cândido Mendes, onde atuou como Diretor de Assuntos Internacionais. Naquela mesma instituição foi decano do Instituto de Estudos Políticos e Sociais, função que exerceu até 2003, sendo depois nomeado Decano Emérito, cargo que manteve até a sua morte, ocorrida no último dia 9 de setembro de 2018.
Helio Jaguaribe é doutor honoris causa da Universidade de Johannes Gutenberg, de Mainz, Alemanha, da Universidade Federal da Paraíba e da Universidade de Buenos Aires. Na Academia Brasileira de Letras, foi o nono ocupante da Cadeira nº 11, sucedendo a Celso Furtado, seu companheiro dos tempos de ISEB. Foi eleito em 3 de março de 2005 e tomou posse em 22 de julho de 2005, sendo recebido pelo acadêmico Candido Mendes de Almeida.
Para quem deseja conhecer mais sobre a obra de Helio Jaguaribe, é interessante ver o documentário “Tudo é irrelevante, Helio Jaguaribe”, sobre a vida do sociólogo brasileiro. Está em cartaz em São Paulo. Dirigido por sua filha Izabel Jaguaribe e por Ernesto Baldan, a obra traz depoimentos de companheiros nossos aqui da ABL, como Fernando Henrique Cardoso, Sérgio Paulo Rouanet e Antonio Cícero. O cartaz do filme é um capítulo à parte, mostrando o nosso saudoso acadêmico sorridente, mãos levantadas, num momento de descontração que marca profundamente a sua grande figura humana.

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