segunda-feira, 24 de setembro de 2018

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Paulistano espera em média 196 dias para resolver um problema pelo telefone 156

Sabe aquele buraco, entulho ou grande objeto que atrapalha o tráfego na rua? Ou o carro abandonado que cria insegurança entre vizinhos? Ou, ainda, a poda da árvore que avança pelo entorno? Na cidade de São Paulo, problemas desse tipo costumam levar, em média, 196,4 dias para serem resolvidos, isto é, mais de seis meses.

O número se refere ao Tempo Médio de Atendimento (TMA) dos cinco serviços mais solicitados pelo 156 da Prefeitura da capital paulista (listados acima). Só no primeiro semestre, 380 mil requisições foram abertas. O número é de 340,5 mil no segundo semestre do ano passado e de 392,7 mil nos primeiros seis meses de 2017.

Segundo a Prefeitura, o volume de solicitações é maior no primeiro semestre por causa das chuvas. “Com o fim do período de chuvas em abril, o número de pedidos tende a cair ao longo do ano”, informou por meio de nota.

A demora na resolução é crescente, e se afasta cada vez mais da meta municipal. Se, entre 2013 e 2016, a média do tempo de atendimento para os cinco serviços mais requeridos era de 90,8 dias, ela chegou a 170,6 dias no segundo semestre de 2017, e a 196,4 dias, nos primeiros seis meses de 2018.

A meta da Prefeitura é, contudo, reduzir a média para 80 dias ainda neste semestre, o que significa uma diminuição de 59,1%. Até o fim da gestão Bruno Covas (PSDB), a ideia é chegar à média de 70 dias. O sistema 156 é o principal canal de participação utilizado pela população acima de 16 anos na capital paulista (43% do total), segundo pesquisa Ibope Inteligência de abril, encomendada pela Rede Nossa São Paulo.

Segundo a Prefeitura, a demora ocorre pela prioridade ao atendimento de solicitações mais antigas, que estavam sem conclusão no banco de dados. A gestão alega ter reduzido o volume total em 30,5%, desde janeiro de 2017, caindo de 641,7 mil para 445,7 mil, em junho de 2018.

Além disso, diz ter atendido no ano passado 848,7 mil solicitações – volume maior do que o número de pedidos abertos naquele período (731,8 mil). “Foi a primeira vez que o número de serviços executados superou o de pedidos.”

Exemplos

A corretora de seguros Cláudia Scafuro, de 45 anos, tem duas solicitações abertas neste ano que não foram atendidas. “Eles enrolam, abrem outro protocolo e não fazem”, reclama. Incomodada com a situação, ela até desinstalou o aplicativo do 156 no celular.

Em 31 de março, Cláudia abriu uma solicitação para tapar um buraco na Rua Zélia Moreira Damante, na Vila Granada, zona leste da capital. O protocolo foi finalizado no dia 17 de maio e passou a ser atendido em outro número. “Um carro passou nele, fez um barulho. O motorista teve de parar para trocar o pneu”, conta. “E não é só esse (buraco), são vários”, conta. O prazo previsto para esse tipo de serviço é de 45 dias.

A finalização do pedido não significa, contudo, que foi realmente atendido. Ao jornal O Estado de S. Paulo, moradores citaram solicitações fechadas com a previsão de que seriam atendidas até determinada data, o que não aconteceu.

O engenheiro mecânico Carlos Favoretto, de 58 anos, teve um pedido finalizado dois dias após o registro, em junho. Segundo ele, pouco tempo depois, foram realizados alguns serviços de zeladoria em uma praça da região (Vila dos Remédios, na zona oeste) que também tinha problemas, mas não era o alvo da queixa. “Começaram o trabalho na praça errada. A bagunça continua lá.”

A síndica profissional Lygia Oliveira, de 35 anos, fez duas solicitações em março. Segundo ela, o pedido de tapa-buraco na Rua Professor Ciridião Buarque foi atendido em julho, apenas após ir até a subprefeitura reclamar. Na mesma época, também reclamou de uma árvore sem poda, cujos galhos avançam pela rede elétrica. “Quando chove, cai a energia.”

Nos Jardins, uma árvore ameaça atingir a fiação e cair sobre uma loja. Ela tombou após uma chuva forte e os funcionários da Safira Tecidos, na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, estão preocupados. “Tem uma parte enorme da raiz para fora. Até um galho que caia pode danificar telhas e, se tombar, o imóvel vai junto inteiro”, conta Carla Censi, de 51 anos, gerente administrativa da loja.

Ela espera que a árvore não tenha de ser retirada do local, mas pede uma avaliação técnica da Prefeitura. Por isso, fez a solicitação pelo 156 há três meses, mas ainda aguarda. Os funcionários deram prazo de quatro meses. “E se der uma pancada de chuva com rajada de vento?” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Autor: Priscila Mengue
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