sexta-feira, 19 de outubro de 2018

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Exposição imagina novos caminhos para as bibliotecas

Dentre todas as bibliotecas que Robert Lepage já visitou, a de Vasconcelos, localizada na cidade do México é uma de suas preferidas. “Ela não é silenciosa, como a maioria. Além disso, por conta dos terremotos que assolam a região, o prédio está suspenso. Então, o chão pode tremer, mas a biblioteca não se mexe.” A partir de 3 de outubro, o artista abre a exposição A Biblioteca à Noite, no Sesc Avenida Paulista, inspirada no livro homônimo do argentino Alberto Manguel. A visita pode ser agendada no site da unidade ou pessoalmente.

Na obra, o escritor discute questões filosóficas e sociais atreladas à existência de qualquer biblioteca de qualquer tempo. Mas antes, Lepage chama a atenção para o título da exposição. “Não se trata do ambiente de uma biblioteca durante o dia, quando ela é mais frequentada ou quando é mais apropriado fazer uma leitura. Durante a noite, parece haver uma atmosfera de sonhos, do medo e da fabulação. É um lugar escuro, cheio de possibilidades.”

Como é característico nos trabalhos do canadense, A Biblioteca à Noite oferece uma imersão em um mundo real e virtual. Nela, o público seguirá o roteiro de 10 bibliotecas, reais ou imaginárias. A aventura passa pela Biblioteca da Abadia de Admont, na Áustria, considerada a maior biblioteca monástica do mundo. Em uma de suas salas, o visitante poderá ver esculturas batizadas de As Quatro Últimas Coisas, representadas como a Morte, o Juízo Final, o Inferno e o Paraíso.

Em outro espaço, a exposição recria a biblioteca Nautilus, de Vinte Mil Léguas Submarinas, obra de Julio Verne. Na história, havia mais de 12.000 obras sobre ciência, moral, literatura, escritas em diversas línguas. Há, também, construções que foram destruídas, como a biblioteca de Alexandria, erguida no Egito e que foi incendiada com mais de 40 mil documentos.

A função das bibliotecas na manutenção da memória também aponta para a transmissão de conhecimento, como foi no templo budista de Hase-Dera, no Japão. O espaço abriga o trabalho dos monges copistas no registro das palavras de Buda, quando a população ainda não sabia ler ou escrever. “Hoje, o fato de vivermos num mundo digital, e de não precisarmos ter realmente um livro nas mãos, nos leva a buscar novos propósitos para uma biblioteca”, diz Lepage. “É preciso criar novas questões e encontrar outras funções para esses lugares cheios de memórias e histórias.”

A BIBLIOTECA À NOITE
Sesc Avenida Paulista. Av. Paulista. 119. Tel.: 3170-0800. 3ª a sáb., 10h30 às 21h; dom., até 18h30. Grátis. Necessário agendar visita.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Autor: Leandro Nunes
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