domingo, 21 de outubro de 2018

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Diretora ilumina questões femininas

Seis anos se passaram desde que a diretora saudita Haifaa al-Mansour foi revelada ao mundo no Festival de Cinema de Veneza com seu longa de estreia. O Sonho de Wadjda era, à época, o único filmado inteiramente em seu país, uma monarquia absolutista teocrática em que a Sharia é lei, e o primeiro dirigido por uma mulher. Neste domingo, 2, ela volta ao evento com o curta The Wedding Singer’s Daughter (A Filha da Cantora do Casamento em tradução livre).

É o 16º filme do projeto Womens Tales, patrocinado pela grife Miu Miu, a irmã mais nova e rebelde da Prada, que desde 2011 vem convidando nomes como Agnés Varda, Lucrecia Martel e Miranda July para dirigir curtas de sua autoria com uma única condição: ter as personagens vestidas pela marca.

Em tempos de #MeToo e mulheres reivindicando mais espaço e igualdade também no cinema (bandeira levantada por Frances MacDormand, no Oscar), a escolha de Haifaa al-Mansour cai tão bem quanto uma roupa bem cortada. “Passamos por um longo período em que os filmes eram só sobre homens conquistando coisas. Ver mulheres fortes e heroínas nessas histórias é certamente empoderador”, afirma, em entrevista por telefone, de Los Angeles, onde vive há três anos.

Protagonistas destemidas, mulheres ou meninas, são uma das marcas do cinema de Haifaa. Era uma menina a heroína de seu longa de estreia e o fundamento se repete no novo curta, em que a filha da cantora do casamento defende a mãe da sabotagem de parte das convidadas do enlace. “As crianças têm um jeito de enxergar o mundo que não temos. Ela não é como sua mãe, de certa forma conformada, a filha é quem vem para questionar o status quo”, justifica.

The Wedding Singers Daughter ilumina questões caras à cultura saudita. A subversão de uma mulher cantar (ou ser cineasta), por exemplo, e o fato de cobrirem seus luxuosos looks (Miu Miu) com abaias assim que o noivo aponta no salão. “Na Arábia Saudita existe uma distinção muito grande entre o que é público e o que é privado. Sempre achei fascinante quando ia aos casamentos e via essas cenas”, lembra, aos risos.

O curta é apenas uma das produções a que a diretora vem se dedicando.

Ela acaba de lançar Mary Shelley, uma cinebiografia da autora de Frankenstein, e estreia Felicidade por um Fio na Netflix em 21 de setembro. Na paralela, trabalha na pré-produção de novo longa The Perfect Candidate, sobre médica que embarca numa jornada para se tornar política, filme que vai contar com financiamento de um fundo saudita.

“As coisas estão mudando por lá. Este ano tivemos a abertura de cinemas e estão surgindo esse fundos. Há bastante encorajamento para a arte e isso é impressionante. Ainda há muito a se fazer, mas estamos no caminho certo.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Autor: Sergio Amaral
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