segunda-feira, 15 de outubro de 2018

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Bens de líder do PP apareceram na declaração de Collor à Justiça Eleitoral

Por Redação com Buzz Feed
O edifício onde a ex-mulher do deputado mora: o apartamento dela entrou e saiu da declaração de bens de Collor

O edifício onde a ex-mulher do deputado mora: o apartamento dela entrou e saiu da declaração de bens de Collor

Uma moradora do bairro de Ponta em Verde, em Maceió (AL), estava aflita em seu agradável e espaçoso apartamento de classe média alta a dois quarteirões da praia.Ainda numa disputa judicial com seu ex-marido por esse e outros bens, ela viu sua residência aparecer em documentos oficiais no nome de outra pessoa: ninguém menos que o ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTC), que concorre ao governo de Alagoas.

Até então, o único ponto que poderia ligar Collor ao apartamento era justamente o ex-marido de Jullyene, Arthur Lira, líder do PP na Câmara e integrante de um dos partidos mais enrolados com a Lava Jato.

Ao ver a declaração de bens entregue à Justiça Eleitoral, ela percebeu que não só o apartamento, mas diversos bens de Lira estavam também na declaração de Collor.

Uma saveiro branca placa QLI-9299 estava ali, como se fosse, ao mesmo tempo, de Lira e de Collor. O mesmo acontecia com uma Mitsubichi Pajero 4×4 placa QLF-2507. Os itens eram os mesmos; os valores, no entanto, eram bem diferentes (veja tabela abaixo).

Nas declarações de Collor, ainda havia outros bens que, pelo menos oficialmente, deveriam ter Lira como proprietário, como a metade de uma lancha de 40 pés, terrenos, casas, sítios, fazendas e cotas de empresas.

O que fez com que os bens de Lira aparecessem na lista de Collor é algo que, até agora, ninguém conseguiu explicar.

Na política alagoana, Lira foi um dos articuladores do lançamento da candidatura de Collor ao governo, mesmo com o ex-presidente sabendo que o atual governador, Renan Filho (MDB), desponta como favorito para a reeleição. Segundo o Ibope, Renan Filho tem 46% das intenções de voto, e Collor, 22%.

Mesmo com o quadro adverso na disputa do governo alagoano, a candidatura de Collor fortalece a chapa em que Lira e seu pai, Benedito, tentam se reeleger para a Câmara e para o Senado.

Após o BuzzFeed News procurar Lira, Collor e o Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas, diversas versões foram dadas para o estranho emaranhamento de bens.

A começar por Lira, que chamou o caso de “fake news”. O deputado disse que a listagem de bens era forjada e ameaçou processar a reportagem caso informações como essas abaixo, mostrando seu patrimônio na relação de Collor, fossem publicadas.

Algumas horas depois, na manhã de quinta-feira (30), o líder do PP mandou sua assessoria entrar em contato com a reportagem para admitir que os bens realmente estavam aparecendo na listagem de Collor. Disse, no entanto, que tudo não passava de um erro que seria corrigido.

Entre o final da noite de quinta e a manhã de sexta, tudo mudou nos documentos oficiais da Justiça Eleitoral. Na declaração de bens de Collor, que também havia sido procurado pelo BuzzFeed News na tarde de quinta, os itens em comum haviam sumido. Nenhum dos bens de Lira apareciam mais em sua relação patrimonial.

Ao questionar o TRE, a versão de que tudo não passara de uma “fake news” foi repetida. A Justiça Eleitoral de Alagoas disse que analisou as duas listas de bens, e que nelas não havia itens em comum.

De fato, na tarde de sexta, os itens coincidentes já haviam sido retirados. Porém, o TRE só admitiu que houve uma mudança na lista após ser alertado pela reportagem que a alteração estava registrada no sistema eletrônico de candidaturas.

O tribunal negou, no entanto, que tivesse qualquer relação com a alteração dos dados, uma vez que são os próprios candidatos que manipulam as informações no sistema.

Por fim, em meio às meias explicações e confusões na lista de bens, foi a vez do advogado da coligação de Collor, João Lobo, conversar com a reportagem. Ele admitiu que algum integrante da campanha apagou os bens de Lira que apareciam na declaração de Collor.

O advogado do ex-presidente disse ainda ter pedido ao TRE uma lista com os acessos os horários e logins de quem acessou o sistema em que os bens são declarados. Segundo ele, tudo pode ter sido um trivial equívoco no momento da inserção de dados no sistema.

Lobo não descartou, porém, que alguém com a senha da página eletrônica possa ter agido de má-fé para prejudicar Lira ou Collor. Tal como a assessoria de Lira, o advogado do ex-presidente disse que os bens do deputado nunca foram dados, emprestados, doados ou vendidos para Collor.

O advogado de Collor também prometeu novo contato com a reportagem caso consiga descobrir, após receber os registros do TRE de quem acessou o sistema, quem foi o responsável pelo equívoco ou pela tentativa de prejudicar os políticos.

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