segunda-feira, 19 de novembro de 2018

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Amazon chega ao clube do US$ 1 trilhão

A Amazon se tornou na terça-feira, 4, durante o pregão da bolsa de valores Nasdaq, a segunda empresa americana a atingir US$ 1 trilhão em valor de mercado – a primeira, a Apple, venceu a corrida há cerca de um mês. A principal diferença entre as duas é a velocidade com que conseguiram alcançar este patamar. A Apple demorou 38 anos como empresa listada para entrar no clube do trilhão. A Amazon precisou de 21.

Fundada em 1994, a empresa de Jeff Bezos viu sua cotação subir vertiginosamente nos últimos meses: desde janeiro, a alta foi de 71%, fazendo a empresa ganhar US$ 420 bilhões – ou uma vez e meia o tamanho de seu maior rival, o Walmart. Hoje, ela domina 49% do comércio eletrônico americano. Só no ano passado, a empresa faturou US$ 178 bilhões.

Mais do que vender muito, em todo tipo de categoria, a receita para o sucesso da Amazon está em dois pontos importantes: inovar e reinvestir lucros. No mercado americano, a empresa é conhecida por evitar devolver dividendos aos cionistas – em vez disso, o presidente executivo, Jeff Bezos, prefere apostar no desenvolvimento da empresa e na experiência dos clientes. “A compra em um clique, hoje em todo o varejo, nasceu assim”, diz Pedro Guasti, diretor da consultoria Ebit/Nielsen.

Nas nuvens

A busca por um varejo mais eficiente levou à criação de novos negócios, como o serviço de armazenamento em nuvem Amazon Web Services (AWS). “Foi algo que a Amazon criou para melhorar sua operação de comércio eletrônico em larga escala, mas que acabou sendo útil para empresas”, diz J. Craig Lowery, diretor da consultoria Gartner.

É um nicho altamente lucrativo. Entre abril e junho de 2018, a AWS respondeu por 11% da receita, mas 55% dos ganhos da companhia de Bezos. É um negócio que tem margens muito mais interessantes do que o varejo, setor conhecido por números “apertados”.

Além disso, a nuvem é considerada por analistas como peça-chave para outras ideias da Amazon, como o sistema Alexa, utilizado nas caixas de som conectadas Echo, já bastante populares nos EUA.

Ao expandir seu império virtual, Jeff Bezos faz apostas que podem parecer paradoxais. É o caso da compra da cadeia de supermercados Whole Foods, em 2017, por US$ 13,7 bilhões. Porém, o professor Fernando Meirelles, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), diz que foi a partir dessa tacada que a Amazon começou a ganhar impulso na Bolsa. A aquisição, diz ele, deu à empresa de Bezos vantagem estratégica na hora de distribuir produtos.

Segundo turno

O “empurrão final” para o US$ 1 trilhão veio com uma nota publicada pelo banco Morgan Stanley, que definiu que as ações da empresa podem chegar rapidamente a US$ 2,5 mil – na terça, fecharam o pregão a US$ 2.039.

Para especialistas, a Amazon ainda tem muito a crescer, seja nos EUA, onde tem apenas 5% do varejo, na Europa ou em mercados emergentes. No Brasil, diz Guasti, a empresa ainda sofre para mostrar a mesma excelência de entrega e atendimento que em outros lugares. “É difícil fazer comércio eletrônico no Brasil ou na Índia, onde há complexidades logísticas bizarras”, avalia William Castro Alves, estrategista-chefe da corretora Avenue Securities.

Apesar das ressalvas e do fato de a empresa já ter tido percalços pelo caminho, Castro Alves diz que seu apetite por diversificação – tática que inclui o Prime Video, rival do Netflix – deve impulsionar os negócios no futuro próximo. “Eles têm mais agressividade que a Apple para chegar aos US$ 2 trilhões”, diz. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Autor: Bruno Capelas
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