sexta-feira, 21 de setembro de 2018

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Principal nome da “chapa dos lobos”, Rodrigo Cunha tenta manter imagem de cordeiro

Por Redação
Rodrigo Cunha

Rodrigo Cunha

A vaidade cobra um preço alto a quem não mede esforços para satisfazê-la. Essa é uma lição de vida que não deverá ser esquecida tão cedo pelo deputado estadual Rodrigo Cunha (PSDB), candidato ao Senado ao lado de Benedito de Lira (PP) na chapa encabeçada pelo senador Fernando Collor de Mello (PTC), candidato ao governo de Alagoas.

“Ao lado” certamente não é a expressão mais adequada para definir a posição de Rodrigo Cunha com relação a seus companheiros de chapa. Na arrumação improvisada promovida para dar sustentação aos interesses pessoais de Benedito de Lira e do próprio Cunha, máscaras e rótulos precisaram ser retirados. Restou a Cunha, em nome do que chama de “projeto político”, sacrificar alguns princípios para viabilizar sua candidatura à cobiçada cadeira no Congresso Nacional.

No apagar das luzes de seu primeiro mandato eletivo, marcado pelas críticas aos políticos alagoanos acusados de corrupção, Cunha acabou tendo que lidar com o dilema que criou para si: abraçar o sonho de disputar o Senado ou manter o discurso de honestidade ao qual tentou desesperadamente atrelar a própria imagem. Mordeu a mesma língua que usou para desferir suas bravatas e aceitou juntar seu nome aos de Collor e Benedito, frequentadores contumazes dos noticiários negativos e das páginas processuais que circulam pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A todo custo, Cunha tenta agora gerir as perdas e administrar a bipolaridade de suas decisões. “Diga com quem andas que te direi quem és” é o ditado que o deputado estadual busca tirar da cabeça do eleitor alagoano. Aninhado na matilha de lobos, Cunha sofre agora para manter imaculado seu lustroso pêlo de cordeiro. Foge de eventos da coligação, evita fotografias e caminha sozinho pelo Estado apoiado nos escassos representantes do combalido PSDB alagoano.

A chapa dos lobos

A chapa dos lobos

Boa parte do discurso do deputado continua sustentado no apelo à sensibilidade do eleitor: o assassinato da mãe, a deputada federal Ceci Cunha, em 1998, uma página lamentável, entre tantas, da política alagoana. Vinte anos depois, porém, grande parte do eleitorado alagoano ouviu falar de Ceci apenas pela boca do próprio Cunha. Na política, a memória é curta e os personagens são facilmente esquecidos. Assim, busca as redes sociais para se apresentar à juventude como “órfão da política”, bom moço em busca de Justiça e baluarte da honestidade.

Tenta apresentar uma passagem exuberante pelo comando do Procon estadual quando deixou ali, no dia em que saiu, tantos questionamentos quantos haviam quando lá chegou. Foi responsável pela aquisição de um prédio histórico onde seria instalada a “nova” sede do órgão. Investiu cerca de R$ 1 milhão na empreitada. Impedido de promover reformas e alterações estruturais que permitissem o funcionamento de uma repartição pública no local, abandonou a ideia e o prédio, deixando-o inutilizado.

Na Assembleia Legislativa, alardeou uma seleção pública para escolha de seus assessores. Estranhamente, escolheu a grande maioria desses assessores entre ex-funcionários do Procon em sua gestão. Devido à transparência que tanto cobrou, é possível localizar também, entre seus gastos com recursos do Legislativo estadual, despesas com o seguro de seu carro particular e mesmo com a colocação de película fumê no veículo. Tudo com o mesmo dinheiro públicos dos quais Cunha se apresenta como guardião. Tudo tão contraditório quando a chapa em que hoje está inserido para a disputa eleitoral deste ano.

Mas é preciso muito mais que palavras bonitas e um “pêlo lustroso” para credenciar qualquer político a um mandato de oito anos no Senado, onde as forças de todos os estados brasileiros se equilibram em apenas três representantes. Não se faz um senador em apenas um mandato de deputado estadual. Falta a Cunha o que não se conquista apenas com a “boa fé” que alega. Falta a Cunha a quilometragem pelos corredores de Brasília, que abre portas e impede que um político seja engolido, digerido e purgado do Congresso Nacional sem conquistar qualquer benefício ao seu povo.

Acelerando o ritmo, talvez Cunha tenha dado um passo maior que as pernas na busca pelo crescimento político, o que pode deixá-lo sem mandato até as eleições para prefeito de Arapiraca em 2020. Ou talvez sua verdadeira meta seja exatamente essa.

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