terça-feira, 20 de novembro de 2018

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Mostra do MET chega ao IMS paulista e celebra centenário de Irving Penn

Nos EUA pós Grande Depressão, um jovem Irving Penn usou o dinheiro que ganhou com seus desenhos para comprar uma câmera. Formado pela Universidades de Artes da Filadélfia, como é conhecida hoje, chegou a ter alguns desenhos publicados pela revista Harper’s Bazaar. Com seu novo equipamento, começou a registrar imagens que refletiam um momento de desemprego e dificuldades do país. Logo, foi recrutado pela revista Vogue para uma jornada que faria dele um dos maiores fotógrafos de todos os tempos.

“Comprar aquela câmera foi a melhor decisão que ele tomou”, brinca Jeff L. Rosenheim, curador do departamento de fotografia do museu Metropolitan, de Nova York, que montou, ao lado da curadora independente Maria Morris Hambourg, ao longo de dois anos, uma grande exposição em homenagem ao centenário de Penn, que esteve em cartaz no museu no ano passado. A mostra, depois de passar por Paris e Berlim, chega nesta terça-feira, 21, à sede paulista do Instituto Moreira Salles.

Ocupando dois andares do prédio, a exposição conta com cerca de 230 fotografias, dispostas em núcleos temáticos que seguem uma cronologia dos quase 70 anos de produção do fotógrafo, que esteve em atividade até próximo da sua morte, em 2009. As fotos selecionadas são exclusivamente do acervo do MET e da Fundação Irving Penn, que prometeu doar as 187 obras emprestadas ao museu.

O início da mostra traz justamente as primeiras fotografias “amadoras” e o primeiro ensaio para a Vogue, uma série de natureza-morta com uma crítica social muito peculiar, que o acompanharia em toda a sua carreira. “Naquela época, no final dos anos 40, o público da Vogue não estava interessado apenas em moda, mas em alguns problemas sociais causados pela Segunda Guerra Mundial”, explica Rosenheim, que veio a São Paulo para ajudar na montagem da exposição.

Na época, Penn foi recrutado pela Vogue para fotografar algumas das personalidades mais importantes daquele momento, mas o fez com um viés inovador e crítico. Colocou nomes como Alfred Hitchcock, Truman Capote e Salvador Dalí num canto estreito, entre tapumes. Segundo a curadora Maria Morris Hambourg, Irving Penn sabia que os fotografados “acabariam se revelando, ao tentarem acomodar seus corpos, egos e expectativas à estrutura”. Uma reprodução do canto, em que as pessoas podem tirar fotos, encerra a exposição.

Figura humana

Numa viagem a Cusco, no Peru, para um ensaio de moda da Vogue, Penn decidiu, por conta própria, ficar mais alguns dias e fotografar as pessoas que ali viviam, completamente alheias ao mundo da alta costura e com roupas e estilos próprios e marcantes. Foi a primeira de muitas séries que fez sobre pessoas comuns, em várias partes do mundo. Pequenos ofícios, entre 1950 e 1951, registrou trabalhadores de Paris, Londres e Nova York. Anos depois, fez retratos etnográficos em países como Papua-Nova Guiné, Marrocos e Benin.

“Mesmo não sabendo falar a língua local, Penn, às vezes sozinho conseguia se comunicar com essas pessoas e construía uma relação de confiança”, afirma Rosenheim. Algo interessante é que o fotógrafo, nessas viagens, utilizava, em seus registros, o mesmo pano de fundo em que clicava grandes personalidades ou modelos, como Lisa Fonssagrives, que conheceu num ensaio, em 1947, e com quem se casou anos mais tarde. Os dois permaneceram juntos até a morte de Lisa, em 1992.

O tal pano de fundo também está presente na mostra. Parte da coleção da Fundação Irving Penn, chamou a atenção do curador. “Quando vi no arquivo, pedi para colocar na exposição.”

Mesmo nas fotografias de moda, o recorte de Irving Penn deixava algo à mostra, como se para manter um pouco de realidade em figuras tão perfeitas. Neste sentido, realizou algumas séries fotográficas com foco em elementos do mundo real, que também são lembradas na exposição, como uma de nus femininos, realizado entre 1949 e 1950, e a famosa Cigarros, de 1972.

Técnica

A importância de Irving Penn para a fotografia não se dá apenas pelo trabalho atrás da câmera, mas também pelo processo de revelação das fotografias. Seus ensaios para a Vogue eram publicados coloridos, mas o fotógrafo preferia fazer suas próprias impressões em seu estúdio, com técnicas que mais o agradavam. A preferência por impressões em gelatina de prata e, principalmente, por platina, fazem das suas fotos em preto e branco as mais conhecidas.

A exposição, porém, apresenta alguns exemplos coloridos, principalmente com a presença de cópias da Vogue. “Não é só a oportunidade de aprender sobre um grande artista, mas sobre o poder da impressão fotográfica.”

IRVING PENN: CENTENÁRIO
IMS Paulista. Av. Paulista, 2424. Tel. 2842-9120. 3ª a dom., 10 às 20h. 5ª até às 22. Entrada gratuita. Até 18/11.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Autor: Pedro Rocha, especial para o Estado
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