sábado, 20 de Abril de 2019

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Com mandato marcado por denúncias, Biu de Lira enfrenta reeleição difícil

Por Redação
Biu de Lira enfrenta eleição difícil

Biu de Lira ao lado de Collor enfrenta eleição difícil

O cenário eleitoral de 2018 aponta a disputa pelo Senado como a mais concorrida dos últimos anos em Alagoas. Sob o risco de uma cassação gerado por diversas denúncias em análise pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o senador Benedito de Lira (PP) investe pesado na tentativa de renovar seu mandato.

Benedito foi eleito senador em 2010, na coligação encabeçada pelo ex-governador Teotônio Vilela Filho (PSDB). Após a eleição, a influência do senador passou a ser exercida dentro das secretarias de Educação e de Assistência Social do Estado, onde chegou a indicar como secretário o próprio enteado, Marcelo Palmeira (PP), hoje vice-prefeito de Maceió.

Sob essa influência, Alagoas amargou os piores índices de qualidade e eficiência do ensino público do país, com número recordes de analfabetismo e evasão, escolas sucateadas e, literalmente, desabando sobre as cabeças dos alunos.

Nas eleições de 2014, Benedito passou a perna nos aliados tucanos e decidiu se aventurar na disputa pelo Governo de Alagoas. Não por acaso, sua estratégia de criticar a gestão que integrava e as mazelas que ajudou a agravar resultaram em derrota no primeiro turno.

O senador voltou para Brasília para mais quatro anos de mandato recheados de denúncias. Ainda em 2015, Benedito foi denunciado ao Ministério Público Federal (MPF) por um calote de cerca de R$ 2 milhões aplicado em locadoras de veículos, produtoras de vídeo, agências de publicidade e shows pirotécnicos contratados para a campanha de 2014.

Não foi por falta de dinheiro. Em agosto de 2015, Benedito, o filho do senador, deputado federal Artur Lira (PP), e o também senador Fernando Collor (PTC) – hoje, candidato de Biu ao Governo – também foram denunciados pela Procuradoria Geral da República (PGR) por envolvimento no esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato. De acordo com a declarações feitas à Justiça pelo ex-presidente da Petrobras, Paulo Roberto da Costa, Benedito teria recebido propinas de até R$ 1 milhão decorrentes de sobrepreços em contratos da estatal. A denúncia também rendeu um pedido de afastamento feito ao STF pela Polícia Federal.

Em dezembro de 2016, a Justiça Federal no Paraná determinou o bloqueio de R$ 10,4 milhões em bens do senador, a pedido da Advocacia Geral da União (AGU), em decorrência de uma ação por improbidade administrativa movida pela AGU contra Benedito a partir da Operação Lava Jato. Ele é acusado de ter usado recursos oriundos do esquema de propinas investigado pela Polícia Federal, relacionados aos desvios na Petrobras, para pagar despesas da desastrada campanha ao Governo em 2014.

Na ação, a AGU solicitou ainda a perda de mandato e a suspensão dos direitos políticos do senador pelo período de dez anos. A ação ainda tramita e pode resultar na cassação de Benedito. Em abril deste ano, a Justiça Federal no Paraná negou recursos apresentados por Benedito.

Atualmente, o senador responde a pelo menos três processos no Supremo Tribunal Federal (STF), sob os números 0000048-45.2015.1.00.0000, 0000063-14.2015.1.00.0000 e 0000068-36.2015.1.00.0000, por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Caso fique sem mandato a partir de 2019, os processos referentes à Operação Lava Jato deverão ser enviados para a Justiça Federal no Paraná, a mesma que já determinou as prisões de dezenas de políticos e empresários envolvidos nos crimes contra a Petrobras.

Tentando evitar a todo que isso aconteça, Benedito de Lira empenhou seus esforços na formação de uma chapa de oposição ao governador Renan Filho, candidato à reeleição pelo MDB nas eleições deste ano. Abrindo palanque para a candidatura do senador, foi lançado o nome de Fernando Collor de Mello (PTC), que rompeu com o Governo que apoiou nos últimos anos e parte para a disputa atendendo aos interesses de seus novos aliados.

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