quarta-feira, 21 de novembro de 2018

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Com gosto musical eclético, Casagrande fala de projeto dedicado a Adoniran

Não é de hoje que Walter Casagrande Jr. se declara fã de rock. Mas no coração roqueiro de Casão, como ele é conhecido, também cabem outros gêneros musicais. “Cresci ouvindo Belchior, acho que é o maior poeta da juventude dos anos 70 e 80, e também Caetano, Gil, Tom Jobim, Vinicius, Gonzaga, Gonzaguinha”, lembra o ex-jogador e comentarista da Globo, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. “Produzi shows de Raul Seixas, eu tinha 19 anos. Fui muito amigo do Gonzaguinha.”

Essa sua relação afetiva com a música brasileira, que vem de família, também o aproximou de outras grandes obras, como a de Adoniran Barbosa.

No ano passado, quando soube que o acervo do autor de sucessos como Trem das Onze e Saudosa Maloca estava numa sala na Galeria do Rock, em São Paulo, sem que o público pudesse acessá-lo, Casagrande quis fazer algo em prol da memória de Adoniran. “A juventude de hoje nem sabe quem é Adoniran.” Conversou com o amigo, o maestro João Carlos Martins, que topou participar de qualquer iniciativa relacionada a Adoniran que ele realizasse. Casagrande idealizou, então, o Ano Adoniran Barbosa e criou o projeto Adonirando, cuja 2ª edição será realizada nesta terça, 28, no Teatro Porto Seguro, com show de Luiza Possi, Tiago Abravanel e participação do ator Cassio Scapin.

No repertório, a clássica combinação de sucessos e canções menos conhecidas, como Apaga o Fogo Mané e Duas Horas da Madrugada. “Quem não ouviu Trem das Onze e Saudosa Maloca em algum momento da vida? Com 5 anos de idade, eu sabia quem era o Adoniran”, diz. “Nos anos 80, quando eu entrei no Corinthians, eu tinha 19 anos. Em 82, foi o ano que ele morreu, que a Elis morreu, e não tive oportunidade de conhecê-los pessoalmente, mas eu sou apaixonado pelos dois.”

O primeiro evento Adonirando ocupou o Teatro Municipal em janeiro deste ano, num show que Casagrande montou em um curto espaço de tempo. “Foi um trabalho difícil de fazer, porque fizemos sem dinheiro algum e em praticamente 12 dias.” O tributo reuniu artistas de diferentes gerações e estilos, como Baby do Brasil, Nasi, Arrigo Barnabé, Rappin Hood, Demônios da Garoa, Paulo Miklos, que interpretou Adoniran em um curta-metragem (leia ao lado), e João Carlos Martins. “Aconteceram algumas coisas inusitadas, como a Baby cantar com o Rappin Hood, e o público amou.”

Em 2019, o homenageado será Luiz Gonzaga, conta Casagrande. Como aconteceu com Adoniran, haverá um primeiro show no Municipal em janeiro. E, para sua realização, está em busca de patrocínio. “Conheci o Luiz Gonzaga através do Gonzaguinha. Gosto muito de música. Meu estilo é rock n roll, blues, mas sempre ouvi tudo e, hoje em dia, claro, mais maduro, mais decidido, não tenho preconceito com movimentos musicais.”

ADONIRANDO
Teatro Porto Seguro. Al. Barão de Piracicaba, 740, Campos Elísios, tel. 3226-7300. Hoje (28), às 21h. R$ 160 / R$ 200.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Autor: Adriana Del Ré
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