sexta-feira, 21 de setembro de 2018

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Candidato, Rabello de Castro defende orçamento curto para reduzir corrupção

O ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Paulo Rabello de Castro oficializou nesta sexta-feira, 20, sua candidatura à Presidência da República pelo PSC em convenção do partido realizada em Brasília.

Com menos de 1% das intenções de voto nas últimas pesquisas eleitorais, Castro afirmou que apresentará aos eleitores um plano de 20 metas, inspirado em Juscelino Kubitschek, com propostas para tirar o País da atual crise política e econômica. Esta é a primeira vez que ele disputará um cargo eletivo.

“Eu sei onde o dinheiro está. E vou dar uma boa notícia. Em 2019, acaba o déficit primário, em 2020 nós já temos um enxugamento enorme da máquina pública que vai resultar em um maior combate à corrupção. Dinheiro sobrando é convite à corrupção. O dinheiro do governo tem que ser sempre curto, muito bem distribuído e aplicado com eficiência. É o que nós faremos”, disse.

O presidenciável também prometeu realizar uma distribuição de renda para que todos os brasileiros possam usufruir das riquezas do Brasil. Isso seria feito através de um fundo previdenciário que será alimentado com recursos estatais.

“Nossa maior preocupação não está nas contas públicas, mas na melhoria social do brasileiro. Colocar a comida na mesa e no prato do brasileiro. E o emprego que vai pagar essa comida porque o brasileiro não precisa de favor, ele precisa de trabalho”, disse. O candidato, no entanto, não deu mais detalhes sobre como esse mecanismo funcionaria.

Reformas

Castro prometeu realizar mudanças na Previdência, mas evitou classificar a ideia como uma reforma. “Vou abolir a palavra reforma porque o que faremos é uma nova Previdência. A Previdência Social é um produto como outro qualquer. Os brasileiros têm que querer participar dela e hoje ninguém quer porque ela tem regras ruins. Vamos instituir regras boas”, disse.

Dentre as propostas também constam uma repaginação da Constituição para modernizá-la, uma simplificação tributária radical, o enxugamento da máquina pública, um aperfeiçoamento social, a defesa intransigente da família tradicional, a defesa da vida desde o início e a criação de um programa para empregar 1 milhão de jovens. No campo econômico, Castro afirmou que fará uma nova estrutura fiscal que, em dois anos, seria capaz de sanear os problemas da área. Ele também disse que cancelaria a regra que estabeleceu um teto para os gastos públicos.

De acordo com Castro, sua candidatura também terá como objetivo aumentar a bancada do PSC no Congresso, com a expectativa de eleger cerca de 35 parlamentares. Atualmente, o partido tem 9 deputados. “Se sei lidar com o Congresso, digo que ele é lindo. Teremos 35 representantes do PSC, número mais do que suficiente para dar exemplo nas votações que precisamos”, afirmou.

O presidente do PSC, Pastor Everaldo, afirmou durante o evento que a sigla ainda conversa com outros partidos para fechar alianças, principalmente para definir um nome para vice, mas se elas não forem possíveis, a chapa será puro-sangue. Levy Fidélix, presidente do PRTB, participou da convenção mas não chegou a declarar um apoio formal. O PRTB também tem sido sondado pela campanha de Jair Bolsonaro (PSL) que cogita convidar o general reformado Hamilton Mourão (PRTB) também para ser vice.

Já Castro disse que ficaria contente se a escolha para o cargo fosse uma mulher e rechaçou as negociações feitas por outros partidos, as quais classificou como espúrias. “Não quero um vice de acomodação, vice de compra de minuto, vice de combinar o nada com a coisa nenhuma. Isso é tudo bananeira que já deu cacho. O povo brasileiro vai rejeitar isso. Ele quer compromisso. E por isso o vice tem que ter esse perfil”, disse.

Questionado sobre quanto custaria sua campanha, Castro disse não ter uma estimativa. “Vou fazer a campanha no cuspe”, disse, referindo-se à campanha boca-a-boca que pretende fazer pelo Brasil.

Recall presidencial

Durante a convenção, Castro também prometeu fazer um “auto recall” se for eleito. Ao final do segundo ano de mandato, ele realizaria um plebiscito para que a população dissesse se estaria satisfeita ou não com o governo. “Vou perguntar ao povo se eu e meu vice devemos permanecer ou ir para casa. Se o povo não aprovar o meu governo, o que ficarei eu lá esquentando cadeira? Atrapalhando? Mais um incompetente?”, disse.

Segundo Castro, o plebiscito seria realizado junto com as eleições municipais. Ele, no entanto, não explicou como uma eleição presidencial seria realizada fora de época no caso de uma decisão popular pelo fim de seu eventual governo.

O evento foi aberto pelo Pastor Everaldo, que foi candidato à Presidência pelo partido em 2014. “O País precisa sair da crise e a pessoa qualificada para levar as melhores propostas para o Brasil, a partir de hoje, quem vai verbalizar isso para a população brasileira será um dos homens mais qualificados para fazer a virada que o País precisa”, afirmou ao apresentar Castro.

Paulo Rabello de Castro foi presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de junho de 2017 a março de 2018, quando deixou o cargo por causa do calendário eleitoral. Antes, ele presidiu o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), onde atuou entre julho de 2016 e junho de 2017.

No sábado, dia 21, ele vai participar do lançamento das candidaturas do ex-juiz federal Wilson Witzel ao governo do Estado do Rio de Janeiro e do presidente nacional do partido, Pastor Everaldo, ao Senado. No evento, também será apresentada a lista dos candidatos a deputado estadual e federal da legenda.

Autor: Mariana Haubert
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