sábado, 17 de novembro de 2018

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Sargento Pimenta mistura Beatles e ritmos brasileiros no carnaval do Rio

Por Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil
A Banda do Pimenta empolga a multidão com a mistura de guitarras e percussõesFernando Maia/RioTur/Divulgação

A Banda do Pimenta empolga a multidão com a mistura de guitarras e percussõesFernando Maia/RioTur/Divulgação

O Bloco Sargento Pimenta, que toca músicas dos Beatles com batidas brasileiras, homenageou ontem (12), em apresentação no Aterro do Flamengo, o Mestre Darcy Monteiro, um dos fundadores da escola de samba Império Serrano e uma das principais referências do jongo – um dos ritmos originais do samba.

Falecido em 2001, Darcy era percussionista profissional desde os 16 anos e foi responsável pela introdução do agogô, instrumento usado em cultos religiosos afros, nas baterias das escolas de samba. Ele fundou, junto com outros jongueiros, o grupo que deu origem ao projeto social Jongo da Serrinha que passou a ensinar o ritmo a crianças. A sede cultural da organização está fechada desde janeiro deste ano por falta de verbas, o que tem levantado uma onda de críticas à prefeitura. O jongo é patrimônio imaterial do país desde 2005, quando foi registrado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Nos seus desfiles, o Pimenta empolga a multidão misturando baião, maracatu, ijexá, samba-reggae e o tradicional batidão do funk com canções da banda britânica. “Os ritmos brasileiros estão na essência, na raiz do bloco, são viscerais”, diz o diretor musical do grupo Felipe Reznik. O nome Sargento Pimenta é uma referência ao álbum Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles.

Na apresentação de hoje, para enaltecer o ritmo do jongo, o bloco toca canções com jongueiros profissionais da Serrinha e dedica ao mestre Darcy uma batida especial da bateria. “Esse ano, resolvemos destacar um ritmo daqui: o jongo é do Rio de Janeiro, é para valorizar”, afirma o diretor musical do grupo Felipe Reznik. “Sempre buscamos nos aprofundar nas manifestações culturais brasileiras para fazer com que as músicas fiquem ainda mais interessantes, essa mistura é o que faz o bloco ser o que é”.

Bloco do Sargento Pimenta empolga a multidão misturando canções da banda britânica com baião, maracatu, ijexá, samba-reggae e o tradicional batidão do funkArquivo/Akemi Nitahara/Agência Brasil

Bloco do Sargento Pimenta empolga a multidão misturando canções da banda britânica com baião, maracatu, ijexá, samba-reggae e o tradicional batidão do funkArquivo/Akemi Nitahara/Agência Brasil

Ritmos viscerais

Essa é a oitava vez que o Pimenta se apresenta no carnaval carioca e a expectativa é reunir 60 mil pessoas, uma previsão subestimada, já que o grupo tocou para 500 mil em 2017. Na primeira apresentação, em 2011, cerca de 5 mil pessoas se espremeram pelas ruas do bairro de Botafogo, na zona sul do Rio, acompanhando um trio elétrico. De lá para cá, eles já se apresentaram até fora do país, inclusive na Olimpíada de Londres.

O Pimenta empolga a multidão misturando baião, maracatu, ijexá, samba-reggae e o tradicional batidão do funk com canções da banda britânica. “Os ritmos brasileiros estão na essência, na raiz do bloco, são viscerais”, frisa Reznik.

Para garantir a vibração carnavalesca, os músicos do palco serão acompanhados por uma bateria de cerca de 140 ritmistas, formados em oficinas de percussão do próprio bloco. O músico Carlos Bastos, 56 anos, que se apresenta pela primeira vez, disse que “começa a estudar desde maio, tem uma apostila, um método, a partir de dezembro são dois ensaios por semana, é um negócio sério”.

Outra ritmista, Diana Neves, de 33 anos, que está no segundo carnaval, afirma que tocar é “um vício. Eu nunca curti muito carnaval, mas sempre amei os Beatles. Em 2011, fui assistir pela primeira vez o bloco e fiquei apaixonada. Em 2016 fiz a oficina e agora não quero outra coisa. Até entrei em outros blocos, mas depois que você começa a tocar, não consegue parar”.

Fãs de carteirinha

Entre a multidão que se aglomerava para ouvir o Pimenta estava a secretária-executiva Lia Falka, de 65 anos. “Ei vim a todos os desfiles, com exceção do primeiro. Gosto que eles pegam os Beatles e misturam com tudo. Dá até para se imaginar em Woodstock, curto muito”.

A recreadora infantil Maria Iara de Jesus, de 51 anos, garante que não precisa saber inglês para cantar junto. “Aqui é bom para ouvir, é bom para alma, a bateria deles faz com que a gente entenda, já estou toda entendida, eu cantarolo do meu jeito aqui”.

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