segunda-feira, 19 de novembro de 2018

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Lixo toma conta da estação ferroviária de Arapiraca; em Palmeira obras estão paralisadas

Por Roberto Gonçalves
Perspectiva da  revitalização da obra  que está paralisada

Perspectiva da revitalização da obra que está paralisada

As obras de revitalização da Estação Ferroviária de Palmeira dos Índios, iniciadas no final da gestão de James Ribeiro (PRTB) e retomadas no início do governo Julio Cezar (PSB), previstas para serem concluídas em junho do ano passado, com recursos do Ministério do Turismo estão paralisadas há alguns meses. Com a paralisação, o projeto “O chão de Graciliano” que homenageia o celebre escritor de renome internacional e o maior prefeito de Alagoas poderá ficar apenas no sonho e novamente no esquecimento.

O objetivo seria atrair turistas do mundo inteiro de uma maneira inovadora, a partir do trem “Caminhos de Graciliano”. Com ele, seria possível fazer um percurso entre os municípios de Palmeira dos Índios e Quebrangulo pela linha férrea, apreciando as belas paisagens que envolvem o trajeto, além de conhecer as duas cidades que abrigam a história do escritor, os museus e casarios, por meio do turismo cultural e ambiental, com a maior reserva ecológica do Estado, a Serra Talhada. No percurso, está um dos povoados mais antigos de Palmeira dos Índios, Anum Velho e até uma aldeia indígena, a Fazenda Canto.

Em Quebrangulo, onde nasceu o escritor, a Estação Ferroviária está pronta para receber os visitantes – funcionando com museu e restaurante – e em Palmeira a obra ainda não foi concluída, em que pese o prazo estimado ter se findado há 8 meses. E o pior: o que foi realizado até o momento está sendo depreciado pela ação do tempo e o abandono. Para se ter uma ideia, durante o carnaval, o QG da Folia localizado nas imediações, o local que aguarda a conclusão das obras, estava às escuras e serviu de mictório para os foliões.

Para o diretor-presidente da CBTU, José Marques, que realizou uma visita há alguns meses ao local, a implantação do trem que poderia circular entre os dois municípios é totalmente viável. “Agora, fica sob a responsabilidade dos prefeitos a captação de recursos para recuperar a malha viária.

No entanto existe um impasse, as linhas da Companhia Ferroviária Nacional (CFN) de acordo com o Ministério dos Transportes estão judicializadas. O problema é em nível nacional inviabilizando projetos de transporte turísticos, de passageiros e de cargas na ferrovia Transnordestina.

Senador Biu de Lira, ao centro - o todo-poderoso da CBTU prometeu o trem para os dois municípios

Senador Biu de Lira, ao centro – o todo-poderoso da CBTU prometeu o trem para os dois municípios

Com isso a promessa do senador Benedito de Lira para o prefeito Julio Cezar e para o povo de Palmeira dos Índios vai ficar no papel, como também foi a promessa do trem do finado Alberico

Cordeiro, ex-deputado e prefeito da cidade que ganhou uma eleição prometendo levar de volta o trem de passageiros para o povo da região.

Outras cidades
Em Maceió, centro econômico do Estado e Arapiraca, mesmo conectada por meio de ferrovias, a cidade polo da região Agreste, não existe circulação de trem entre os dois pontos, levando cargas ou então passageiros. Também não há movimentação de locomotivas até União dos Palmares e de lá até o estado de Pernambuco.

O lixo cerca a estação em Arapiraca

O lixo cerca a estação em Arapiraca

Em Arapiraca a antiga estação ferroviária também está abandonada, cercada de lixo por todos os lados e no pátio ferroviário um dos imóveis foi alvo de incêndio que teria sido provocado por vândalos.

O sistema em Maceió, só não caiu na inutilidade porque a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) transporta passageiros em um percurso de 33 quilômetros entre o centro de Maceió e a cidade de Rio Largo. O mesmo serviço deveria ter sido ofertado à população de Arapiraca, mas o projeto na gestão do então prefeito Luciano Barbosa (MDB) não prosperou.

VLT Arapiraca se transformou em “Trem fantasma” para Luciano e Célia

O VLT, prometido por Luciano Barbosa (MDB) que segundo a ex-prefeita Célia Rocha (PTC) em entrevista, seria “a realização do sonho do transporte coletivo do povo arapiraquense”, pode está ressurgindo como um incômodo atual para ambos.

Tanto para a ex-prefeita que é pré-candidata a deputada estadual, quanto para o seu ex-aliado, o ex-prefeito e atual vice-governador Luciano Barbosa, ambos prometeram incessantemente no passado a concretização do projeto. Atualmente ele surge em ano eleitoral como um fantasma batendo a porta de todos os defensores das gestões anteriores e claro, de Luciano Barbosa e Célia Rocha.

Histórico

O ramal do Colégio, que somente tomou este nome quando atingiu a estação de Porto Real do Colégio em 1950, foi aberto aos poucos a partir da estação de Lourenço de Albuquerque, na linha Recife-Maceió da Great Western. Em 1884 estava em Urupema, em 1891 avançou até Viçosa, em 1912 em Quebrangulo. Somente em 1933 chegou a Palmeira dos índios, para somente 14 anos depois recomeçar a sua marcha para o rio São Francisco, onde chegou em 1950. A ponte com a cidade de Propriá no Sergipe somente foi entregue em 1972, facilitando a passagem dos trens, que antes passavam por barcos e balsas.

Em 2000, a queda de uma ponte e de barreiras no ramal o interromperam até 2007, quando se começou a fazer a recuperação do ramal pela CFN, concessionária do trecho desde 1997. Os trens de passageiros não existem mais desde por volta de 1980.

A estação de Arapiraca foi inaugurada em 1949. Atualmente é uma das estações operacionais da CFN, atual concessionária da antiga Rede Ferroviária do Nordeste. Sem trens de passageiros desde o início dos anos 1980, com a linha abandonada desde que a CFN assumiu a concessão do trecho em 1998. 

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