terça-feira, 14 de agosto de 2018

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Entrevista: Dilson Tenório diz que os trabalhadores precisam resistir e lutar

Por Mariana Moura
Presidente do  Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino Privado de Maceió, Dilson Tenório

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino Privado de Maceió, Dilson Tenório

O presidente do SINTEP – Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino Privado de Maceió, Dilson Tenório concedeu entrevista onde abordou diversas questões sobre as mudanças nos direitos trabalhistas e as ações desenvolvidas pelo sindicato que representa.

Dilson aponta que a Reforma Trabalhista significa um retrocesso, mas que os trabalhadores e a população ainda não perceberam suficientemente a gravidade da situação. Ele relata as conquistas que o SINTEP obteve para sua categoria, fala ainda das perspectivas para 2018 e afirma: “os trabalhadores precisam resistir e lutar”.

Confira a seguir a entrevista na íntegra:

Mariana Moura: O que os trabalhadores podem esperar da reforma trabalhista?

Dilson Tenório: Não podemos esperar dias melhores diante dessa realidade que, com a desculpa de combater o desemprego, permite que empresas demitam em massa, quando antes da reforma a lei determinava o acompanhamento dos Sindicatos e o conhecimento do Ministério do Trabalho. Permite também fracionar os trinta dias de férias e muitas outras concessões que irão tornar o trabalho praticamente escravo no Brasil. É preciso despertar a consciência da população para esses absurdos.

MM: Como o senhor observa o papel dos sindicatos hoje?

DT: Vejo que os trabalhadores na sua maioria não se deram conta do retrocesso sofrido com a retirada de direitos. O cenário apresentado não é fácil. Esse ataque aos trabalhadores através da reforma, não só retira direitos como também fragiliza o seu representante legal. O Sindicato nunca teve um papel tão importante e necessário para a vida do trabalhador e diante do desmonte de direitos conquistados, o dever do sindicato é combater, denunciar, negociar e fortalecer a base, politizando e buscando melhorias. Os trabalhadores precisam resistir e esse será o papel do SINTEP, sempre firme e combativo.

MM: Como tem sido a relação do SINTEP com as Instituições de Ensino?

DT: Temos uma relação tranquila com as Instituições de Ensino. Buscamos o diálogo, mas quando isso não é possível, nos cabe buscar os caminhos legais que muitas vezes os desagradam. Nosso dever é lutar pelos interesses dos trabalhadores, garantindo que as conquistas que temos na legislação e no que está acordado seja cumprido.

MM: Qual o balanço que o senhor faz de 2017?

DT: Foi um ano difícil, especialmente para nós trabalhadores. Um ano de muita resistência a um verdadeiro assalto aos direitos do povo e às riquezas do país. O SINTEP esteve em todas as frentes de resistência possível, ocupando as ruas várias vezes durante o ano passado.

Mas também foi um ano com conquistas para a nossa categoria. Diante da dificuldade do cenário nacional, nós reforçamos as nossas negociações e conseguimos impedir que houvesse perdas nos direitos que já tínhamos garantido nos acordos coletivos anteriores. Além disso, conseguimos em alguns casos avançar em ganhos sociais para a categoria.

Na educação básica nós ampliamos para 40% o desconto das bolsas de estudo para filhos e dependentes legais dos associados e tivemos reajuste salarial de 8% em 2016 e 5% em 2017. No ensino superior conseguimos garantir um reajuste de 5% e também o retroativo de 2016 em 7%. No Cesmac por exemplo, nós conquistamos reajuste de 10% no vale-alimentação e plano odontológico sem qualquer contrapartida do trabalhador.

O sindicato passou também por um importante processo eleitoral que elegeu a atual diretoria com aprovação de 95,26% dos votantes. Sem falar nas ações e eventos que foram realizados. Em resumo, foi um ano de muito trabalho e luta.

MM: 2018 já começou, quais os desafios e perspectivas para esse ano?

DT: O Sindicalismo brasileiro atravessa momentos difíceis. Precisamos continuar buscando estratégias e ações eficazes para vencer os desafios e garantir a ampla defesa dos trabalhadores. Estamos firmes para mais uma jornada de negociação das nossas convenções e acordos coletivos. Para 2018 teremos como prioridade nossa campanha de filiação, ampliação dos convênios em diversas áreas, capacitação da diretoria, visitas às escolas e faculdades conscientizando os trabalhadores da importância do sindicato.

O SINTEP continuará lutando incansavelmente pelos direitos dos trabalhadores, buscando melhores condições de trabalho, combatendo a exploração do trabalhador e assegurando a representatividade da categoria. O momento é de continuar unindo a classe trabalhadora junto ao SINTEP e assim, fortalecer as mais diversas frentes de luta. Continuaremos combativos e para tanto, conclamamos os trabalhadores para que juntos possamos vencer e garantir nossos direitos.

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