sábado, 21 de setembro de 2019

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UE é cúmplice de tortura de imigrantes na Líbia, acusa ONG

Por ANSA
Imigrantes que partem da Líbia são vítimas constantes de abusos (foto: EPA)

Imigrantes que partem da Líbia são vítimas constantes de abusos (foto: EPA)

A ONG Anistia Internacional acusou nesta terça-feira (12) os governos europeus, “em particular a Itália”, de serem cúmplices da série de torturas e abusos que os imigrantes africanos são submetidos na Líbia.

Recentemente, uma série de denúncias mostrou que estupros, assassinatos e até mesmo o “leilão” de imigrantes são comuns em campos que abrigam pessoas que tentam fazer a travessia pelo Mar Mediterrâneo até a Europa.

“Os governos europeus, em particular a Itália, são cúmplices conscientes das torturas e dos abusos de milhares de imigrantes detidos pelas autoridades líbias pela imigração e que estão em condições horríveis na Líbia. Não apenas estão plenamente conscientes desses abusos, quanto apoiam as autoridades líbias no bloqueio às travessias e em prender pessoas, sendo cúmplices desses crimes”, escreveu a entidade de defesa dos direitos humanos em relatório.

A AI destaca ainda que os “oficiais da Guarda Costeira da Líbia são conhecidos por operar conjuntamente com a rede de traficantes, e pelo exercício da violência e ameaças contra os refugiados e imigrantes que estão a bordo de barcos em dificuldades”.

A organização ainda acusa que um barco doado pela Itália para o país africano, em abril deste ano, “foi usado pela Guarda Costeira líbia no horrível incidente do dia 6 de novembro de 2017, quando 50 pessoas se afogaram”. De acordo com a AI, esse barco, chamado de “Ras Jadir”, impediu que a ONG ajudasse no resgate de imigrantes pouco antes desse incidente.

Segundo a Anistia Internacional, os governos europeus devem “repensar” a cooperação que tem com as autoridades da Líbia e “devem permitir as pessoas que cheguem à Europa através de percursos legais, que compreendam a realocação de dezenas de milhares de refugiados”.

No início do ano, a Itália fechou um acordo com o governo de unidade da Líbia para equipar e treinar a Guarda Costeira do país para atuar no Mar Mediterrâneo. O pacto foi apoiado pela União Europeia e causou uma drástica redução na chegada de imigrantes ilegais ao país durante o ano de 2017.

No entanto, diversas entidades criticaram o projeto por considerar que ele não levava em conta os direitos humanos dos deslocados, que ficam em campos de acolhimento repetidamente denunciados por abusos e torturas.

Em dados atualizados até esta segunda-feira (11), a Itália registrou a chegada de 117.395 pessoas em seus portos – uma queda de 33,04% na comparação com os números de 2016. (ANSA)

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