segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

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Militante anarquista Nô Pedrosa é uma das vítimas de duplo homicídio

Por Tibunahoje
 Nô Pedrosa, à direita, ao lado de militante do PCB (Foto: Reprodução)

Nô Pedrosa, à direita, ao lado de militante do PCB (Foto: Reprodução)

Morreu na noite de sábado (23) o militante anarquista alagoano conhecido como Nô Pedrosa aos 77 anos. Ele e outro homem identificado como José Márcio dos Santos Silva, de 39 anos, foram vítimas de duplo homicídio no bairro da Mangabeiras. Ambos foram mortos a tiros.

De acordo com o boletim do Centro Integrado de Operações da Segurança Pública (Ciosp), ambos eram moradores do bairro nas proximidades de uma concessionária de veículos na Mangabeiras. Nô Pedrosa foi atingido no pescoço e ao cair machucou o abdômen. José Márcio foi atingido nas costas e nas nádegas.

No referido boletim policial, a identidade de Nô Pedrosa não havia sido confirmada como uma das duas vítimas, porém neste domingo (24), vários conhecidos do militante divulgaram a informação através de redes sociais. A motivação do crime ainda é desconhecida. O reconhecimento oficial por parte da família deve ocorrer somente na terça-feira (26) no Instituto de Medicina Legal.

Histórico

De acordo com o historiador Geraldo de Majella, Nô Pedrosa nasceu em Santa Luzia do Norte em 7 de setembro de 194o, aniversário da Independência do Brasil, sob o nome de Walfredo Pedrosa de Amorim.

Seu envolvimento com a esquerda política foi de berço já que a família tinha tradição de militância na esquerda em Alagoas. Seu irmão mais velho, Valter, foi filiado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) em meados da década de 1950. Nô Pedrosa e outro irmão Waldir, também tornaram-se militantes.

A atuação de Nô Pedrosa no PCB alagoano durante as décadas de 1950 e 1960 trouxe a formação de vários novos núcleos de militantes comunistas tanto no estudo secundarista quanto universitário.

Ele, seu irmão Valter e os irmãos e Jayme e Wiltom Miranda foram detidos após o golpe militar de 1964. Outros iniciaram a vida na cladestinidade, enquanto alguns mais precisaram sair de Alagoas para outros estados.

Ao sair da prisão, Nô voltou a estudar na Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e seguiu sua militância política durante os anos de chumbo da ditadura.

Segundo Geraldo de Majella, a Delegacia de Ordem Política e Social (Dops) fez o seguinte registro da atuação de Nô Pedrosa: “participou de todos os movimentos grevistas nos sindicatos filiados ao CGT, em companhia do comunista Nilson Miranda e outros. Tomou parte ativa nos comícios programados pelo CGT. Desenvolve atividades comunistas no meio dos estudantes. Distribui literatura comunista e boletins subversivos. Preso no movimento revolucionário de 31 de março de 1964”.

Com a diminuição da militância comunista, sua ideologia começa a pender ao anarquismo em parceria com outros grupos de esquerda. O historiador Majella diz que ele seguiu recrutando militantes à porta da biblioteca pública estadual e nos corredores da Ufal.

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