quarta-feira, 26 de setembro de 2018

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A festa do canalha

Por Carlito Lima

A primeira Festa do Canalha foi há quase 30 anos no Bar do Alípio à beira da Lagoa Mundaú no belíssimo bairro do Pontal da Barra, onde as mulheres rendeiras em suas casas tecem nas calçadas as encantadoras e coloridas peças de renda, filé e labirinto. O Bar do Alípio tornou-se por muitos anos o ponto de encontro de intelectuais, artistas, políticos e outros desocupados. Certo final de ano os amigos, Júlio Bandeira, Arnon, José Wanderley, Marcos Davi entre outros, fizeram uma confraternização. Bons uísques, tira-gosto da melhor qualidade, eram cerca de 10 a 12 pessoas. Foi quando se comentou a separação de um dos amigos, o Doutor havia trocado sua esposa, 20 anos de casado, pela enfermeira de 18 anos. Alguém do grupo logo o elegeu “O canalha do ano”, a brincadeira terminou mais tarde e cada qual para sua casa.

Ano seguinte, ao convocar os mesmos amigos, acrescidos mais de outros, o Júlio lembrava que iriam escolher novamente o canalha daquele ano. Assim começou a festa do canalha, sempre alguém que separou da mulher ou arranjou uma amante ou coisa parecida era o agraciado.

Logo depois, sete comunistas resolveram abrir um restaurante, o Casablanca na Ponta Verde. A Festa do Canalha passou a ser realizada no restaurante dos camaradas. Sempre escolhendo o canalha por um desvio de conduta domiciliar. Por algum tempo o Casablanca foi o ponto dos políticos e boêmios. O jornalista Plínio Lins fazia o Programa Conversa de Botequim nas quartas-feiras entrevistando uma figura de projeção na época, era divertido. Acontece que o capitalismo é difícil crescer nas mãos de comunistas que consumiam mais que os clientes, o Casablanca foi à falência.

O maior cirurgião cardiovascular do Brasil, Dr. José Wanderley que tem um coração maior que todos que já salvou, resolveu realizar a festa de confraternização em sua residência. A partir desse ano tudo mudou. Primeiramente pelo conforto de uma belíssima casa no alto da Cruz das Almas com uma vista exuberante para toda orla de Maceió. Segundo, foi a boca livre. O Dr. José Wanderley prepara uma recepção digna de um sertanejo, ele é de Cacimbinhas, ao chegar o convidado, o uísque já está sendo colocado em seu copo e a comida variada nas mesas. Não existe convite, é tradição a frequência de políticos de todos os partidos. Socialistas, liberais, anarquistas, fascistas, inimigos e amigos se encontram nessa casa para despedida de fim de ano. A festa inicia às 10 horas da manhã sem hora para acabar, às vezes o sol do domingo está alto quando os retardatários bêbados deixam a casa do Wanderley. Essa festa tornou-se um evento político e boêmio da cidade de Maceió.

Durante a festa reúne-se uma Comissão de Alto Nível sempre com a participação Júlio Bandeira, Marcos Davi, Arnon, entre outros, para escolha do CANALHA DO ANO. A expectativa é enorme. Quando chega o momento da anunciação, o presidente da Comissão faz um preâmbulo, os motivos pelos quais o ganhador foi merecedor do título anual e logo em seguida sob aplausos é conhecido o Canalha do Ano, sempre um caso de desvio de conduta conjugal. Certas pessoas acham a brincadeira pesada. Houve caso de uma ex-esposa, sabendo que o ex-marido tinha sido escolhido partiu para cima do locutor anunciante, um recatado médico, tomou e rasgou o discurso escrito pela Comissão.

Outra vez uma grande autoridade foi contemplada com o título, um caso sério que ainda não era sabido pelos órgãos da Imprensa, para ter discrição deram o título a um amigo do contemplado, simbolicamente. Os boêmios da cidade adoram essa boca livre de bons uísques e tira-gosto, almoço, ouvindo boa música num local paradisíaco durante todo o dia do sábado, deixa qualquer cidadão com vontade de tomar mais uma. A paciência do Dr. Wanderley e da Dra. Simone, sua esposa são admiráveis.

Certa vez um conhecido boêmio saiu da Festa pelas 19 horas, colocaram o bêbado dentro de um taxi, o motorista perguntou onde ele morava disseram que era perto da Praça Centenário. Ao chegar à Praça o taxista perguntava onde bêbado morava ele respondia, cantando.

-“Moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza…” e caia no sono no assento traseiro.

Depois de lutar por mais de uma hora perguntando se alguém conhecia aquele cidadão, o taxista retornou à casa do Wanderley com o bêbado ainda cantando: “Moro num país tropical”. O vereador Juca Carvalho, depois de algum telefonema, entregou ao taxista o endereço detalhado do boêmio.
Assim é a festa de confraternização na casa do Dr. Wanderley. Hoje dia 9 dezembro tem mais outra e o Dr. Wanderley estará de braços abertos e sorriso franco recebendo a elite política de Alagoas, seus amigos e alguns boêmios penetras.

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