sábado, 22 de setembro de 2018

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Coordenador de Bolsonaro no Nordeste é acusado de agressão contra mulheres

Por RANIER BRAGON E CAMILA MATTOSO BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
Dirigente partidário Julian Lemos

Dirigente partidário Julian Lemos

Apresentado por Jair Bolsonaro (PSC-RJ) como seu coordenador político no Nordeste, o dirigente partidário Julian Lemos foi por três vezes alvo da Lei Maria da Penha, acusado de agressão pela irmã e pela ex-mulher. Os casos ocorreram em 2013 e 2016. Em um deles, o dirigente foi preso em flagrante.

Lemos é presidente na Paraíba do Patriota, partido ao qual Bolsonaro negocia filiação para se lançar à Presidência em 2018, e aparece em ao menos 20 ocasiões em fotos e vídeos com o pré-candidato.

Em um dos vídeos, Bolsonaro chama Lemos de “meu homem de confiança da Paraíba”. Em outro, deseja bom final de ano aos paraibanos, em especial a Lemos, que identifica como o seu coordenador político no Nordeste.

Lemos se apresenta como consultor de segurança e diz ter conhecido Bolsonaro quando fez sua escolta em João Pessoa (PB). Os dois aparecem lado a lado na assinatura da pré-filiação de Bolsonaro ao Patriota.

Dos três inquéritos, dois foram arquivados após a ex-mulher, Ravena Coura, apresentar retratação às autoridades, dizendo ter “se exaltado nas palavras e falado além do ocorrido”.

A primeira queixa ocorreu em 2013, ocasião em que ela relatou às autoridades ter sido agredida fisicamente e ameaçada por arma de fogo. Lemos foi preso em flagrante.

Em 2016, a ex-mulher fez nova representação. Segundo relato aos policiais, seu ex-companheiro “é uma pessoa muito violenta” e a ameaçou dizendo: “Vou acabar com você, você não passa de hoje”.
Seis meses depois, em documento entregue à Justiça pelos advogados de Lemos, ela diz que tudo não passou de uma “desavença banal” e afirma que o ex-marido “é um homem íntegro, honesto, trabalhador e cumpridor de todas as obrigações”.

Na audiência em que ela se apresentou pessoalmente ao juiz, a ex-mulher disse que já havia perdoado seu ex-companheiro, manifestando o desejo de desistir da acusação.

O terceiro inquérito foi aberto em 2016 por representação da irmã do dirigente e está em andamento. Em depoimento aos policiais, Kamila Lemos afirmou ter tentado “apaziguar” uma briga do irmão com a ex-mulher, quando passou a ser ofendida e agredida fisicamente, com “murros, empurrões”, tendo sido arrastada pelo pescoço. Laudo do IML confirmou escoriações.

Quase um ano depois os advogados de Lemos apresentaram carta com retratação da irmã sob o argumento de que o caso já fora resolvido pelas partes. A Justiça quer, porém, ouvi-la em audiência, que ainda não ocorreu porque Kamila estaria morando na Argentina. Por lei, casos de violência física seguem tramitando, ainda que a vítima desista da queixa.

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