Política

STF vai arquivar mais uma investigação contra Renan

12/11/2017
STF vai arquivar mais uma investigação contra Renan
Agência SenadoSTF vai arquivar mais uma investigação contra Renan no âmbito da Lava Jato

STF vai arquivar mais uma investigação contra Renan no âmbito da Lava Jato

O jornal Folha de S. Paulo em sua edição deste domingo, 12, traz matéria onde relata que o Supremo Tribunal Federal (STF) vai rejeitar por falta de provas, outra investigação sobre o senador Renan Calheiros, no âmbito da operação Lava Jato. Segundo o jornal, o arquivamento foi solicitado em uma petição encaminhada pela Polícia Federal (PF) ao relator da Lava Jato no STF, o ministro Luiz Edson Fachin.

A investigação aberta a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR) teve como base a delação de Carlos Alexandre de Souza Rocha, conhecido pela alcunha de Ceará, que fazia entregas de dinheiro para o doleiro Alberto Youssef, também delator na Lava Jato. Ceará afirmou em depoimento que ouviu Youssef dizer que iria pagar R$ 2 milhões para que o senador Renan Calheiros impedisse o funcionamento da CPI da Petrobras.

Em publicação em suas redes sociais, o senador Renan Calheiros comemorou o fato. “Essa será, na verdade, a sexta arquivada. Acho, sinceramente, que todas serão. Não há provas contra mim e mesmo assim o ex-procurador [Rodrigo Janot, ex-procurador-geral da República] pediu a abertura dessas investigações”, disse Renan.

Leia abaixo a matéria na integra da Folha

Investigação do STF sobre Renan Calheiros deve ser arquivada

Reynaldo Turollo Jr. E Rubens Valente

De Brasília

12/11/2017 02h00

Depois de o STF (Supremo Tribunal Federal) rejeitar em outubro denúncia contra Renan Calheiros (PMDB-AL) por falta de provas, outra investigação sobre o senador na Lava Jato caminha para o arquivamento, como indica petição da Polícia Federal ao relator, ministro Edson Fachin.

O inquérito, um dos 15 no STF que têm Renan como alvo, foi aberto com base na delação de Carlos Alexandre de Souza Rocha, o Ceará, que fazia entregas de dinheiro para o doleiro Alberto Youssef, também delator na Lava Jato.

Instaurada em março de 2016 a pedido do então procurador-geral, Rodrigo Janot, a investigação apura declarações de Ceará de que ouviu Youssef dizer que iria pagar R$ 2 milhões para Renan impedir a CPI da Petrobras.

Ceará também disse que no início de 2014, a mando de Youssef, foi buscar R$ 1 milhão no Recife para entregar, em duas ocasiões, a um homem em um hotel em Maceió (AL). Segundo Ceará, Youssef lhe disse “em alto e bom som: ‘O dinheiro era para Renan'”.

“Em que pese nestes autos já se terem realizado as mais diversas diligências, estas ainda não foram suficientes ao apontamento de suficientes indícios de autoria e materialidade do delito investigado”, escreveu a PF no final de setembro, após quase um ano e meio de investigações.

Pela quarta vez, a polícia pediu ao relator Fachin mais tempo para concluir o inquérito –ainda não há decisão.

Antes da abertura do inquérito, Youssef confirmou que mandou Ceará entregar R$ 1 milhão em Maceió –segundo ele, a pedido da construtora OAS–, mas negou ter dito que o dinheiro era para Renan, pois não sabia quem era o destinatário.

À época, Janot entendeu que as declarações de Ceará eram “ricas em detalhes” e haviam sido, “ainda que parcialmente, confirmadas por Alberto Youssef”. O então relator da Lava Jato no Supremo, Teori Zavascki, deferiu a abertura do inquérito para investigar os supostos crimes de corrupção e lavagem.

ACAREAÇÃO

No curso do inquérito, a PF ouviu novamente Ceará e Youssef. Ambos mantiveram o que haviam dito em suas delações. Em julho de 2016, a PF fez uma acareação entre os dois e, novamente, ambos sustentaram seus relatos.

Youssef disse que “não se recorda de ter dito que os valores tinham como destinatário Renan Calheiros” e acrescentou que apenas fazia remessas a Alagoas “por determinação de terceiros”.

Questionado, o doleiro afirmou que ouviu dizer que o senador tinha um operador, o empresário Milton Lyra, tido como lobista em Brasília.

Como Ceará disse desconhecer a identidade do homem que recebeu o dinheiro no hotel em Maceió, a PF lhe mostrou uma foto de Lyra. O entregador, então, disse que havia “90% de chance de se tratar da pessoa que recebeu os valores no hotel Meliá”.

Em agosto de 2016, a PF tomou depoimento de Lyra. Ele confirmou ser amigo de Renan, mas negou manter negócios com o senador e contestou a informação de que recebeu dinheiro no hotel.

No mês seguinte, a polícia fez uma acareação entre Lyra e Ceará. Ao encontrar o empresário pessoalmente, o entregador voltou atrás e disse que nunca o havia visto.

A PF também analisou trocas de mensagens entre Ceará e Youssef, mas não localizou menções à entrega em Maceió. Requisitou a lista de hóspedes do hotel em 2013 e 2014, mas não identificou quem recebeu o dinheiro. Inquiriu Léo Pinheiro, da OAS, mas ele ficou em silêncio.

Questionada sobre o caso, a PF informou, via assessoria, que não se manifesta sobre investigações em curso.

Para a defesa de Renan, essa é “mais uma investigação baseada exclusivamente em palavras de delatores”.

“Determinar a instauração de inquérito tão somente com fundamento em delações pode levar o parlamentar à condição indevida de multi-investigado, castigando a reputação perante a opinião pública”, disse o advogado Luís Henrique Machado.

Do total de 18 inquéritos sobre Renan na Lava Jato e seus desdobramentos, dois já foram arquivados e um teve denúncia rejeitada –uma acusação que envolvia doações da empresa Serveng ao PMDB.

Por outro lado, o senador virou réu há um ano em uma ação penal sob acusação de desviar verba indenizatória do Senado –essa investigação começou em 2007.