terça-feira, 16 de outubro de 2018

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Por Laurentino Veiga

Professor Waldmir de Araújo Paes, sócio efetivo da Associação Alagoana de Imprensa, professor emérito estadual, advogado, pediu-me que fizesse o Prefácio de seu novel livro intitulado POESIAS e, portanto, tecerei comentários sobre a obra, bem como no tocante à sua trajetória de homem público probo, a serviço do saber. Diga-se, de passagem, dedicou sua vida ao ensino médio/superior e noutras atividades culturais.

Conheço há décadas o seu literário. Primeiro, como professor/CESMAC. Depois, no exercício do magistério estadual durante trinta e cinco anos. Sempre solícito no trato com as pessoas. Gentil com seus constituintes no mundo forense. E, principalmente, atencioso nos colóquios nas academias, bem como no Shopping Maceió, frequentando os cafés denominados de “senadinhos”.

A bem da verdade, o vetusto vate já publicou outros livros na seara intelectual. Agora, condensa sua bem-sucedida trajetória numa nova obra a fim de se imortalizar na arte de versejar. E, sendo assim, reuniu poemas de sua lavra que merecem reproduzir alguns para mensurar sua densidade poética.

“Todos os órgãos são importantes,/ A língua ocupa lugar de destaque,/ Na família e na sociedade é relevante,/E merece realce./ A comunicação deve ser cuidadosa,/ Evitando-se discussões,/ Às vezes até bondosa,/ Diante de tantas lamentações./ Ela é a maior comunicadora,/Envolvente permanentemente,/ Não é ela sonhadora,/ Simplesmente inteligente./ É a nossa maior companheira,/ Para todas as ocasiões,/Naturalmente conselheira,/ Equilibrando nossas ações./ Por ser nossa amiga inseparável,/ Necessita ser monitorada,/ Não é indesejável,/ Sempre resignada”.

Por outro lado, não usa metáforas para escrever versos modernos que denunciam a violência urbana. Estilo direto nas colocações gramaticais e, acima de tudo, nas rimas bem metrificadas. E, sobretudo, faz valer o português que realça a beleza do beija-flor, Jesus, O Salvador, a própria poesia que adorna a vida dos sodalícios que integra. Condena a violação urbana; destaca o rumo das Escolas Públicas sucateadas pela classe política. Aliás, o Brasil vive sua pior recessão econômica de sua história. E, consequentemente, não se vislumbram perspectivas desenvolvimentistas a curto/médio/longo prazos.

Do nosso Código Penal, Waldmir de Araújo Paes fez belíssimo poema. “ Sempre foi respeitado,/ Pela sua coerência,/ Punindo o apenado,/ Com muita prudência,/ Já bastante envelhecido,/ Necessitando ser reformulado,/ Mais robustecido,/ Naturalmente, atualizado./ Em face da evolução, / Sobre todas as atividades,/ Exigem-se mais ação,/ Diante de suas adversidades./ Aos delitos monstruosos,/ Máxima deve ser a penalidade,/ Por serem assombrosos, / Dentro de sua particularidade”. O Congresso Nacional poderia fazer as devidas reformulações, isto é, o adolescente deveria votar e, ao mesmo tempo, cumprir pena pelos crimes cometidos. Nos Estados Unidos da América do Norte, por exemplo, dá-se a prisão dos infratores que matam sem um motivo plausível.

Parafraseando Vinícius de Moraes: “ Quem já passou pela vida e não viveu/ Pode ser mais, mas sabe menos do que eu/ Porque a vida só se dá para quem se deu/ Para que amou, para quem chorou,/ Para quem sofreu”. O Professor Waldmir é, por excelência, um sonhador que almeja um mundo melhor para todos. E, por isso, suas poesias refletem o cotidiano.

Você meu Caro Waldmir, suplantou óbices, retirou pedras do seu caminho, andou com os pés descalços para suportar as dores da vida ao longo de seus oitenta anos bem vividos. O poeta argentino Jorge Luís Borges, falando dos sonhos diz que eles são eternos porque não morrem e nunca se deformam. Segundo ele, “ um projeto de rua pode ser modificado. Mas, o sonho de uma rua imutável. E quando muda , é outro sonho”.

“O fazer poesia, ser poeta, é uma atividade intelectual a que poucos se dispõem a empreender, por ser um caminho árduo a trilhar, pois a inspiração nem sempre vem em socorro de quem à busca. A poesia, como linguagem e forma de expressão das emoções, sentimentos e paixões, está sujeita tanto ao talento do autor, em seu ato solitário de produção, como ao crivo estético do leitor, em seu ato solitário de recepção. Nessa busca de efetivação do sentido e da significação, o poeta, como conhecedor e experimentador da linguagem, busca em suas composições literárias surpreender o leitor. A versificação de Waldmir de Araújo Paes ora livre, ora se submete à métrica. Isso não influi na percepção e na absorção do conteúdo. A sonoridade dos poemas, é uma ferramenta relevante da qual o autor faz uso de forma competente, sendo um recurso do qual o leitor dever estar sempre atento”.

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