quarta-feira, 22 de novembro de 2017

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Endividado em R$800 mil, CSE deve ceder lugar para mais um time da segundona

Por Redação

Antônio Oliveira, diretor financeiro, revelou o rombo nas finanças do CSE

Antônio Oliveira, diretor financeiro, revelou o rombo nas finanças do CSE  – Foto reprodução facebook

Uma discussão gerada nas redes sociais revelou um fato que deverá por fim a um símbolo de Palmeira dos Índios: o CSE.

O Clube Sociedade Esportiva (antigo Centro Social Esportivo que mudou de nome para escapar de dívidas com o INSS) hoje – encontra-se em situação falimentar, com uma dívida trabalhista de R$800 mil, confessou o diretor financeiro do clube, o radialista Antônio Oliveira.

É verdade que talvez o CSE não participe do Alagoano, mas nós estamos trabalhando para tentar resolver os problemas. Só que são muitos problemas, muitas ações trabalhistas. As outras dívidas, junto ao INSS, FGTS, Receita Federal, nós estamos pagando. Parcelamos todas e estamos pagando. Agora, as trabalhistas apareceram esse ano, porque são todas de anos passados (2015 e 2016) e são ações que já foram julgadas e nós não tivemos acesso aos processos. Os processos estão chegando, mas já foram julgados, porque são antigos, e são valores que variam de processo a processo. Tem uns de R$ 42 mil, R$ 48 mil, R$ 50 mil, e eu acredito que nós temos mais de 20 processos executados. Eu ainda não fiz o levantamento junto ao pessoal da Justiça do Trabalho, mas acredito que já gira em torno de R$ 800 mil reais”, explicou

A revelação de Oliveira apenas constata um fato existente na maioria dos clubes de futebol do interior, que sem renda própria necessita do aporte financeiro das prefeituras para poder participar de campeonatos.

Até na segunda maior cidade alagoana, em Arapiraca, o ASA que já participou até da segunda divisão do brasileirão, amarga uma crise sem precedentes.

A coisa se revela tão absurda que se o prefeito da localidade não investir no time, ele fica de fora das atividades, como ocorreu com o time do Igaci que participou de dois campeonatos e depois acabou. Hoje, o estádio da cidade vive às moscas servindo apenas para peladeiros.

Em Palmeira dos Índios, com 70 anos de existência, o CSE apesar de possuir uma torcida expressiva, devido ao porte da cidade e pela tradição histórica e esportiva do clube – foi fundado em junho de 1947 – ainda não se achou uma solução financeira para seu sustento econômico independente dos cofres públicos.

Se a prefeitura palmeirense não pagar, o CSE não joga. E essa afirmação pode ser reforçada pelas palavras do ex-presidente Helenildo Neto, que nas redes sociais declarou: “O CSE é um clube que depende exclusivamente da Prefeitura para participar de qualquer competição profissional, pois vem dela, quase a totalidade das receitas do time. E é assim desde sua fundação, a quase 70 anos” (sic).

Não fugindo da regra, o prefeito de Palmeira dos Índios – no mês de abril – sancionou uma lei aprovada por unanimidade pela Câmara de Vereadores, transformando o CSE em patrimônio imaterial do município – na verdade uma burla à legislação para garantir o repasse de R$100 mil mensal ao clube durante a participação em campeonatos e R$50 mil quando ele estivesse inativo.

Ocorre que mesmo com tantos recursos destinados ao CSE – que só participa do campeonato alagoano entre os meses de janeiro a abril e que nunca passa das piores colocações no campeonato, o clube ainda acumula dívidas astronômicas.

Helenildo Neto, ex-presidente do clube

Helenildo Neto, ex-presidente do clube   (foto reprodução Facebook)

Helenildo Neto, o ex-presidente, sentindo-se atingido pela nota do diretor financeiro Antônio Oliveira rebateu dizendo ser vítima de uma jogada política:

Assumi o time jogando a primeira divisão alagoana por 8 anos consecutivos, e assim o mantive. Assumi o time com pendências naturais com ex-atletas e treinadores, assim como todos que assumiram o clube, e os que ainda assumirão, encontraram e vão continuar encontrando sempre problemas a resolver. É óbvio que sempre haverá quem busque um direito que entenda ter. Mas todos que passaram pela diretoria do CSE sempre o mantiveram em atividade, e sempre com o respaldo da administração Municipal. Até porque não se pode proibir de qualquer ex-atleta ou ex-funcionário do clube de reclamar um direito na justiça que ele (a) acha que tem. É assim em qualquer lugar. O que não se pode é dizer que o que foi reclamado é um direito líquido e certo. Dizer agora que o CSE não vai disputar um campeonato por conta de dívidas trabalhistas é leviano e oportunista. É uma ofensa à inteligência da torcida. Até porque o CSE já disputou o campeonato deste ano (2017), na gestão atual da prefeitura. E se houvesse qualquer problema maior o CSE não teria disputado o campeonato. Portanto não faz sentido algum responsabilizar a diretoria passada. Infelizmente, isso é apenas uma jogada política“.

Neto, deu sugestões para o clube sair da crise: “Espero que a administração do CSE, e principalmente o Prefeito de Palmeira dos Índios arregace as mangas e mantenha o time jogando, como fizemos ao longo dos anos. Negociem eventuais pendências como eu negociei. Façam acordos com ex-jogadores, como eu fiz. Usem a criatividade”.

Julio Cezar diz que governo ainda não se posicionou oficialmente

Julio Cezar diz que governo ainda não se posicionou oficialmente

Já o prefeito Julio Cezar também pelas redes sociais disse que estava acompanhando a natural preocupação da torcida tricolor, mas que não sabia de onde partiu tais especulações, mas com surpresa via pessoas até afirmando sobre a participação ou não do CSE no certame 2018.

Julio Cezar acusou a antiga diretoria pela situação do clube, reiterando que o Governo Municipal não tinha feito até aquele momento nenhum comunicado oficial sobre o CSE, “cuja direção anterior deixou mergulhado em dívidas, devendo exatamente a duas pessoas“.

E arrematou: “As ações judiciais executando o clube para pagamento de dívidas não pagas com fornecedores e atletas são frequentes, inclusive a última delas até impede que a Prefeitura faça qualquer repasse ao clube, antes deste honrar seus compromissos. A atual direção tem em mãos toda documentação a qual me refiro sem fazer prejulgamentos ou qualquer acusação leviana. Mas, não podemos esconder a verdade dos fatos da enorme torcida tricolorida, que será amplamente divulgados é apresentados na hora certa“.

Na verdade, o prefeito palmeirense tenta achar a melhor solução para o caso, mas ele é sabedor da grave crise que ocorre com o CSE e não pode operar milagres.

Inclusive a declaração do ainda diretor financeiro do CSE Antonio Oliveira é clara ao afirmar que nos últimos 15 dias, duas ações trabalhistas foram endereçadas a Prefeitura de Palmeira dos Índios, informando que a mesma não poderá repassar recursos para o CSE, sem antes depositar judicialmente os valores destas ações, que são R$42 mil e R$36 mil reais respectivamente.

O CSE está agora entre a cruz e a espada. Ou resolve as dívidas trabalhistas em acordos com os reclamantes ou até seus únicos recursos provenientes da prefeitura poderão ficar bloqueados.

Antonio Oliveira diz ainda que a “procuradoria do município até agora não fez nenhuma contestação, apenas informou ao setor financeiro que não pode ser feito o repasse”, mas o dever de contestar cabe ao clube e não a prefeitura.

E o prefeito sabe também que não pode se movimentar muito, haja vista as finanças públicas terem outras prioridades como o pagamento do servidor, prestadores de serviços, fornecedores e convênios de diversas origens, além de débitos trabalhistas da própria prefeitura.

Sabe-se também que o município não anda farto de recursos – está com pequeno atraso devido ao corte de FPM com servidores, prestadores de serviços e fornecedores e que a esta hora e desse modo não se pode pagar dívidas de um clube de futebol, sob pena de incorrer em improbidade administrativa.

Sem diretoria

O mandato do empresário José Leão que se iniciou em janeiro, expirou . Ele complementou até o dia 9 deste mês, o mandato do ex-presidente Helenildo Neto, filho do ex-prefeito James Ribeiro, que com a saída do pai da prefeitura teve que também deixar a direção do clube de futebol.

O clube palmeirense atualmente está sendo dirigido pelo Presidente do Conselho deliberativo  o também empresário Gilvando Delgado, até que seja deliberada nova eleição e escolhido o novo presidente.

Antônio Oliveira, o diretor financeiro do CSE revela que ainda não foi pensada uma maneira de levantar a quantia do débito trabalhista de R$ 800 mil, e que provavelmente quem terá essa missão é a nova diretoria.

E conjectura:
De início, nós não estamos pensando ainda no que fazer. Talvez no final do ano a gente faça um bingo, mas não anunciamos ainda até porque essa atual diretoria deve estar deixando, então quem deve fazer tudo isso é a nova diretoria. Mas estamos tentando sair deixando tudo encaminhado, porque o que está acontecendo não é da nossa gestão, nossos compromissos nós honramos todos, essas questões trabalhistas são anteriores a essa gestão. Mas como estamos no comando, nós estamos tentando resolver”.

Mas qual a solução para o CSE? A prefeitura deve pagar a cifra astronômica com a justiça do trabalho? A prefeitura deve manter um clube que não possui saídas financeiras para seu auto-sustento? Um bingo para arrecadar dinheiro com a população resolve? E o futuro?  Precisaremos de mais bingos?

Se não tiver solução, o clube palmeirense deixará definitivamente a primeira divisão do campeonato alagoano e cederá sua vaga para o terceiro colocado da segunda divisão deste ano.

Com a palavra o leitor e o torcedor!

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