quinta-feira, 20 de setembro de 2018

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Jornal no interior

Se o jornalista IVAN BARROS não fosse um dos historiadores consagrados de Palmeira dos Índios; se ele não tivesse sido o vereador mais votado na história desta cidade; se ele não fosse um dos primeiros biógrafos do jurisconsulto Pontes de Miranda; se ele não tivesse sido repórter da Revista Manchete (Editora Bloch), no Rio de Janeiro; se ele não fosse o “tribuno” eloquente que é, com certeza, o fato de ter fundado e mantido um jornal, durante 21 anos, no interior do Estado,  já lhe consagraria o título de um dos notáveis palmeirenses do Século XXI na terra de Graciliano Ramos.

Portanto, a criação e a manutenção do semanário “Tribuna do Sertão” já seria um motivo plausível para render homenagem a este jurista e comunicador palmeirense, visto que não é fácil manter um jornal num Estado, pobre e desassistido, como é o de Alagoas.

Ora, pesquisando a história da Imprensa Escrita no Estado, com especial atenção aos semanários editados no interior que circularam na capital de Alagoas, poucos editores foram contemplados com mais de mil publicações, ou seja, com a edição de notícias durante mais de 1000 semanas, o que corresponde a 21 longos anos de sobrevivência, promovendo a cultura, a informação e o entretenimento no seio da comunidade alagoana. Nenhum político, mesmo tendo mais de 5 legislaturas, ou, ainda, possuindo mais de uma vez cargos eletivos no Poder Executivo, poderá possuir tal glória e merecer o registro de tal façanha na História.

Aliás, fundar e manter um jornal, durante 21 anos, é algo heróico. Isso sem falar nos “atentados” contra a liberdade de imprensa, patrocinados por autoridades públicas levianas, que repudiam críticas contra suas ações políticas. E sem falar também nos “boicotes” praticados por políticos desonestos e corruptos que tentam inviabilizar a divulgação de “notícias de interesse público”. A bem da verdade, o jornal “Tribuna do Sertão”, em Palmeira dos Índios (AL), vivenciou situações constrangedoras como essas, mas superou seus adversários, em benefício do público leitor.

  Sendo assim, é preciso que se diga que o problema da imprensa não está apenas na falta de apoio financeiro, mas, em face das “perseguições políticas”, advindas de autoridades públicas, comprometidas com a imoralidade social. E foram fatos como esses que “fecharam” dezenas de jornais em Alagoas, nos últimos 50 anos. E os fatos de hoje não são diferentes daqueles de ontem.

A história se repete. Há cerca de 70 anos, Alagoas conheceu a saga do jornalista José Antônio da Silva (palmeirense, nascido em 14/09/1894, e falecido em Maceió, em data de 3/2/1952), o mártir da imprensa escrita, que, como fundador da “Gazeta de Notícias”, foi perseguido, preso e injustiçado, cuja “experiência” resultou em uma declaração publicada no Diário Oficial do Estado: “…quão ingrata é a vida dos jornalistas provincianos, pela escassez de meios econômicos para se manterem… (…) dificuldades, tão sérias, que os deixam na triste e embaraçosa situação de não poderem, nem sequer, satisfazer os compromissos perante a classe dos tipógrafos, vivendo a empresa da abnegação de seus auxiliares, muitas vezes pessoas dedicadas e identificadas à profissão e à sorte do jornal… (…) salvo exceção, compreendendo aqueles que gozam de favores do Governo estadual ou municipal, o jornal dos pequenos Estados não têm vida própria e vive por amor ao sacerdócio de que pela sedução de lucros compensadores; por isso mesmo, como sacrifícios ingentes, enfrentam crises agudíssimas, passando as mais graves privações…”

Quem não se lembra do semanário palmeirense “Folha de Alagoas”, editado por Luiz Byron Passos Torres (1951-2006), filho do historiador Luiz B. Torres, cujo jornal sobreviveu apenas a dois anos e meio (janeiro/2001 a agosto/2003), por falta de recursos financeiros. Mas, ainda bem, que o semanário “Tribuna do Sertão” tem a sorte de possuir um fundador que é aposentado como Promotor de Justiça. Daí, por que, mensalmente, enquanto esteve à frente, ele destinava parte do seu salário para garantir a continuidade da empresa jornalística. Privilégio este que faltou aos jornalistas José Antônio da Silva, nos anos 50, e ao Byron Torres, no ano de 2003…

Pensemos nisso! Por hoje, é só.

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