segunda-feira, 24 de junho de 2019

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Grave crise econômica faz crescer desemprego na região sertaneja

Por Redação
Desemprego aumentou e a escassez da renda não faz circular dinheiro no comércio que sente terrivelmente os efeitos da crise

Desemprego aumentou e a escassez da renda não faz circular dinheiro no comércio que sente terrivelmente efeitos da crise

Fábrica da Pedra, o sonho do industrial Delmiro Gouveia iniciado há mais de um século (veja matéria na página seguinte) sucumbiu definitivamente esta semana e também encerrou qualquer perspectiva de mais de duas mil famílias obterem seu emprego de volta. O sertão agoniza com a crise econômica instalada. Nem o governador Renan Filho que garantira ano passado a reabertura da famosa fábrica de Delmiro, conseguiu reverter a situação.  Além disso, a CHESF corre iminente risco de ser privatizada por decisão do governo golpista de Michel Temer, que deseja vender o patrimônio público brasileiro para o capital estrangeiro, fazendo a política do estado mínimo que sem dúvidas, abalará o país no futuro.

Outro fator preocupante que revela o traço trágico da crise é a demissão em massa de prestadores de serviços e ocupantes de cargos em comissão nas prefeituras da região, a exemplo de Delmiro Gouveia capitaneada pelo Padre Eraldo (PSD) que sem ter solução para o endividamento do município cortou na própria carne afastando do serviço público mais de mil pessoas.

O desemprego aumentou e a escassez da renda não faz circular dinheiro no comércio que sente terrivelmente os efeitos da crise.

 Corte de fornecimento energético fechou a fábrica

 Fechada desde março de 2016, devido ao corte no fornecimento de energia elétrica, a Fábrica da Pedra, uma indústria têxtil teve suas máquinas vendidas para uma empresa de Americana (SP), acabando assim com as esperanças de reabertura. Em abril de 2015, a indústria teve o fornecimento de energia elétrica cortado pela primeira vez por falta de pagamento. A Fábrica da Pedra devia cerca de R$ 2,5 milhões e estava tentando negociar o débito com a Eletrobrás.

Em entrevista à imprensa o presidente João Gomes do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Fiação e Tecelagem (STIFT), disse que a venda dos maquinários, representava o fim de qualquer possibilidade de retorno das atividades da Fábrica da Pedra.

A população delmirense reacendeu a esperança algumas vezes de que o problema seria contornado ao receber visitas de empresas que vinha mostrando interesse em adquirir a fábrica, mas que por motivos desconhecidos acabaram desistindo dos negócios.

Em abril do ano passado, poucos dias após o fechamento, os 575 funcionários foram postos em férias coletivas. Em julho, 125 deles foram demitidos. Os demais foram demitidos em janeiro deste ano, após o agravamento da crise e a falta de perspectiva para reabertura da indústria.

Apenas 18 funcionários foram mantidos para a realização de tarefas administrativas e vigilância patrimonial, uma vez que a unidade, apesar de fechada, não decretou falência.

Promessa não foi cumprida

 Em 26 de julho do ano passado o governador Renan Filho, em sua passagem pelo Sertão, se referiu à Fábrica como importante atividade econômica para a região e garantiu que a indústria não será fechada.

“Trabalhar para gerar emprego no Sertão é primordial, proporcionando uma vida melhor e autônoma para a população”, disse o governador na ocasião.

E declarou: “Garanto ao povo de Delmiro Gouveia que a Fábrica da Pedra não irá paralisar suas atividades. Participei da negociação e quitação do débito que a fábrica tem com a Companhia de Energia de Alagoas (Ceal) e possibilitamos, assim, a retomada de seu funcionamento”, anunciou Renan Filho.

O governador foi mais além: “Continuaremos realizando obras como a adutora do Alto Sertão, que já concluímos e entregamos para a população, a rodovia que liga Mata Grande ao município de Água Branca e a duplicação do trecho da BR-423 (Delmiro Gouveia) com a AL-220, no povoado Maria Bode. Estamos, desta forma, garantindo a geração de mais empregos, aumentando e dinamizando a economia da região”, afirmou.

Infelizmente, as promessa não foram cumpridas até agora.

Padre José Araújo sugeriu soluções

 O Padre José Araújo de Palmeira dos Índios, natural da região sertaneja, em artigo publicado aqui nesta TRIBUNA DO SERTÃO em 10 de fevereiro deste ano ofertou sugestões para a fábrica não fechar. Em tom de lamento escreveu o religioso as propostas que servem de reflexão:

“Uma delas e vendê-la a algum interessado. Mas até agora não apareceu ninguém. Outra alternativa é arrendar. É muito difícil encontrar quem queira assumir dívida dos outros. Outra sugestão é conseguir créditos.

Acontece que essa alternativa já tem sido tentada, mas parece que as portas do tesouro nacional estão fechadas para essa finalidade.

O comércio delmirense estava sentindo a diminuição de compras de suas mercadorias. Diante disso, as comerciantes apresentaram sua solidariedade aos funcionários da fábrica.

Indiscutivelmente há repercussão negativa para o comércio. Com efeito, se os fregueses estão sem dinheiro, não podem comprar. As casas comerciais sem compradores estão

Não se pode negar que Alagoas tem políticos importantes em seus quadros e que podem reivindicar ajuda junto aos altos poderes políticos do Brasil. Não se trata de pedir esmola ou perdão das dívidas da fábrica que está em Delmiro. Mas conseguir empréstimos razoáveis a fim de que a fábrica volte a funcionar e pague o que está devendo.

A população de Delmiro Gouveia está atenta às medidas que os políticos têm condição de reivindicar. A caminhada por vários artérias da cidade não foi um ato de desespero, mas um pedido de ajuda.

Fica, porém, esta pergunta angustiante: Que medida vão tomar os políticos que têm condição de pleitear ajuda em prol da Fábrica de Pedra?

Será que há empenho dos políticos no que diz respeito ao funcionamento da fábrica? Ou será que se vai dizer infelizmente: Era uma vez uma Fábrica de tecidos que existia em Delmiro Gouveia”.

 

Prefeituras demitem

 No início do mês passado o Padre Eraldo (PSD), prefeito de Delmiro Gouveia, tomou uma iniciativa radical: demitiu todos os comissionados e prestadores de serviços da administração municipal de uma canetada só. Um número surpreendente: quase mil pessoas.

A queda na receita fez com que Delmiro Gouveia perdesse este ano mais de R$ 750 mil de ISS, em virtude do fechamento da Fábrica da Pedra, esteio da economia local. Entre outras consequências, a prefeitura não conseguia mais pagar em dia a folha dos comissionados.

Talvez por isso em outra ação surpreendente do padre-político é que logo após completar os chamados “100 dias de governo”, ele tenha dito que “esse negócio de ser prefeito é meio coisa de corno”.

Foi a primeira vez na história que um gestor público exonera toda a equipe de trabalho que nomeou por que não tem como pagar os salários. O exemplo está sendo seguido por outros municípios. A crise, não está pra brincadeira.

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