terça-feira, 13 de novembro de 2018

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Bíblia e Semântica

Lembra o escritor Estêvão da Rocha Lima que na Bíblia, dentre outros recursos, há o uso da metáfora. Pode-se dizer que a metáfora é uma comparação abreviada. Consequentemente a metáfora pode ser criada no momento pelo escritor. Vejamos alguns exemplos encontrados na Bíblia.

 Encontramos, no quarto Evangelho: João viu Jesus que se aproximava dele e disse: “Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo”. Percebe-se que João, o Batista, não estava dizendo que Jesus é um cordeiro no sentido real da palavra, mas que Jesus tem característica de um cordeiro, pela sua mansidão e disponibilidade para o sacrifício.

 Outra metáfora é quando João Batista brada contra os fariseus e saduceus se aproximaram dele, à semelhança de “raças de víboras”. Com certeza, João não estava pensando que eles (os fariseus e saduceus) eram um espécie de inseto peçoento. A pretensão do Batista era mostrar a hipocrisia que caracterizavam aquelas pessoas.
Igualmente em Lucas, no capitulo 13 encontramos: “Vão dizer a essa raposa: Eu expulso demônios, e faço curas hoje e amanhã; no terceiro dia terminarei minha tarefa”. Nenhuma pessoa vai pensar que Herodes era uma raposa, mas era visto como uma raposa na sua astúcia e asquerosidade.

  Lembra o já citado professor que há uma metáfora especial quando se fala de Deus. Com efeito, quando se fala de Deus não se pode usar senão a linguagem humana. Alguns exemplos: Deus passeia no jardim (Gênesis 3,8);  Daí temos o termo: antropomorfismo ou seja, atribuindo-se a Deus qualidade e sentimentos humanos. Mais alguns exemplos: “Em seguida eles ouviram Javé Deus passeando no jardim à brisa do dia”. Deus dorme, desperta, Senhor! Por que dormes? “Deus descansa” (Gênesis 2,4).
Há também na Bíblia o que se chama de Hipérbole. Citando Napoleão Mendes de Almeida: Hipérbole – consiste no emprego da palavra ou frase com sentido exagerado para dar maior força, maior impressão, para mais ou para menos.

Quando a Bíblia apresenta expressão como “na terra inteira”, “todos os povos”  referem-se a certos povos, alguma regiões mais próximas. Por conseguinte, o chamado dilúvio não abrangeu toda a face da terra, mas a determinadas regiões.

 Por exemplo, no livro do Gênesis, capitulo 7 temos a história do dilúvio quando se diz que as águas subiam cada vez mais sobre a terra, até cobrirem as  mais altas montanhas que há debaixo do céu. Desapareceram todos os seres que estavam no solo, desde o homem até os animais, os répteis e as aves do céu: “Acontece que em Jerusalém moravam judeus devotos de todas as nações do mundo”.
Tanto no Gênesis como nos Atos dos Apóstolos temos um recurso semântico que se chama hipérbole, como já foi dito.

Certo gramático chegou a dizer: Se as palavras numa só língua sofrem tais transformações, mais ainda se modificam no sentido as tomadas de empréstimo de outro idioma. O estudo do significado dos vocábulos quer no momento atual, quer através do tempo e também do espaço, constitui objeto da semântica ou ainda “semasiologia”; dá isto assunto não para um capítulo da gramática, mas para um livro, … esse livro seria incompleto.”

A Bíblia é um livro que deve ser lido por todos. Contudo cada um que faz a leitura deve ter a humildade de reconhecer que é muito importante procurar de autores competentes a devida ajuda  a fim de entender melhor a riqueza que há no que podemos chamar o Livro dos livros.

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