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Dom Epaminondas

02/06/2017
Dom Epaminondas

Em Caiçara, Paraíba, nasceu dia 19 de março de 1922 aquele que seria um dia o segundo Bispo de Palmeira dos Índios. Fez seus estudos eclesiásticos no seminário de João Pessoa. Ordenou-se presbítero no dia 12 de agosto de 1945. Com a idade de 37 anos foi eleito Bispo de Rui Barbosa, na Bahia, pequena cidade com cerca de sete mil habitantes “O território da Diocese era grande. Do tamanho dos estados de Alagoas e Sergipe, juntos. As estradas não eram boas. Não havia asfalto”, assim disse D. Epaminondas. Foi o primeiro Bispo de Rui Barbosa. Depois foi transferido para Anápolis, em Goiás. A posse ocorreu em 1966. Por fim, foi nomeado para Palmeira dos Índios.

A posse de Dom Epaminondas na Terra Xucuru teve a presença de alguns Bispos do Nordeste, entre os quais D. Miguel Fenelon Câmara, arcebispo de Maceió e D. Hélder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife.

Ao tomar posse da Diocese de Palmeira dos Índios, de imediato D. Epaminondas envida esforços a fim de que seu clero fique bem informado das grandes linhas do Concílio Vaticano II. Para isso trouxe alguns sacerdotes a fim de ministrarem os ensinamentos pontifícios, conciliares e da CNBB. “Recrutar e formar os seminaristas foi outra atividade prioritária”, assim se expressou D. Epaminondas. Nos 6 anos de permanência entre nós, ordenou 6 sacerdotes.

Preocupou-se com a catequese e por isso nomeou uma religiosa para coordenar na Diocese o ensino religioso. Dinamizou o movimento do Cursilho de Cristandade, o qual tomou grande impulso com a colaboração do Monsenhor Luiz Ferreira Neto.

É de mister acrescentar que o lema de D. Epaminondas era In verbo tuo (Na tua palavra). Por isso, no ensejo dos 25 anos da Diocese cantou-se: Do Planalto Central, confiante/ Na palavra do Mestre, que é Luz,/ Vem um Bispo com as bênçãos da Virgem/ Que é Amparo e ao Cristo conduz.

Por motivo de saúde, D. Epaminondas apresentou ao Santo Padre João Paulo II o pedido de renúncia, o que foi aceito em novembro de 1984. Fixou residência em João Pessoa e continuou a exercer várias atividades pastorais. Escreveu livros e regressou algumas vezes a Palmeira dos Índios, a fim de participar de celebrações eucarísticas.
Hospitalizou-se em João Pessoa mas no dia 10 de junho seu coração parou e seguiu rumo à casa do Pai Celeste. Entregamos a Deus D. Epaminondas. Até aqui foi o que escrevi, em junho de 2010, no Informativo Boas Novas.

O que está escrito lembra algo do que fez Dom Epaminondas, que esteve à frente da Diocese de Palmeira dos Índios. Ele tinha problemas em um dos ouvidos. Já havia se submetido a duas cirurgias. Há algo interessante a relatar.

Já afastado da Diocese, teve agravamento no ouvido e só lhe restava uma solução: partir para a terceira cirurgia. Ocorre que, semanas antes do dia marcado para a cirurgia, houve alguém que sugeriu com uma inesperada pergunta: senhor Bispo, por que não toma chá de barbatimão? Trata-se de um arbusto, cuja casca é aconselhada como medicinal.
O paciente pensou com esta frase, ou algo parecido: Se não fizer bem, mal não faz. E começou a tomar o chá que fora sugerido.

Eis que chegou o dia de ir ao hospital. Lá o médico examina e reexamina e pergunta: Dom Epaminondas, colocou água benta no ouvido? E concluiu: “O senhor está curado!” É fato passado, há anos, mas, conforme Henry Bataille, o passado é um segundo coração que bata em nós.