segunda-feira, 15 de outubro de 2018

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As dores do Bullying

O contato com as escolas do sistema de ensino do Rio de Janeiro ensejou à equipe do projeto Edupark a conclusão objetiva de que há muito interesse pelas questões concercentes ao bullying. Mais de 32 mil alunos da rede municipal viram os filmes apresentados sob patrocínio da Fundação Cesgranrio e vibraram com a qualidade do que foi produzido nos laboratórios de educação do Estado de Israel.

Na última apresentação, na Escola Municipal João Mendonça Filho, no bairro do Pechincha (Jacarepaguá), a professora Sônia Villarinho não suportou os primeiros minutos do filme (adaptado para a realidade do Rio de Janeiro) e saiu do auditório, em lágrimas, para escrever a carta que reproduzimos a seguir:
“Em 27/4/2017

Olá, Pessoalzinho do Bem!

Sou apenas uma entre os muitos professores desta Escola, mas quem vai “falar” aqui é a criança que vocês resgataram hoje com esse lindo trabalho.
Sofri bullying desde que entrei para a escola, num tempo em que nem se conhecia essa palavra. Eu era muito pobre, a terceira numa família de doze filhos.

A escola onde fiz o antigo curso primário fica na Vila Militar, e sua clientela eram os privilegiados filhos de oficiais do Exército. Eu era a única criança pobre da turma. Não tinha amigos, era rejeitada e ridicularizada por todos os demais. A facilidade que tinha em aprender e tirar boas notas, só me faziam sofrer mais agressões. Como uma “sem berço” como eu poderia ter a pretensão de ser melhor do que eles? Eu era a “pobretona” – era chamada assim.

Era ridicularizada por ir de tamancos pra escola, porque não tinha material, por não levar merenda como eles. Me habituei a passar os recreios nos fundos do prédio onde ficava a minha sala.
Não foi fácil chegar aonde cheguei, os obstáculos foram muitos. Mas, talvez por isso mesmo, eu não desisti. Hoje, tento ajudar os alunos mais carentes, retribuir em parte o que recebi da vida.

A minha terapeuta diz que eu preciso deixar de ser “boazinha”, que aquela menina que precisava agradar para ser aceita cresceu e se tornou uma mulher forte e decidida. Ela está enganada, aquela garotinha está aqui, é parte do que sou – e sempre vai ser.
Espero que esse trabalho tão lindo possa surtir algum resultado na vida de nossos alunos.
Parabéns pelo empenho e dedicação.

Um grande abraço a todos,

Sonia Villarinho”

Trata-se de uma admirável lição de vida, que cumpre acompanhar de perto. Para que outras Sonias sejam sempre bem tratadas, onde quer que estejam ou estudem.

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