terça-feira, 25 de setembro de 2018

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Operação Carne Fraca: Fiscais recebiam em dinheiro para não aplicarem lei e regulamento

Por Redação com Diário do Poder
 Para investigadores, ‘valor aparentemente irrisório’ das vantagens indevidas é ‘inversamente proporcional ao dano causado pelos crimes contra a saúde pública (Foto: ERNANI OGATA)


Para investigadores, ‘valor aparentemente irrisório’ das vantagens indevidas é ‘inversamente proporcional ao dano causado pelos crimes contra a saúde pública (Foto: ERNANI OGATA)

Relatório da Polícia Federal revela que as propinas identificadas pela Operação Carne Fraca foram pagas até em ovos e botas de borracha. Deflagrada na última sexta-feira, 20, a operação mira corrupção na Superintendência Federal de Agricultura no Estado do Paraná (SFA/PR) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. No rol de empresas investigadas pela Polícia Federal estão a JBS, dona da Seara e da Big Frango, a BRF, controladora da Sadia e da Perdigão, e os frigoríficos Larissa, Peccin e Souza Ramos.

“Para deixar de cumprir com seus deveres funcionais de fiscalização, agentes públicos solicitam e recebem desde dinheiro até “ovos” e “botas de borracha” de empresários corruptores que se beneficiam do sistema para o não cumprimento de leis e regulamentos que visam a garantir a qualidade do produto de consumo comercializado para população”, aponta o relatório subscrito pelo delegado Mauricio Moscardi Grillo.

“Frise-se que o valor aparentemente irrisório das propinas recebidas (“ovos” e “botas de borracha”) é inversamente proporcional ao dano causado pelos crimes contra a saúde pública, pois os efeitos da ingestão de alimentos impróprios muitas vezes só serão percebidos a longo prazo e sem que se possa aferir suas causas, já que tais alimentos continham a “chancela” do órgão que deveria fiscalizar e não o fez”.

Em grampo capturado pela Operação Carne Fraca, a PF conseguiu ligar o chefe da Unidade Técnica Regional de Agricultura de Londrina/PR – UTRA/Londrina, Juarez José Santana, à propina em ovos e botas de borracha. O relatório listou Juarez “pedindo” favores a empresários.

Em maio de 2016 Santana ligou para um funcionário do frigorífico Fratelli/E.H. Constantino e lhe pede dois pares de botas de borracha, ‘os quais leva, posteriormente, para suas lojas Subway’.

“As ligações para pedidos de favores continuam, até ovos e comida para cachorro Juarez chega a pedir, sendo distribuído depois para os membros da organização criminosa”, relata o delegado Mauricio Moscardi Grillo.

Em outra ligação interceptada pela Federal, Juarez Santana conversa com Domingos Martins, proprietário da empresa Frango a Gosto.

“Estou precisando de um favor do senhor de novo aí”, diz Juarez. “Pois não Juarez, diga”, responde Domingos.

“Viu, é, hoje é a abertura da exposição”, afirma o fiscal. “E tem um monte de gente de fora do Ministério aí, que veio participar da feira e a gente vai fazer uma recepção, um churrasco, sabe, para recepcionar os colegas aí, das outras regionais”. “Eu queria ver se você poderia me arrumar uma caixa de coxa e sobrecoxa e uma caixa de filé de peito, pode ser Domingos, para hoje?”, pede Juarez.

“Você sabe, eu posso sim, não tem problema nenhum. O problema é que o senhor sabe que eu estou fazendo só aquele frango pequeno né? O filé não é tão grande né? E a coxa e a sobrecoxa é com (ininteligível), ela é junto né. É só peça de franguinho pequeno, eu não tenho mais frango grande”, justifica Domingos.

“Não, não tem problema não, não, não tem problema não, pode ser, não tem problema não. O pessoal lá, aí o churrasqueiro se vira lá, eu mando pegar depois do almoço”, diz Juarez.

No relatório, a PF aponta ainda para a ‘postura’ de Juarez. “Outra postura que não parece estar adequada para a função de Juarez, vem retratada na conversa suspeita ocorrida entre Juarez Santana e Marco Aurélio, funcionário de um frigorífico (Fratelli/E.H. Constantino), que o questiona sobre possível supervisão no local”, afirma o delegado. “Imediatamente, Juarez liga para o fiscal federal para que verifique no SEI (Sistema Eletrônico de Informações – MAPA) se há alguma informação.”

Segundo a Federal, ‘após algum tempo’, o fiscal informa que ‘não há nada, só se for uma ‘supervisão, fiscalização de surpresa’.

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