sexta-feira, 16 de novembro de 2018

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Carlos Moura: o palmeirense que imortalizou o Mar de Pajuçara

Por Cinara Corrêa
Carlos Moura, o músico palmeirense influenciado por Luiz Gonzaga, Alceu Valença, Zé Ramalho e Geraldo Azevedo (Foto: clube do vinil)

Carlos Moura, o músico palmeirense influenciado por Luiz Gonzaga, Alceu Valença, Zé Ramalho e Geraldo Azevedo (Foto: clube do vinil)

O documentário “Por onde anda Carlos Moura” deverá ser lançado no máximo em 30 dias, contando toda a trajetória do cantor e compositor, de 67 anos, que nasceu em Palmeira dos Índios, na rua do Meio, no Centro da Cidade e que, ao longo da carreira de músico, levou parte da história de Alagoas para o Brasil e para o mundo.

Carlos Moura iniciou a carreira na década de 1970, já em Maceió, integrando o conjunto “Os Bárbaros”. Também fez parte do grupo “Vento”, ao lado de Fernando Melo e Cícero Vieira. Começou a compor aos 15 anos de idade. Nunca teve aula com professor, nem fez curso de música. Por isso, se declara ‘um autodidata’.

A carreira solo teve início nos anos 80, quando já se encontrava no Rio de Janeiro, onde ele revela que cantava em barzinhos noturnos. Entre eles, o ‘Cantuá’, na Barra da Tijuca. O primeiro disco, Reviravolta, foi gravado em 79 e, em seguida, o Rosa de Sol e o Água de Cheiro pela Lança/Polygram. Neles, o destaque foi para a música “Minha Sereia”, que enaltece a beleza da capital alagoana e que tornou-se o maior sucesso na carreira dele até então. Também tornaram-se sucesso as músicas ”Uma Noite No Café Nice”, ”Água de Cheiro” e “Reviravolta”.

Em 1983, ainda no Rio, cantou a música ‘Mabembe’, que foi tema, por algum tempo, do programa Fantástico da Rede Globo.

Carlos Moura já tocou e cantou em carnavais da Bahia, onde fez amizades que mantêm até hoje, como Armandinho, Dodô, Osmar, Baby Consuelo e Moraes Moreira. Também já animou, durante três dias, o carnaval de Vancouver, no Canadá. Ainda hoje, segundo o diretor de produção dele, Paulo Tourinho, é ausência muito sentida nas festas baianas.

Depois do Rio, retornou para Alagoas e, em Maceió, se apresentou no Teatro Deodoro e no de Arena. “Gosto de todos os estilos de música, mas dou preferência pelo forró pé de serra”, revela, informando que, também no Rio de Janeiro, tocou todos os estilos de música. Tudo sem patrocínio. “Fora a música, não faço mais nada A música é a minha vida”, sustenta, adiantando que está compondo novas músicas, a serem lançadas breve.

O documentário “Onde anda Carlos Moura” está sendo produzido por Paulo Tourinho e a história de vida do músico palmeirense será contada pelos contemporâneos dele, principalmente os baianos, como Baby Consuelo, Dodô, Osmar, Moraes Moreira, Pepeu, entre outros músicos que, ao lado de Moura, também participaram de um projeto, de autoria de Tourinho, chamado “O Sol Se Põe No Farol da Barra”. “Até hoje, os músicos e o público baiano sentem muita falta de Carlos Moura nos festivais e carnavais da Bahia”, revela o produtor.

Na Bahia, o alagoano tocava no Saroba Bar, no Farol da Barra, juntamente com os maiores cantores locais. “Nesse documentário, iremos conversar com as pessoas que marcaram a vida do Carlinhos, que fizeram parte da história dele e que irão ajudar a recontar a sua trajetória”, adianta.

“Assim como Os Novos Baianos estão voltando, vamos tentar trazer Carlos Moura de volta para o lugar que ele sempre cativou na música”, relata Tourinho. “Esse VT (vídeo tape) que estamos gravando vai fazer muito sucesso, principalmente na Bahia, disso eu não tenho dúvida. A população de todo o País tem que ser estimulada, para não esquecer essas coisas boas que fazem parte da vida de todos, como é o caso da trajetória do Carlos Moura”, explicou, informando a produção e filmagem desse documentário é sempre necessária, para as pessoas sempre lembrarem o que é bom.

O lançamento e a divulgação do documentário serão divulgados através das redes sociais.

CARREIRA – A confirmação do sucesso do cantor e compositor alagoano concretizou-se com os discos: “Água de Cheiro” e “Estrela Cor de Areia”. O cantor se apresentou no programa Som Brasil (Globo); Empório Brasileiro (BAND); Jô Soares Onze e Meia (SBT) e Fantástico (Globo) que exibiu um clip da música “Cometa Mambembe”, grande sucesso nacional.

Durante o São João pelo Brasil, apresentou-se ao lado de Dominguinhos, Genival Lacerda, Zé Ramalho e Geraldo Azevedo.

Considerado um dos grandes compositores alagoanos, Carlos Moura é dono de uma versatilidade pouco vista na MPB. Com a bagagem musical embasada no que há de mais requintado no cenário artístico brasileiro, o compositor é dono de vários sucessos, alguns feitos em parceria com outros colegas.

Nos shows mais recentes, o cantor fez um apanhado de sua carreira musical, interpretando composições suas e em parceria com nomes como Mácleim, Marcondes Costa, Eraldo Cavalcante, Zuza, Geraldo Cardoso, Lecy Brandão, Zé da Feira e tantos outros. O disco mais novo, “Quebrando o Coco”, lançado em 2012, também foi sucesso garantido.

GERAÇÃO – Carlos Moura faz parte de uma geração de artistas que foi abrindo veredas para que novos talentos da música alagoana despontassem não apenas no Estado, mais em outras regiões.

Sua contribuição à MPB é inegável, principalmente por sei pioneiro de uma geração de ouro de artistas alagoanos.

No disco “Quebrando o Coco”, lançado durante os festejos juninos, o artista canta apenas forró, mesclando o autêntico ritmo com as batidas do tradicional Coco de Roda alagoano, contando com a participação de grandes nomes da Música Popular e Erudita do Estado.

No disco, o cantor se revela ansioso pelo resgate e pela divulgação da cultura da terra, e a sua aproximação com os folguedos, danças e ritmos comuns aos moradores das mais remotas áreas do interior de Alagoas.

A letra da música Quebrando o Coco, tema do CD, é do repórter fotográfico Zé da Feira. O CD foi produzido por MacLein e lançado pelo Selo Batuta, no Teatro Deodoro. O álbum teve a participação do acordeon de Tião Marcolino, o pífano de Railtinho e até o cello de Miran Abs, que também participou da música “Sabe Menina”. Aparecem ainda na obra, Clisthenes Moura, Felix Baigon, Van Silva, Noberto Vinhas, Welligton, Everaldo Borges, Jair, Mailson e Mestre Verdelinho.

MINHA SEREIA – Essa música foi composta quando Carlos Moura morava no Rio de Janeiro. “Compus de madrugada. Peguei o violão, comecei a escrever. De manhã lembrei, não esqueci. Guardei, e, quando fui gravar o disco, Zé da Flauta até falou: “essa música vai acontecer!”. E aconteceu. Foi gravada por Leci Brandão, Limão com Mel e Ivete Sangalo.

LETRA DA MÚSICA ‘MINHA SEREIA’ QUE ETERNIZOU MACEIÓ:

Mergulhar no azul piscina

No mar de Pajuçara

Deixar o sol bater no meu rosto

Ai que gosto me dá

Mergulhar no azul piscina

No mar de Pajuçara

Deixar o sol bater no meu rosto

Ai que gosto me dá

E as jangadas partindo pra o mar

Pra pescar, minha sereia

Maceió, minha sereia

Maceió, minha sereia

Mergulhar no azul piscina

No mar de Pajuçara

Deixar o sol bater no rosto

Ai que gosto me dá

Mergulhar no azul piscina

No mar de Pajuçara

Deixar o sol bater no rosto

Ai que gosto me dá

E as jangadas partindo pra o mar

Pra pescar, minha sereia

Maceió, minha sereia

Maceió, minha sereia

Maceió, minha sereia

Maceió, minha sereia

 

 

Carlos Moura também homenageou a cidade de Penedo, cantando a composição de Zuza e Eraldo Cavalcante:

“Estrela matutina, / és nordestina

és um bem querer / linda menina

quando te vejo / perco o medo de envelhecer.”

Na música-título do CD, Quebrando o Coco, ele conta a origem do Coco de Roda:

“E no salão se ouve o pisoteado

Do coco sendo marcado

Com a moçada a gritar!

Olha o batuque do coco Mané

Quebra esse coco na sola do pé”.

O disco Reviravolta:

Reviravolta foi o primeiro disco solo. Baião, xote e outros ritmos nordestinos recheiam esse álbum do cantor. Na faixa-título, um arranjo dançante e muito bem escrito em sua simplicidade. As outras faixas que compõem o disco trazem os lamentos e as alegrias da vida nordestina.

Moura lembra que os anos 70 foram um bom período para a música alagoana.  Muitas bandas tocavam nos bailes dos clubes e ele fazia a abertura do show do LSD, que era a banda onde o Djavan tocava e cantava, nas tardes do extinto ginásio do CRB, na Pajuçara.

O Reviravolta foi gravado no estúdio Havaí em 80. Teve participação do Robertinho do Recife, Jamil Joanes e Maurício Einhorn, com a produção do francês George Leibovitz.

Já o CD Rosa de Sol foi gravado com a banda de Alceu Valença, Zé da Flauta, Paulo Rafael, Firmino, Juninho Moreira e Márcio Miranda. Os arranjos foram do Márcio Miranda e do Paulo Rafael.

Na década de 80, a música Estrela Cor de Areia fazia parte de uma propaganda da TV Alagoas.

Entre os cantores e bandas que gravaram as canções de Carlos Moura, estão Jessé (Casamento de uma Maria), Leci Brandão, Limão com Mel, trio de Armandinho, Dodô e Osmar.

O cantor e compositor alagoano revela que sua carreira teve influência dos “Beatles” e “Led Zeppelin”. Tocou na noite de São Paulo, Rio de Janeiro. “O que mais me influenciou foi Luiz Gonzaga, Alceu Valença, Zé Ramalho e Geraldo Azevedo”.

 

 

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