domingo, 21 de outubro de 2018

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Armazenar água para driblar crise hídrica ameaça o combate ao Aedes

Por Redação com Correio Braziliense
Especialista diz que as pessoas têm que cuidar da higienização e da proteção dos reservatórios (Foto: boavontade.com)

Especialista diz que as pessoas têm que cuidar da higienização e da proteção dos reservatórios (Foto: boavontade.com)

Diante da séria crise hídrica, especialistas alertam para o perigo do armazenamento inadequado de água. Em estados onde houve interrupção no abastecimento, o número de casos de dengue explodiu.

A crise hídrica pode ter reflexo direto no aumento de infestação de Aedes aegypti. Em quatro estados do Sudeste e do Nordeste onde houve algum tipo de racionamento de água, cresceram os casos de dengue, pois o desabastecimento obriga a população a armazenar o líquido em casa. Agora, o risco chega à capital federal. O rodízio em 15 cidades do DF colocou em alerta a Secretaria de Saúde e o Ministério da Saúde. O temor é que os mosquitos se proliferem de tal maneira que haja uma explosão de casos de doenças como dengue, chicungunha, zika e febre amarela. Apesar de especialistas afirmarem que o monitoramento é essencial para a estratégia de prevenção, o mais recente Levantamento de Índice Rápido para o Aedes aegypti (LIRAa) é de cinco meses atrás.

Correio cruzou os dados do período da crise hídrica em São Paulo, na Paraíba, em Pernambuco e no Ceará com os índices de dengue — principal doença transmitida pelo Aedes. As informações revelam que, no intervalo de tempo da interrupção no fornecimento de água nos estados, houve alta nas infecções (leia Alerta). Em São Paulo, por exemplo, a estiagem no Sistema Cantareira começou em 2014, quando 221.946 pessoas adoeceram. No ano seguinte, o vírus infectou 233,1% a mais: 739.418 pacientes. A maior incidência ocorreu na zona norte da capital. À época, a Secretaria de Saúde de São Paulo atribuiu o avanço do vírus às falhas no abastecimento de 5,3 milhões de pessoas.

A cautela no DF é ainda maior após a lição amarga que 2016 deixou. Mesmo com a baixa circulação do mosquito, muita gente adoeceu. Somente a dengue fez 17.801 vítimas. A chicungunha teve alta de 705% — passou de 19 casos, em 2015, para 153, no ano passado. O subsecretário de Vigilância à Saúde, Tiago Coelho, é taxativo: a falta de água pode contribuir com a infestação de Aedes aegypti. “Percebemos não só no DF, como em São Paulo e no Nordeste, onde houve restrição no uso da água, permanente ou temporária, que a proliferação do mosquito é continuada. O normal é atribuir a reprodução ao tempo chuvoso, mas temos o outro extremo, que é a crise hídrica, que obriga as pessoas a estocarem água. O grande problema é quando o armazenamento é inadequado e se torna um foco”, explica.

Riscos – O chefe de Mobilização Institucional e Social para Prevenção de Endemias da Secretaria de Saúde, Denilson Magalhães, sabe que os riscos são grandes. “Nossas equipes estão fazendo o monitoramento e o extermínio dos criadouros identificados. Desde quando começou a crise hídrica, trabalhamos essa questão”, detalha.

Denilson admite que o LIRAa (que mapeia as infestações por áreas) de setembro de 2016 já não reflete a situação epidemiológica atual. Ele minimiza o lapso com a queda de 94% nos casos de dengue em janeiro, se comparado ao mesmo período do ano passado — passaram de 3.174 casos para 185. “Os agentes epidemiológicos vão começar a recolher os dados para a atualização do LIRAa em 13 de fevereiro. O levantamento deve ser divulgado antes do carnaval. As informações vão nortear as ações de controle do mosquito nas regiões mais críticas”, adianta.

O coordenador do Programa Nacional de Controle da Dengue do Ministério da Saúde, Divino Valero, ressalta a importância do trabalho de vigilância e defende a participação da população no combate ao vetor, sobretudo em momentos de falhas no abastecimento de água. “O armazenamento de água é uma ação individual que tem reflexo no coletivo. O nosso foco é mostrar como guardar água de maneira segura. As pessoas têm que cuidar da higienização e da proteção dos reservatórios”, argumenta. Divino garante que toda a atenção tem sido dada à situação, mas que cabe ao Executivo local pôr em prática ações e medidas preventivas. “Estamos traçando ações, caso seja necessário realizá-las. O ministério faz a política nacional, mas o estado é o executor”, conclui.

 

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