quarta-feira, 18 de setembro de 2019

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De soldados a parteiras, Turquia demite mais 15 mil servidores

Por Redação com G1

A Turquia demitiu nesta terça-feira (22) mais 15 mil servidores públicos, de soldados e policiais a fiscais da Receita e parteiras, e fechou 375 instituições e veículos de mídia, aprofundando os expurgos realizados após uma tentativa fracassada de golpe de Estado.

As dispensas mais recentes, anunciadas em dois decretos, elevam para mais de 125 mil o número de pessoas demitidas ou suspensas nas Forças Armadas, no funcionalismo público, no Judiciário e em outros setores desde o golpe fracassado de julho. Cerca de 36 mil estão presas e aguardam julgamento.

Aliados europeus vêm criticando a amplitude dos expurgos do governo do presidente turco, Tayyip Erdogan, e alguns vêm pedindo um congelamento nas negociações de filiação da Turquia à União Europeia. Uma autoridade de alto escalão da Organização das Nações Unidas (ONU) classificou as medidas como “draconianas” e “injustificadas”.

Erdogan rejeita as críticas, dizendo que a Turquia está determinada a extirpar seus inimigos em casa e no exterior, e estuda reinstituir a pena de morte no país. Ele acusou nações ocidentais de se alinharem a conspiradores por trás da tentativa de golpe de julho e de abrigarem terroristas.

Sem indenização
Quase 2 mil membros das Forças Armadas, 7.600 policiais e mais de 5 mil funcionários de instituições públicas, como enfermeiras, médicos e engenheiros, tiveram suas demissões anunciadas nos decretos desta terça-feira devido à suspeita de ligações com “organizações terroristas”.

Seus nomes foram listados no Diário Oficial, que deixou claro que eles não poderão requerer nenhuma indenização nem procurar emprego no serviço público. Os decretos foram emitidos mediante a lei de emergência imposta na esteira da tentativa de golpe, que permite a Erdogan e ao governo contornar o Parlamento.

Ancara culpa o clérigo Fethullah Gulen, radicado nos Estados Unidos, e sua rede de seguidores por terem orquestrado a tentativa de deposição, durante a qual mais de 240 pessoas morreram. Gulen nega envolvimento.

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