sexta-feira, 20 de setembro de 2019

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Superação de estudante alagoano de 67 anos é destaque na TV Pajuçara

Por Redação com Agência Alagoas
Hoje, José Ivo incentiva os jovens estudantes de São Miguel dos Campos a valorizarem os estudos. Fotos: Acervo 2ª Gere

Hoje, José Ivo incentiva os jovens estudantes de São Miguel dos Campos a valorizarem os estudos. Fotos: Acervo 2ª Gere

Aos 67 anos, José Ivo Florêncio dos Santos, é um exemplo e um orgulho para todos que fazem a Escola Estadual Inácio de Carvalho, em Coruripe. Neste sábado (10), ele foi um dos 37 estudantes da unidade de ensino que se submeteu às provas da segunda fase da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). Sua história de perseverança e superação foi destaque de uma reportagem exibida na edição de sexta-feira (9) no Jornal da Pajuçara Noite da TV Pajuçara.

Filho de agricultores, José Ivo, assim como seus cinco irmãos, teve que abrir mãos dos estudos para trabalhar com a enxada. Desde os três anos de idade, já era levado para a roça pelo seu pai, e, aos sete anos, já ajudava nas lavouras de arroz, feijão e milho. O pai não deixava os filhos frequentarem a escola e, apenas aos 12 anos de idade, observou seu irmão, um ano mais velho que ele, lutar pelos estudos.

“Era mais ou menos 4 horas da tarde. Ele largou a enxada e começou a se arrumar para partir. Aí o ‘velho’ [seu pai] perguntou: ‘pra onde vai?’ e ele disse: ‘vou para casa tomar um banho e comer para ir estudar. E partiu. Quando chegou em casa, passando das 10h da noite, só não levou uma surra porque minha mãe impediu. Em seguida fui eu”, relembrou José Ivo.

Foto: Valdir Rocha

Ida para SP – Mas os estudos de José Ivo não avançaram. Em busca de liberdade, casou aos 18 anos e aos 20, semianalfabeto, partiu para São Paulo em busca de sustento para a família. Começou como ajudante de ‘azulejeiro’ [que assenta azulejo] e depois se profissionalizou na área. Mas um acidente de trabalho o tirou da construção civil. Com a rescisão, tornou-se taxista na maior metrópole do País.

“Achei que saindo de casa teria mais liberdade. Mas, com os filhos, tive que partir para São Paulo. Trabalhei como ajudante de pedreiro, aprendi esta profissão, mas foram anos muito difíceis. Passei até fome”, afirmou.

Após duas décadas de trabalho árduo em São Paulo, aos 50 anos de idade, o alagoano retornou à Coruripe vitimado por várias patologias (stress, depressão, pressão alta e alergia respiratória) atribuídas por ele à grande cidade. Comprou um caminhão para negociar com cocos e também um táxi e, há pouco mais de quatro anos, voltou a estudar.

Retomada dos estudos – Estudante do 3º ano da Educação de Jovens e Adultos (EJA), José Ivo comprova o ditado que para aprender não tem idade. Na primeira fase da Olimpíada, obteve a terceira maior nota da escola, acertando onze das vinte questões da prova. Dos mais de 700 alunos da unidade de ensino, apenas 37 passaram para a segunda etapa.

“Meu objetivo é tomar conhecimento da leitura. Nunca tive chance na minha vida. Estou completando estes dois anos e nem acreditava que iria continuar”, confidenciou.

Hoje, com os últimos resultados, ele incentiva os jovens estudantes daquela cidade a valorizarem esta rica oportunidade.

“Estudem. Tenham interesse. Esse é o conselho que eu dou para esta mocidade. Se eu tivesse tido a chance que a juventude de hoje têm, minha vida seria diferente. Fui castigado na roça, casei cedo e, semianalfabeto, fui tentar a vida em São Paulo, onde tive que trabalhar. Hoje, sinto que minha mente é lenta, mas, mesmo assim, estou aproveitando. Mas os jovens, que têm escola, transporte e merenda, têm todas as chances. Por isso, devem aproveitar esta oportunidade”, aconselhou o experiente estudante.

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