sexta-feira, 20 de setembro de 2019

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Lambanças do Ministro da Justiça deslustra repercussão das bandalheiras Palocci-Odebrecht

Por Luiz Flávio Gomes

A Lava Jato, apesar dos ataques do atual bloco no poder: PMDB, PSDB, DEM etc. (“é preciso estancar a sangria”, disse Jucá), está avançando. Mas estão aumentando vertiginosamente os bombardeios, as tramoias e as manipulações contra ela (com apoio às vezes inclusive do lulopetismo), porque todos os políticos, partidos, banqueiros e empresários envolvidos na malandragem estão buscando se safar das suas consequências (a tentativa de anistia do caixa 2 é um exemplo).

A busca pela possibilidade de familiares de políticos poderem repatriar dinheiro mandado para fora do país criminosamente é outra manobra em curso.

Em vários vídeos anteriores já tínhamos denunciado essa imoralidade das castas intocáveis, que estampa toda variedade de vícios, de degradação e de corrupção e que constitui um tormento contínuo para todos os espíritos generosos que os caprichos do acaso elegeram para se constituírem em testemunhas desse cenário indecoroso de improbidade, opróbio e dor (ver J. F. Lisboa, Jornal de Timon).

As revelações do modus operandi da dupla Palocci-Odebrecht (que mantinham uma espécie de “conta corrente informal” da propina: pelo menos R$ 128 milhões de corrupção foram dadas para o primeiro) bem revelam a que ponto chegou a degradação do sistema político-empresarial brasileiro.

A propina chegou a ser internacionalizada. Palocci ajudava a Odebrecht a conquistar obras no exterior, beneficiando esta empresa com empréstimos subsidiados no BNDES. Incontáveis obras em Angola geraram propinas nababescas para o PT e o PMDB (revelam os documentos apreendidos).

A maior microrrevolução de combate contra as castas corruptas intocáveis (impunes) nunca terá dias fáceis. Essa guerra faz parte do jogo do poder. Depois de mais de 500 anos de desmandos e prepotências, os intocáveis estão indo em série para a cadeia e restituindo ao menos uma parte daquilo que saquearam da população.

Para uma cleptocracia em que as instituições favorecem e acobertam as bandalheiras, isso não é pouco. Mas a Lava Jato tem que ir mais longe.

As provas apresentadas contra Palocci são, sobretudo, documentais. São frutos daquelas toneladas de caixas que pertenciam ao departamento de propinas da Odebrecht (Deprop).

O mundo político-empresarial corrupto (sobretudo o ligado a Palocci e Odebrecht) tem motivos para estar muito assustado, porque nesses documentos aparecem propinas relacionadas também com o metrô de SP (resta ainda identificar o “Estrela”, o “Bragança”, “Brasileiro”, “Corintiano”, “Santista”, “Cambada de SP” e o “Santo”), com dezenas de obras no RJ assim como com centenas de políticos (mais de 200).

Para Palocci, para a Odebrecht, para as castas intocáveis de todas as colorações políticas e ideológicas que começaram dando lambadas nas costas dos escravos (impunemente) e que hoje estapeiam a cara de todos os brasileiros com suas degradantes pilhagens, apenas o céu era o limite (até bem pouco tempo).

A época completamente degenerada do sistema político-empresarial que está nos cabendo atravessar é uma daquelas de terrível agravamento do mal que nos é impingido pelas nossas nefastas classes dirigentes. Não se trata, no entanto, apenas do mal atroz, sanguinário, bastante difuso no nosso país, senão também do mal abjeto, desprezível, vil, tal como o lodo e a baixeza que a Lava Jato está nos revelando diariamente.

Por ora praticamente quase tudo está concentrado num único partido (PT), mas toda podridão sistêmica, com certeza, virá à tona. A miséria ou a espoliação do povo brasileiro que fica abaixo das castas não têm como único carrasco o político ou o empresário X ou Y. Nosso sistema político-empresarial está podre e deve ser reconstruído com medidas exequíveis e fortes (como o fim do político profissional, por exemplo, ou seja, a dura restrição de reeleições, que aqui se eternizam).

No exercício da cidadania vigilante nosso dever é informar com precisão os acontecimentos e questionar eventuais equívocos e excessos tanto da operação como das instituições, além dos impropérios dos próprios envolvidos.

Há, no entanto, uma enorme diferença entre a crítica objetiva e isenta e a deliberada e maliciosa tentativa de induzir as pessoas a acreditar no inverossímil.

Mais: por força da legalidade estrita (que conduz a uma administração pública responsável), que ainda não foi percebida por muitas autoridades (apesar de já vivermos o século XXI), nenhum ministro está autorizado a manipular as instituições de investigação e da Justiça, como se o Brasil ainda fosse uma “República Bananeira”.

Em pleno século XXI nenhuma autoridade pode resvalar sobre o arbítrio, cabendo-lhe o zelo de evitar todo tipo de excesso. Porque é isso que os detratores da Lava Jata mais almejam, na medida em que fragiliza mais ainda as instituições, já bastante precárias no contexto da cleptocracia brasileira, que sempre proporcionou aos privilegiados a impunidade pelos seus desmandos.

Os governantes nem sequer podem dar margem para suspeitas. O descrédito é imenso. As lambanças feitas pelas declarações do Ministro da Justiça (“Quando vocês virem esta semana [as novas operações] vão se lembrar de mim”) deslustraram o impacto da 35ª fase da operação Lava Jato, que ainda tem muito que percorrer.

A Polícia Federal não deve nunca ser percebida pela população como departamento anexo e degradado do Ministério da Justiça, assim como a Procuradoria-Geral da República não pode jamais ser vista como uma “Arquivadoria-Geral”, como foi no tempo do governo FHC. Nem tampouco o BNDES pode continuar sendo instrumento do pior modelo de capitalismo do planeta (o de amigos, do compadrio, dos cartéis), tal como se deu agudamente no tempo do lulopetismo.

A Lava Jato, sendo a maior microrrevolução da nossa história no campo da Justiça e como símbolo do combate à corrupção político-empresarial, tem que cumprir seu papel de aprimoramento das instituições (políticas, econômicas, jurídicas e sociais), contribuindo para a extirpação dos nossos focos do atraso.

É atraso incomensurável supor que alguém possa estar acima das leis, sobretudo quando se trata de um político ou de um empresário delinquente, que imagina que a livre concorrência está fundada nas suas inescrupulosas capacidades de transformarem tudo em propinas. O método político da “compra” das oligarquias governantes pelas elites do dinheiro merece nosso mais profundo rechaço.

A clara disposição de políticos do PMDB, PSDB, PT etc. de “estancar a sangria” (da Lava Jato) é algo que a sociedade civil jamais pode engolir. O povo brasileiro está cansado desse jeito antigo e pernicioso de fazer política-empresarial. A limpeza ética não pode parar.

O desvio de milhões de reais promovido pelas elites dirigentes (cerca de R$ 300 a R$ 400 milhões por dia, por corrupção) constitui uma das fontes do atraso do nosso país (que poderia ser muito mais próspero, se fosse conduzido por elites dirigentes minimamente éticas).

Isso nos conduz a nunca exercer nossa cidadania de forma passiva. Novas reações populares (sobretudo contra a impunidade) estrondosas têm que acontecer. E isso não pode tardar.

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