sábado, 23 de Março de 2019

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O recado do Brasil para o mundo

Por Redação com G1

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Nem dá para acreditar que a Olimpíada vai começar. Foram tantos atrasos, tantos improvisos, tantas declarações desastradas do prefeito carioca, Eduardo Paes, tantas críticas na imprensa – que o mero fato de a pira olímpica ser acesa hoje no Maracanã (foto) já deve ser considerado uma vitória.

De todos os países que já organizaram uma Olimpíada, o Brasil é o único que tem, ao mesmo tempo, alto grau de pobreza e desigualdade e de liberdade política e democracia. Tal combinação é explosiva. Impossível fazer como China ou Rússia, que mascararam todas as suas mazelas durante os Jogos. O país está nu diante das câmaras do planeta.

A poluição da Baía de Guanabara, a epidemia de zika, a demolição das casas de Vila Autódromo, a qualidade precária do acabamento na Vila dos Atletas e nas instalações olímpicas, o alto custo dos Jogos (oficialmente, R$ 39,1 bilhões) para o benefício discutível numa cidade com 23% da população em favelas, a incurável vocação brasileira (e carioca) para a gambiarra, o temor (até justificado) de atentados num país despreparado para combater o terror do século XXI – tudo isso já foi pretexto para reportagens deletérias na imprensa internacional.

Mas, agora que a Olimpíada começa para valer, é hora de se concentrar no que interessa: o esporte. São 19 dias de competição, em que 11.400 atletas disputarão medalhas em 306 modalidades. O evento contará com a presença de algo como 6 milhões de espectadores nas provas – e outros 3 bilhões assistirão pela televisão. Nada há de remotamente parecido no planeta Terra.

A importância maior da festa olímpica é o recado que ela transmite, num mundo que atravessa um momento dificílimo. Não são apenas a economia global ou a brasileira que têm dificuldade em recuperar o mesmo ritmo de crescimento anterior à crise financeira de 2008. Europa e Estados Unidos, em tese os centros mais desenvolvidos do planeta, se veem hoje reféns de um populismo nacionalista que fez o debate político retroceder décadas.

Passaram para o plano da realidade eventos improváveis, ou mesmo inimagináveis, como a construção de um muro na fronteira entre México e Estados Unidos, a ruptura da União Europeia e o esfacelamento do arcabouço político e jurídico que tem regulado – nem sempre com sucesso, é verdade – os conflitos planetários desde a Segunda Guerra.

Num quadro como o atual, a mensagem da Olimpíada se faz ainda mais relevante. É uma mensagem simples: é possível cada um torcer para o seu país com paixão e, terminada a disputa, quem perdeu não precisa sair dando tiros. Dá até, num mundo ideal, para celebrar o respeito às regras e a vitória do adversário numa festa civilizada.

Não parece um acaso que o ideal olímpico tenha aportado num momento destes no Brasil, país que é exemplo de acolhimento a outros povos, da integração de estrangeiros e da tolerância com as diferenças. É este o verdadeiro recado que temos a dar para o mundo. Se os olhos do planeta nos encararem com a devida seriedade, teriam muito a aprender com o espírito brasileiro – que não é apenas gambiarra, improviso e falta de planejamento. Podemos não ganhar a medalha de Olimpíada mais organizada e ficar aquém do desejado no quadro geral. Mas a medalha de melhor país do mundo, esta já ganhamos há muito tempo.

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