sábado, 24 de agosto de 2019

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A misteriosa reaparição de ex-prisioneiro de Guantánamo desaparecido no Uruguai.

Por Redação com G1
Autoridades acreditavam que sírio Jihad Diyab, que permaneceu 12 anos preso por EUA por supostas ligações com grupo extremista Al Qaeda, havia cruzado a fronteira com o Brasil (Foto: Miguel Rojo / AFP)

Autoridades acreditavam que sírio Jihad Diyab, que permaneceu 12 anos preso por EUA por supostas ligações com grupo extremista Al Qaeda, havia cruzado a fronteira com o Brasil (Foto: Miguel Rojo / AFP)

Caracas, a capital da Venezuela, foi onde reapareceu o sírio Jihad Ahmed Mustafa Diyab, ex-prisioneiro de Guantánamo refugiado no Uruguai, cujo paradeiro era desconhecido por semanas.

Diyab, que permaneceu preso durante 12 anos pelo governo dos Estados Unidos por supostas ligações com o grupo extremista Al-Qaeda, apresentou-se na última terça-feira no consulado uruguaio na capital venezuelana para pedir ajuda.

“Ele queria ir à Turquia ou a algum outro país que não fosse o Uruguai, para se reunir com sua família”, informou a chancelaria uruguaia por meio de um comunicado na quarta-feira.

“Ele disse que não era de seu interesse retornar ao Uruguai, mas precisava da assistência de nosso país para alcançar esse objetivo”, acrescentou o órgão.

Desde o início de junho, as autoridades uruguaias desconheciam o paradeiro de Diyab.

Ele foi visto pela última vez na cidade uruguaia de Chuy, na fronteira com o Brasil, região conhecida por abrigar uma das maiores comunidades muçulmanas do Uruguai, formada essencialmente por palestinos, sírios e libaneses.

O sumiço de Diyab preocupou as autoridades. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, ele já havia tentado entrar duas vezes legalmente no Brasil, mas foi barrado por figurar em uma lista internacional de pessoas com ligações com o terrorismo.

Em junho deste ano, contudo, de acordo com o Ministério do Interior uruguaio, Diyab teria cruzado a fronteira entre os dois países – sem que houvesse registro da passagem em nenhum dos dois lados.

A companhia aérea Avianca chegou a emitir um alerta informando que o sírio poderia ter usado um passaporte falso para entrar no Brasil.

Refugiado
Nascido no Líbano, Diyab tem nacionalidade síria e foi preso em 2002 no Paquistão, por suspeita de ligação com o grupo extremista Al-Qaeda.

Ele ficou preso durante 12 anos em Guantánamo, a prisão mantida pelos Estados Unidos em Cuba, sem nenhuma acusação formal, até ser enviado junto a outros cinco detentos a Montevidéu, onde recebeu status de refugiado.

No entanto, a embaixadora dos EUA no Uruguai, Kelly Keiderling, afirmou que Diyab poderia ser “teoricamente” uma “ameaça”.

Já a chancelaria uruguaia informou que o sírio, na condição de refugiado, pode retornar ao país quando quiser. Mas ressaltou que não pode financiar sua viagem à Turquia.

“O governo uruguaio não tem condições financeiras para transferir Diyab à Turquia ou a qualquer outro país para que ele se reúna com sua família”, afirmou a pasta.

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