sábado, 24 de agosto de 2019

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Marta imagina gol na final olímpica: “É o que mantém nosso sonho vivo”.

Por Redação com Globo Esporte
 Eu estou bem, estou me sentindo bem. É lógico que você com 30 anos não sente o mesmo vigor que sente quando tinha 20 anos de idade quando você corria até rindo. (Foto: Globo Esporte)

Eu estou bem, estou me sentindo bem. É lógico que você com 30 anos não sente o mesmo vigor que sente quando tinha 20 anos de idade quando você corria até rindo. (Foto: Globo Esporte)

Sexta-feira, 19 de agosto, 17h30. Maracanã lotado. É essa cena que passa na cabeça de Marta quando pensa nos Jogos Olímpicos. Chegar novamente à decisão e, dessa vez, não deixar que o ouro escape. Agora, é um sonho, mas que ela trata de cultivar dia a dia. A camisa 10 da seleção brasileira conta que fica imaginando nos treinos a bola sobrando para ela em meio às adversárias. O destino? O gol, o placar de 1 a 0, o título, o ouro. Na memória as perdas recentes, o lamento e a certeza que a conquista será merecida: “Meu, quantas vezes tivemos essa chance e ainda não aconteceu”.

– A gente sempre pensa. Isso sempre vem à cabeça. Não é uma constante, mas volta e meia a gente está no treino e fica imaginando e lembrando do jogo: “Nossa, eu imagino a final e a bola sobrar e eu fazer o gol. Acabou o jogo 1 a 0 e a gente ganhou”. A gente pensa. É o que mantém o nosso sonho vivo. É uma coisa que a gente tem que perseverar. Eu penso. Eu penso sim. Eu olho também para minha companheira: “Nossa, imagina você na final fazer aquele gol, defender aquela bola lá e no final ganhar”. É uma forma de manter motivada. Eu penso eu fazendo, mas eu penso também em minhas companheiras marcando. Meu, quantas vezes tivemos essa chance e ainda não aconteceu – disse Marta em entrevista exclusiva ao GloboEsporte.com.

Se na bagagem ainda não está o ouro, outras cinco conquistas de melhor jogadora do mundo estão. Mas Marta diz que nada disso entra em campo com ela. A capitã da seleção brasileira ressalta que sua batalha como jogadora ainda não acabou. É preciso continuar na luta. A próxima será já no próximo dia 3 de agosto na estreia diante da China, no Engenhão, na Olimpíada.

– Não consigo pensar dessa maneira até porque eu não gosto de pensar que sou isso e aquilo ou sou boa naquilo. Tipo assim. Estou ali no jogo e tenho que fazer acontecer. Não posso me apegar ao que já aconteceu ou ao que eu ganhei. O que eu ganhei aqui não foi pelo que eu fiz anteriormente. Agora é uma situação, agora é um jogo que mal começou. É aqui que eu tenho que mostrar que eu tenho potencial para isso. Procuro separar as coisas. Aquilo que ganhei já passou. É inspiração para as outras pessoas, para quem gosta de futebol, para quem quer chegar a um objetivo. É uma inspiração. Eu me orgulho muito, mas eu procuro não misturar as coisas. Até porque a minha batalha não acabou. Tenho que continuar na luta.

Marta seleção feminina treino (Foto: Cintia Barlem)

Confira outras respostas de Marta:
 

“Fardo” dividido entre todas

– Acho que isso parte mais do público, dos torcedores. As pessoas quando falam de seleção feminina já destacam o nome Marta, Cristiane, Formiga. Esse fardo existe e ele está sendo dividido entre a gente. As meninas sabem da responsabilidade e sabem que todas têm papel importantíssimo na equipe e isso o professor Vadão também trabalha muito isso, lembrando a todas essa responsabilidade de todas. Se a gente pegar e dividir entre a gente fica bem mais fácil para conseguirmos o objetivo. Dividir essa responsabilidade não vai pesar nem mais para uma e nem mais para outra. Vai ficar em um nível igual. Isso é o que a gente procura fazer.

Já não mais como uma menina de 20

– Eu estou bem, estou me sentindo bem. É lógico que você com 30 anos não sente o mesmo vigor que sente quando tinha 20 anos de idade quando você corria até rindo.

Maior movimentação no campo

– A gente não conversou sobre isso. Na Seleção, treinei pelos lados. Também é uma posição que estou acostumada. Venho jogando nessa posição na minha equipe. Algumas vezes sou mais exigida lá do que aqui na questão de marcação. O nosso treinador lá é meio que militar mesmo nesse sentido. Por conta disso eu não senti tanto no treino. Não tem nada de especial em relação a uma ou outra atleta. A gente vai trabalhar em conjunto, marcar junto, atacar junto. Esse é o nosso objetivo. Se ele sentir que não estou dando conta é hora de talvez mudar e colocar outra que possa fazer esse papel de maneira mais positiva. Não tem nada de tão especial até porque nós temos lá na frente Bia, Cris, que estão muito bem. São atletas fortes e rápidas e também estão dispostas a ir, voltar, marcar, enfim. É muito do jogo. Se você percebe que a ala foi lá na frente, ficou e não está dando para voltar naquele momento, faz a dela e assim a gente vai encaixando.

O contra-ataque é a arma do Brasil

– O pensamento é esse. Se a gente conseguir defender bem, primeiramente pensar em defender bem, a gente vai conseguir superar os objetivos, chegar ao que a gente quer que é um time bem compacto e sair nos contra-ataques em velocidade. 

Futebol feminino é conjunto e não estrelas

– Hoje em dia, é 1-2, 1-2 e ligação direta. A gente tem que estar atenta a isso. Se a gente conseguir definir bem isso no time. Sempre sair no contra-ataque com quantidade maior de atletas. É impressionante porque o futebol feminino hoje é totalmente diferente de vários anos atrás. Todo mundo super preparado. Não tem aquela atleta que você vê a diferença tão enorme em relação a outra na parte física. Isso abrilhanta mais a modalidade. Mostra que a coisa está crescendo, progredindo, andando para frente e as meninas estão se tornando mais profissionais.

Neymar carrega um peso muito grande no masculino?

– Acho que é aquela coisa. As pessoas colocam muito peso em um ou outro atleta. Antigamente, a gente tinha nomes no futebol masculino do goleiro ao atacante e mais os que ficavam no banco. Hoje, a gente não tem aqueles nomes de peso. Então, é um Neymar, um Douglas Costa. Se um joga e o outro não joga, um joga e o outro se esconde, aí ficam: “Ó não foi bem, se escondeu”. Essa não é a questão. É muita pressão em um só atleta. O Brasil infelizmente não é o Brasil de 2002, 98, mesmo perdendo aquela Copa, dos anos que consegui ver. Mesmo assim, é um Brasil diferente, de uma nova geração que tem talento, mas precisa ser trabalhada e as pessoas têm que cobrar, óbvio, mas saber cobrar na hora certa.

Adversário mais forte é sempre o próximo

– Tem várias equipes fortes. Estados Unidos por serem os atuais campeões mundiais, olímpicos e toda essa história, todos imaginam que seja o grande rival. Mas nosso grande rival é sempre o próximo adversário e temos que começar bem a partir do dia três.

Marta trabalha equilíbrio no treino do Brasil (Foto: Cíntia Barlem)
 
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