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Tributo ao Comissário “Biu Ferro”

25/06/2016
Tributo ao Comissário “Biu Ferro”

Faleceu neste mês de junho o ex-bancário e ex-comissário de menores, BENEDITO MACHADO FERRO, natural do Sítio Flecheira, localizado na zona rural de Palmeira dos Índios. Ele era um homem altamente imaginativo, determinado, de sentimentos fortes e possuidor de intensas emoções. Seus pais José Digno e Amabília Machado Ferro criaram três filhos, Juarez, Benedito e Salete, em regime de disciplina e de obediência, proporcionando-lhe uma educação e uma cultura dentro dos padrões morais de toda família nordestina. Na década de 1950, aos 14 anos de idade, “Biu”, como era conhecido pela família e pela garotada da sua época já demonstrava uma capacidade de discernimento invejável. Gozou de uma infância alegre e feliz ao lado do seu tio, fazendeiro Manoel Machado Ferro, irmão da sua mãe. Dizia-nos sempre o homenageado que “gostava muito do seu padrinho Rosalvo Damião, pelo seu encantamento e estilo de vida, também pelo seu idealismo e refinamento”. “Homem educado e atencioso”, dizia o afilhado Benedito Ferro. E não ficavam aí seus elogios. Confessava-nos Benedito Ferro que nas Festas Juninas e Natalinas, ele levava como presente um “Capão” (frango castrado e alimentado de forma especial para que engorde rapidamente e seja abatido para alimentação) à residência do “Padrinho Rosalvo”, e de lá sai com um “bom dinheiro” nas mãos para festejar com os colegas. Ele era também amigo de Erasmo Damião, filho mais velho do “padrinho Rosalvo”. Ambos foram alunos do Colégio Pio II (fundado em Palmeira dos Índios pelo Monsenhor Francisco Xavier de Macedo no ano de 1946, e dirigido e orientado pelos padres holandeses da Congregação do Sagrado Coração de Jesus, até 1968).

Benedito Machado Ferro exerceu a função privada de bancário do Banco do Estado de Alagoas S/A (PRODUBAN) até a data da decretação da falência deste estabelecimento de depósito e crédito. Nesse período, por volta do ano de 2005, a Juíza de Direito Sônia Thereza Beltrão da Silva Brandão, que trabalhou 12 anos na comarca de Palmeira dos Índios, contou com o “auxílio” do comissário de menores Benedito Ferro, recrutado dentre os palmeirenses de idoneidade moral e merecedores da confiança da Autoridade Judiciária. “Biu” Ferro, como era chamado pela população, desempenhou sua função pública de fiscalização, assistência, proteção e vigilância aos menores do município, a título gratuito, por força da nomeação da Dra. Sônia Beltrão, atualmente aposentada. Na opinião de Benedito Machado Ferro, “a juíza de Direito Sônia Beltrão era uma mulher íntegra, séria, incorruptível, corajosa e destemida”.

Testemunhei vários plantões noturnos do Comissário de Menores Benedito Machado Ferro, pelos menos 2 vezes por semana, inspecionando cinemas, bares, hotéis, casa de jogos e de espetáculos circenses, clubes, bailes públicos e cabarés da cidade, fiscalizando a presença de menores em recintos proibidos ou toleráveis até as 22 horas. Por algumas vezes presenciei sua atuação enérgica e obstinada contra proprietários de estabelecimentos comerciais que permitiam a presença de menores, além das 22 horas.

Durante os meus 35 anos de profissão na advocacia, em exercício militante no Fórum Judicial da comarca, compartilhei com Benedito Ferro à ajuda aos novos advogados que não sabiam dá nó em gravata. Muitos deles compareciam à Justiça com a gravata dobrada no braço na busca de serem auxiliados pelo gentil amigo. Mas o curioso é que ele ao dar o nó em gravatas de advogados, ainda ensinava como fazê-lo. Alguns deles aprendiam de imediato, mas outros não.

Certa vez ele me confidenciou que apreendeu como dar nó (laço) em gravata quando estudava no Colégio Pio XII, nos anos 60. Por outro lado eu lhe revelei que “aprendi a dar nó em gravata aos 7 anos de idade, orientado por meu pai”. Contudo, havia uma diferença entre o nó (laço) por mim feito com o nó (laço) aplicado por Benedito Machado Ferro. Seu estilo era o modelo inglês, que consiste em três tipos de laços (primeiro deles é o nó “Windsor”, que é o mais usado por garantir a roupa um tom elegante, clássico. O segundo é o “Semi Windsor”, um nó mais prático e bastante usado pelos homens. Já o terceiro nó é o “Charuto”, prático e fácil de fazer). Era assim que “Biu” Ferro ensinava como dar nó em gravata… Pensemos nisso! Por hoje é só.