quarta-feira, 18 de setembro de 2019

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Basto Peroba: o maior sanfoneiro vivo do Brasil

Por Lucianna Araújo
Basto Peroba em recente visita a Palmeira dos Índios, onde foi fundador de Os Tremendões. (Foto: Lucianna Araújo)

Basto Peroba em recente visita a Palmeira dos Índios, onde foi fundador de Os Tremendões. (Foto: Lucianna Araújo)

Música clássica, marchinhas, frevo, forró pé-de-serra. De Beethoven a Luiz Gonzaga. Quem não conhece a versatilidade de Basto Peroba se surpreende ao ver o que ele é capaz de fazer quando tem uma sanfona ao alcance de suas mãos.  A forma como executa variados ritmos musicais, não se prendendo apenas às melodias juninas, fazem desse pernambucano de Bom Conselho um artista de múltiplos talentos.

Mas aos 71 anos, Sebastião Pereira de Moraes, o Basto Peroba, tem visto sua carreira musical ser desvalorizada paulatinamente e vive hoje, praticamente, no anonimato. Sem apoio e sem convites para tocar as maiores festas populares do Nordeste, é nesta época do ano que ele encara ainda com maior tristeza o esquecimento do ritmo que tanto enobreceu (e enobrece) nomes como o de Dominguinhos, seu conterrâneo, amigo pessoal e de tantas tocadas.

: Durante um show em Bom Conselho, Dominguinhos convidou o amigo Basto Peroba par participar da apresentação (Foto: Reprodução)

: Durante um show em Bom Conselho, Dominguinhos convidou o amigo Basto Peroba par participar da apresentação (Foto: Reprodução)

Ao entrar no mês dos festejos juninos, apesar da tristeza de não participar das inúmeras festas espalhadas pelo Brasil afora, Basto relembra com saudades do amigo Dominguinhos, com quem tantas vezes dividiu os palcos nordestinos, levando alegria ao público com o autêntico forró pé-de-serra, som tão peculiar da sua região. “Eu tocava muito nessa época junina. Chegava a fazer dezoito shows apenas no mês de junho, mas agora tenho apenas três agendados. Isso me entristece por ver que a musicalidade tem diminuído tanto no nosso país. A música boa, de valor, de raiz, tem perdido seu espaço Mas por outro lado, não posso reclamar da vida. Deus tem sido generoso comigo, me acrescentando tantos anos de vida para contemplar as belezas dessa terra. Tive a oportunidade de ser amigo de Dominguinhos, com quem toquei em muitos shows, e também com tantas outas pessoas boas. Isso já é motivo de grande alegria”, disse Basto Peroba.

Basto acredita que tanta desvalorização se define à expressão “Santo de casa não faz milagre”. “Tem lugar que as pessoas até me ignoram. Quando se fala em meu nome para abertura de algum show, elas viram a cara. Acho que faltam mais incentivos das empresas para o artista. Na minha terra ainda me reconhecem, pouco, mas reconhecem. Tenho um repertório diferenciado e apesar da minha idade, podem acreditar que toco como sempre toquei”, garante o músico.

E muita gente sabe que o desempenho musical de Basto Peroba continua o mesmo, apesar de o tempo ter passado e a idade ter avançado para ele. Tanto que em Bom Conselho já é ventilada a possibilidade de criar o festival “Viva Basto Peroba”, como já aconteceu com os músicos Cazuza e Dominguinhos, a ser realizado anualmente no mês de setembro. O evento aproximaria Basto de seus conterrâneos e promoveria um grande encontro de sanfoneiros, cantores e demais músicos do genuíno forró pé-de-serra. Seria mais do que justo com Basto peroba, que tanto contribuiu e ainda contribui para a perpetuação dos valores culturais nem tão presentes na região nordestina.

Basto Peroba ao lado do boneco gigante feito em sua homenagem pelo artista bonequeiro Camarão de Olinda. (Foto: Reprodução)

Basto Peroba ao lado do boneco gigante feito em sua homenagem pelo artista bonequeiro Camarão de Olinda. (Foto: Reprodução)

Carreira Musical

A carreira de Basto Peroba foi iniciada quando ele ainda era criança, em Bom Conselho, interior de Pernambuco, cidade onde nasceu e vive até hoje. Ele ganhou uma sanfona de 12 baixos de seu pai, Manoel Pereira de Moraes, e começou a acompanha-lo nas festas juninas. Tocou em vários casamentos, batizados e aniversários, até que conheceu o maestro José Duarte Tenório, o José Puluca, e foi convidado para integrar a banda principal do maestro. A partir desse momento, começaram a aparecer os convites. “Toquei em muitas bandas conhecidas, como a Tocantins, de Palmares, em Pernambuco, e Os Tremendões, em Palmeira dos Índios. Aliás, fui um dos fundadores dos Tremendões e da primeira formação da banda apenas eu estou vivo. Músicos como o Manoel Morais (Mané Morais) e o José Soares (Zezé) tocaram comigo nessa primeira formação. E como eu me lembro desses queridos amigos. Tantas festas, tantas coisas boas e tantas saudades. Não tenho como esquecer nenhum deles. Tenho um quadro muito grande, na parede da minha casa, com eles. Isso faz com que eu esteja sempre lembrando de todos com carinho”, destacou.

Em sua trajetória musical, além de Dominguinhos, Basto Peroba também teve a oportunidade de acompanhar cantores como Jeri Adriani, Waldick Soriano, Luiz Gonzaga e Wanderley Cardoso.

Seu primeiro LP foi gravado com Vavá Machado e Marcolino em Recife, e logo em seguida formou seu grupo musical “Basto Peroba e Banda”. Com seu nome lançado no mercado musical, fez muito sucesso nos grandes clubes e casas noturnas de várias cidades brasileiros, levando o seu forró genuíno forró pé-de-serra. “Mas não toco só o forró autêntico não. Toco música clássica, músicas de Carnaval, MPB, e por aí vai. Toco sempre os ritmos autênticos das nossas festas populares. A gente faz de tudo um pouco”, finalizou Basto Peroba.

Quem quiser contratar Basto Peroba e Banda para um evento em sua cidade, ou mesmo festas particulares, entrar em contato pelo telefone: (087) 99928-4256.

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