segunda-feira, 20 de Maio de 2019

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Assassinato de ecologistas bate recorde e Brasil é o país mais perigoso da região

Por Redação com El País
Protesto pelo assassinato de ecologistas em Mindanao, Filipinas.  (Global Witness)

Protesto pelo assassinato de ecologistas em Mindanao, Filipinas. (Global Witness)

ambientalista colombiano Fabio Moreno, de 51 anos, passou 10 meses se escondendo dos algozes de um de seus companheiros mais próximos. Ambos receberam a mesma ameaça uma semana antes do assassinato, em abril de 2015: “Se já sabem o que precisam, vão embora”. Perpetrado o crime, Moreno abandonou a reserva indígena que defendia da entrada de mineradoras multinacionais e grupos armados em busca de ouro na região, a oito horas de carro de Bogotá. “A grande mineração não respeita nossos territórios sagrados e polui as fontes de água”, queixa-se por telefone. “Quando voltei para defender meu lar, eles também retornaram” e alertaram: “Temos um bom dinheiro para terminar o trabalho”, conta ele.

2015 foi o ano com mais ecologistas assassinados neste século, com 185 mortes, 69 a mais que em 2014, segundo um relatório publicado na segunda-feira pela ONG Global Witness. A América Latina voltou a ser, como nas contagens imediatamente anteriores, a região com mais vítimas (66%) e o Brasil, com 50 mortes, o país mais perigoso para os ativistas, com quase um de cada três assassinatos no mundo (27%). Filipinas (33), Colômbia (26), Peru (12) e Nicarágua (12) continuam na lista, que inclui 16 países. Cerca de 40% dos assassinados são indígenas.

A brasileira Maria da Conceição Chaves Lima é uma sobrevivente desse tipo de crime. Em agosto de 2015, ela e seu marido, Raimundo dos Santos Rodrigues, voltavam para casa na região Nordeste quando caíram em uma emboscada. Ele morreu com 12 tiros e ela ainda se recupera dos ferimentos. O casal combatia o desmatamento na Amazônia e ela era assessora do Instituto Chico Mendes para a Conservação da Biodiversidade, que leva o nome do célebre ambientalista assassinado no final dos anos 1980. “Poucos dias depois, Maria foi incluída no programa de proteção a vítimas e testemunhas ameaçadas”, conta por e-mail Danilo Chammas, advogado da família. “Desde então, está longe de sua comunidade e sem poder contatar amigos e familiares”.

Um estudo independente de 2014 calculou que a madeira ilegal do Brasil representa 25% dos mercados mundiais. Os conflitos pelo desmatamento levaram ao assassinato de 15 ecologistas no mundo inteiro no ano passado, segundo o relatório da ONG. A mineração (42), a agroindústria (20), as hidrelétricas (15) e a caça ilegal (13) foram os outros setores cujas disputas ocasionaram mais mortes.

O presidente interino do Brasil, Michel Temer, nomeou Blairo Maggi como ministro da Agricultura. Maggi é um dos maiores produtores de soja do país, um cultivo associado ao desmatamento de grandes áreas, e recebeu em 2005 o prêmio Motoserra de Ouro do Greenpeace por destruir o meio ambiente. O advogado Chammas não se atreve a especular sobre as mudanças na situação dos ativistas neste Governo, mas é pessimista: “Há alguns indícios de que casos como o de Raimundo e sua esposa tenderão a repetir-se com mais frequência”.

Entre 2010 e 2015, a Global Witness registrou 753 assassinatos. Três de cada quatro ocorreram na América Latina (77%), com Brasil (207), Honduras (109) e Colômbia (105) no topo do número de mortos. Esses três países somam mais da metade dos crimes nesse período (56%). Honduras, com uma população de pouco mais de seis milhões, voltou a ser em 2015 – pela sexta vez consecutiva – o lugar com mais mortes de ativistas para cada 100.000 habitantes.

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