Política

Dilma se diz “injustiçada” e “indignada”, após processo de impeachment

19/04/2016
Dilma se diz “injustiçada” e “indignada”, após processo de impeachment
Visivelmente abalada,  Dilma disse que é "estarrecedor" um vice-presidente conspirar contra sua parceira de chapa (Foto: Roberto Stuckert Filho/ PR)

Visivelmente abalada, Dilma disse que é “estarrecedor” um vice-presidente conspirar contra sua parceira de chapa (Foto: Roberto Stuckert Filho/ PR)

Em pronunciamento, nesta segunda-feira, 18, a presidente Dilma Rousseff  disse que sente “indignada e injustiçada” pela acusação de crime de responsabilidade fiscal que sustenta o pedido de impeachment contra ela. Foi a primeira fala oficial da líder do Executivo após o plenário da Câmara ter aprovado o andamento do processo de impeachment. Na votação, realizada nesse domingo, 367 parlamentares votaram a favor do pedido de afastamento da petista do governo, enquanto 137 foram contra. O pleito contou ainda com sete abstenções e duas ausências. No total, 513 deputados votaram.

Dilma disse que assistiu ao longo da noite de domingo a votação e não viu qualquer discussão sobre o crime de responsabilidade fiscal, “que é a única maneira de julgar uma presidente do Brasil – assim como a Constituição prevê”. “A injustiça sempre ocorre quando se esmaga o processo de defesa, mas também, quando de uma forma absurda, se acusa alguém por algo. Primeiro, que não é crime, e segundo, que a acusa e ninguém se refere a qual é o problema”, explicou.

A líder do Executivo reafirmou que não há crime de responsabilidade contra ela. “Pode parecer que eu estou insistindo numa tecla só, mas é uma tecla muito importante: a da democracia. Não há crime de responsabilidade, os atos pelos quais me acusam foram praticados também por outros presidentes da República antes de mim e não se caracterizaram como sendo atos ilegais ou criminosos”, explicou.

Ressaltou também que a ela se reserva um tratamento que não se reservou a ninguém. “Os atos que me acusaram foram baseados em um parecer técnico e nenhum deles beneficia a mim. Ela afirmou que sai da questão com a “consciência tranquila”. “Eu pratiquei esses atos, são atos que são praticados por todo presidente da República no exercício do seu cargo. Quando um presidente pratica atos administrativos, ele faz baseado em toda uma cadeia de decisão, que implica em avaliações jurídicas, pareceres técnicos e aí o presidente assina”.

Sobre o  suposto “golpe”, Dilma disse que é “estarrecedor” um vice-presidente conspirar contra sua parceira de chapa. “Em nenhuma democracia do mundo, uma pessoa que fizesse isso seria respeitada. A sociedade humana não gosta de traidor”, afirmou. “Nenhum governo será legítimo – que o povo pode reconhecer como produto da sua democracia – sem ser pelo voto secreto, direto numa eleição previamente convocada.”

Quanto à renúncia, Dilma garantiu que não irá se abater, porque tem “ânimo, força e coragem suficiente para enfrentar – apesar que com sentimento de muita tristeza – essa injustiça”. “Não vou me abater, não vou me deixar paralisar, vou lutar como fiz ao longo de toda minha vida”, frisou.

Avaliação – Dilma passou a manhã desta segunda em seu gabinete no Palácio do Planalto ao lado de auxiliares diretos, avaliando um pouco os resultados da votação de domingo e definindo estratégias para tentar reverter o quadro no Senado. Articuladores ressaltaram o sentimento de decepção e repúdio às “traições”. A maior queixa foi em relação ao PMDB, que deu apenas seis votos contra o impeachment da presidente Dilma.

A presidente se isolou no Palácio da Alvorada, de onde acompanhou a decisão na Câmara dos Deputados. Da Sala dos Estados do Alvorada, ao lado da biblioteca, ela assistiu pela TV à sessão acompanhada dos ministros Jaques Wagner, da chefia de Gabinete da Presidência; de Ricardo Berzoini, da Secretaria de Governo; de Kátia Abreu, da Agricultura; Aldo Rebelo, da Defesa; José Eduardo Cardozo, da Advocacia-Geral da União; e Edinho Silva, da Secretaria de Comunicação.