terça-feira, 17 de setembro de 2019

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Perto do Santos, artilheiro do Brasil era pintor de parede

Por Redação Com ESPN
(Foto: Gazeta Press) Rodrigão Democrata-GV Comemora Gol Futebol Social Módulo 2 Mineiro

(Foto: Gazeta Press) Rodrigão Democrata-GV Comemora Gol Futebol Social Módulo 2 Mineiro

Nem Ricardo Oliveira, nem Fred, Luan, Robinho, Calleri ou Guerrero… O artilheiro do Brasil em 2016 é muito menos badalado e atende pelo nome de Rodrigo Gomes dos Santos.

Com 14 gols marcados no ano pelo Campinense, contando Copa do Nordeste e Campeonato Paraibano, Rodrigão, como é conhecido, chamou atenção de grandes clubes do futebol brasileiro e europeu e, inclusive, já estaria acertado para jogar no Santos no segundo semestre – os clubes, entretanto, ainda não confirmam.

Com passagens por Democrata-MG e Boa Esporte-MG antes da “Raposa” paraibana, não pode-se dizer que o mineiro de 22 anos, vindo de uma família humilde, é uma “joia” ou “cria” das categorias de base de nenhum clube.

Até os 19 anos de idade, o centroavante ajudava o pai como pintor de paredes.

“Meu pai é pedreiro e minha família toda é de pedreiros e pintores. Desde moleque jogava bola, mas não tinha oportunidade de fazer categorias de base porque precisava trabalhar. Não imaginaria estar desse jeito, ser profissional. É uma família humilde e batalhadora e eu trabalhava com pintura uma semana sim e outra não. Era muito difícil, porque fazia bicos e ajudava meu pai nas obras fazendo massas e tudo mais, tinha que ir me virando”, contou Rodrigão, em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br.

Mesmo com pouco tempo, o jovem resolveu fazer um teste no estado, mas, como muitos, acabou rejeitado e pensou até em desistir.

Rodrigão Democrata-GV Torcida Futebol Mineiro Módulo II© Gazeta Press Rodrigão Democrata-GV Torcida Futebol Mineiro Módulo II

“Eu jogava no amador, fui fazer teste em Minas e não deu certo. Depois disso, não queria mais jogar bola profissional.  Um empresário, Tico Mineiro, disse que ia arrumar um negócio pra mim. Ele jogou bola e hoje cuida da minha carreira”, disse.

E o tal “negócio” era com o time de Governador Valadares, que atualmente disputa a segunda divisão estadual mas que por muito tempo figurou entre os conhecidos Cruzeiro, Atlético-MG e América-MG. Mas quem falou que esse era seu desejo?

“No final de 2013 ele me liga e diz que teria um teste. Eu não queria ir e disse: ‘Eu estou velho para bola, não vai dar mais certo’. Mas fui mesmo assim. Fiz uma semana de teste, passei e virei profissional em 2014. Fui campeão estadual da segunda divisão, fui para o Boa Esporte e joguei por lá”, comentou o atacante.

Cinco tentos acima do vice-líder Anselmo, do Fortaleza, no troféu de artilheiro do ano, Rodrigão afirma estar vivendo um sonho com o interesse do Santos em sua contratação, onde fará sombra para o experiente Ricardo Oliveira e para o camaronês Joel, emprestado pelo Cruzeiro.

“É um sonho de todo jogador atuar em clubes de maior expressão, e jogar no Santos é um sonho. Gostaria muito e, se Deus quiser e for abençoado, iria gostar muito. Um cara que sai do amador, que não teve base e ser artilheiro do Brasil… Estou muito feliz. Agradeço a Deus por tudo isso que está acontecendo na minha vida. Está abrindo portas para eu ajudar a minha família”, disse.

O jogador até se apresentou à torcida alvinegra, afirmando ser um centroavante diferente daqueles que ficam apenas postados dentro da área adversária.

“Eu sou um centroavante que faz de tudo: faço pivô, apareço para jogar fora da área… Não tenho problemas para cair de lados e jogo pelo time para todos renderem. Eu não sou aquele atacante que fica paradão, ajudo na marcação e faço de tudo pela equipe”, comentou.

Rodrigão Campinense© Divulgação Rodrigão Campinense

Enfrentou o desemprego

Mesmo quando começou a trilhar seu caminho com a bola nos pés profissionalmente, Rodrigão ainda teve de sofrer com o desemprego. Quando jogava pelo Boa Esporte, acabou se lesionando e sendo dispensado, mesmo sem que ela fosse grave.

À época, entretanto, seu tempo sem clube durou pouco tempo, quando recebeu nova chance pelo Campinense.

“O mundo da bola tem muitas coisas, principalmente o desemprego. A dificuldade era muito grande. A gente tinha que se virar e, graças a Deus, ele me abençoou e pude ajudar minha família toda. Se Deus quiser, vou trabalhar sempre para poder dar conforto aos meus pais e irmãos”, emocionou-se.

“É importante e fico feliz de estar numa fase boa. Ano passado foi ano para esquecer na bola. Esse ano é diferente e estou podendo fazer belos campeonatos”, completou.

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