quinta-feira, 25 de Abril de 2019

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Assinatura falsa de Gurgel pode ter sido usada no Conselho de Ética; Maurício Quintella nega interferência de Cunha

Por Redação com G1
Deputado renunciou a vaga para não dar lugar a colega contrário a Cunha (Fotomontagem: Tribuna do Sertão)

Deputado renunciou a vaga para não dar lugar a colega contrário a Cunha (Fotomontagem: Tribuna do Sertão)

O deputado Vinícius Gurgel (PR-AP) negou nesta quarta-feira (9) que seja falsa a assinatura no documento em que ele renunciou ao posto de titular no Conselho de Ética da Câmara.

Reportagem do jornal “Folha de S.Paulo” publicada nesta quarta afirma que uma assinatura falsa de Vinícius Gurgel foi usada numa tentativa de barrar o processo no Conselho de Ética que pode levar à cassação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Gurgel deixou o conselho para impedir que um parlamentar do PT contrário ao presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), assumisse a vaga.

Ao justificar a assinatura apresentada ao conselho, que, segundo peritos consultados pelo jornal, é falsa, Gurgel disse que, um dia antes de assinar o documento, havia misturado álcool e remédios tarja preta.

“Faço tratamentos psicológicos, que são de foro íntimo, de foro pessoal. Tomo remédio controlado, e na quinta-feira eu bebi um pouco depois de viajar, e na sexta-feira acordei e assinei esses documentos. Não vou dizer que estava sob efeito de álcool misturado com remédios controlados e acabei assinando da maneira que estava acostumado a assinar. Não vou debater com instituto de pesquisa. Estou afirmando com a minha palavra. Agora, se alguém quiser duvidar e acreditar em instituto…”, declarou Gurgel.

O jornal encaminhou para perícia cópia da carta de renúncia de Gurgel e outros três documentos com assinaturas do deputado, reconhecidamente autênticas. De acordo com a publicação, os peritos afirmaram que a assinatura é falsa.

A suposta assinatura falsificada foi apresentada em uma carta de renúncia entregue na sessão do colegiado da madrugada do dia 2. Na ocasião, Vinícius Gurgel não iria participar da reunião que analisaria o relatório preliminar que recomendava a continuidade do processo disciplinar de Cunha porque não estava em Brasília.

A renúncia permitiu que o PR indicasse para a cadeira de Gurgel no Conselho de Ética outro deputado aliado de Cunha. Se ele não tivesse renunciado à vaga, o lugar dele seria ocupado pelo suplente, deputado Assis Carvalho (PT-PI), que defendia que a continuidade do processo de cassação de Cunha. Por 11 votos a 10, o Conselho de Ética decidiu dar continuidade ao processo.

Explicações ao Conselho

Na manhã desta quarta, Vinícius Gurgel compareceu à sessão do Conselho de Ética que analisava o processo de Cunha. Ele explicou aos integrantes do conselho que costuma deixar documentos assinados em seu gabinete para situações em que não esteja presente na Câmara.

Gurgel disse ainda que é contra a cassação do presidente da Câmara assim como é contrário ao impeachment da presidente Dilma Rousseff . “Há uma perseguição de pessoas que são contrárias a isso, mas a gente não deve levar para o campo pessoal.”

Ele disse que, no dia da votação do relatório preliminar, ligou para o líder do PR, deputado Mauricio Quintella (PR-AL), e pediu para que ele apresentasse o documento que solicitava sua renúncia do colegiado.

Insônia

O deputado explicou que sofre de insônia e que não tem medo de ter o seu mandato cassado. “Eu acho que, para cassar, tem que ter provas. É a palavra dele [do perito] é contra a minha”, afirmou.

Ele relatou estar de licença médica e disse que só compareceu nesta quarta-feira na Câmara para se explicar.

“Eu estou de licença porque fui chamado pela imprensa. Porque quem não deve não teme. Eu não estou bem e tenho que ir embora. A licença termina esta semana”, afirmou.

Ele voltou a dizer que deixou a renúncia assinada, assim como vários outros documentos, previamente para quando não conseguisse chegar a tempo na Câmara.

O parlamentar informou que assinou a carta às pressas, no aeroporto em Brasília, quando já voltava para o Amapá, mas não foi claro de quando isso aconteceu. “Foi numa sexta-feira, há duas ou três semanas atrás”, limitou-se a dizer.

E contestou a acusação de que a assinatura é falsa: “Contra fatos, não há argumentos. A assinatura é minha. Infelizmente, as coisas estão indo para o lado pessoal eu bebi no dia anterior e não estava bem no dia e devo ter assinado com pressa”.

Sobre o fato de a carta só ter sido apresentada às 22h40 do dia 1º de março, pouco antes de a sessão do Conselho ser retomada, Gurgel não quis responder. “Perguntem para o líder [Maurício Quintella]”, afirmou.

Líder do partido justifica

O líder do PR, Maurício Quintella (AL), que substituiu Gurgel no Conselho de Ética na votação do relatório sobre Cunha, disse que entregou a renúncia do parlamentar tarde da noite porque foi naquele momento que se confirmou que a reunião seria mesmo ser retomada. Ele negou ainda ter havido qualquer tipo de interferência de Cunha.

Quintella contou que, mais cedo, havia recebido uma ligação de Gurgel explicando que estaria ausente e tinha deixado uma carta de renúncia assinada para que alguém o representasse no colegiado.

“O gabinete dele [do Gurgel] mandou o ofício lá na liderança [do PR] para protocolar na Mesa. Eu nem vi documento, muito menos a assinatura, se era dele, não era dele. Não cabe a mim. A liderança só protocolou quando foi confirmada a sessão à noite”, justificou.

Sobre a suspeita de a assinatura ser falsa, Quintella disse que compete ao Gurgel se manifestar. “Quem tem que entrar nesse mérito é o Vinícius, e que já entrou, e disse que a assinatura é dele. A única que eu fiz foi votar”, disse.

Ele ressaltou que apenas representou um liderado seu. “Eu não tenho nenhuma responsabilidade em relação ao documento. Isso não passa nem por mim. A minha única participação nesse episódio foi ir ao conselho garantir a representação de um liderado meu, independente do mérito. Se fosse o [José Carlos] Araújo [que é do PR], eu teria feito a mesma coisa como líder”, afirmou.

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