quarta-feira, 17 de julho de 2019

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Dois presos provisórios da Zelotes vão à CPI do Carf, mas só um fala

Por Redação Com Agência Senado
(Foto: Agência Senado)

(Foto: Agência Senado)

A CPI que investiga irregularidades no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), apontadas pela Operação Zelotes, da Polícia Federal, só conseguiu colher, nesta quinta-feira (5), o depoimento de um dos dois investigados convocados a prestar esclarecimentos. O silêncio foi a opção do advogado Eduardo Gonçalves Valadão, que foi sócio de escritório de advocacia de José Ricardo da Silva, um dos ex-conselheiros do órgão implicados na apuração sobre a venda de sentenças para favorecer empresas.

— Respeito o trabalho dessa Casa, mas já existe uma ação judicial sobre os fatos e prefiro me defender perante a Justiça, usando esse direito que me é garantido — afirmou.

Chamado a falar logo em seguida, Halysson Carvalho Silva, assim como Valadão, encontra-se em prisão provisória, em Brasília. Residente no Piauí, ele responde por suspeita de extorsão contra o empresário Eduardo Souza Ramos, representante da Mitsubishi Motors no Brasil, para obter US$ 1,5 milhão.

Halysson Silva negou envolvimento com pessoas e fatos investigados pela Operação Zelotes, a operação deflagrada pela Polícia Federal sobre o Carf. A suspeita é de que, por meio de intermediários, conselheiros do Carf cobravam propina para anular autuações fiscais ou reduzir o valor dos tributos devidos. Agora, a PF investiga a participação de duas das consultorias mais atuantes no Carf também em negociações para aprovar medidas provisórias favorecendo empresas automobilísticas, mediante pagamento de propinas, inclusive parlamentares.

As duas empresas são as SGR Consultoria Empresarial e a Marcondes & Mautoni Empreendimentos, que têm em seus quadros José Ricardo da Silva e Mauro Marcondes Machado, parceiros do lobista Alexandre Paes dos Santos, que também está preso. Os senadores confrontaram Halysson Silva com mensagens que partiram de endereços de e-mails supostamente seus, dirigidos a esses investigados, sobre viagens a São Paulo e até sobre acertos de valores a serem cobrados de empresários.

— Coloco-me à disposição da comissão, mas está havendo algum engano. Meu advogado diz que estou preso por extorsão, mas não tenho nada a ver com isso — afirmou.

Esquecimento

De todos os citados, Hallyson Silva confirmou que esteve apenas com Mauro Marcondes, por duas vezes, em São Paulo. Sobre o motivo do encontro, ele disse que não se lembrava. Halysson foi também indagado sobre mensagem destinada a Alexandre Paes dos Santos por Raimundo Lima, que integra seu círculo de amigos no Piauí e participou de sua campanha a deputado nas últimas eleições. Afirmou que sequer conhecia Lima pelo nome próprio, mas apenas pelo apelido de “Júnior Piranha”, e mais uma vez disse não ter como explicar o fato.

O depoente também disse não acreditar que amigos seus estejam envolvidos com os acusados e possam ter usado seus e-mails em para atividades relacionadas ao esquema criminoso. Antes, a hipótese foi levantada pelo advogado que o acompanhou Hallyson na audiência.

Os questionamentos ao depoente foram feitos pelo presidente da CPI, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), a relatora, senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), e Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Nenhum se mostrou totalmente convencido com as explicações apresentadas por Hallyson Silva.

— Ou o senhor é muito esperto ou estão lhe confundido com outra pessoa — observou Vanessa Grazziotin.

Ataídes Oliveira lembrou ao depoente que, caso estivesse tentando proteger terceiros, ele poderia estar se complicando. Para Randolfe, as palavras de Hallyson não pareciam “corresponder aos fatos”. Observou que a tendência é que sua prisão temporária seja prorrogada. Porém, se decidisse por colaborar, ainda que fosse com a PF ou o Ministério Público, poderia contar com vantagens legais.

Currículo

Logo no início do depoimento, Hallyson Silva informou que já trabalhou com promoção de shows e outros eventos. Agora, é sócio de pequena distribuidora de bebidas em Teresina. Ele teve ainda uma passagem por Brasília, quando atuou como comissionado no gabinete de Frank Aguiar, no período em que o cantor exerceu mandato de deputado federal.

Agora em 2015, por poucos meses, ocupou cargo comissionado na Fundação Cultural Piauí, indicado pelo então deputado estadual Francis Lopes (PRP), também cantor. No passado, chegou a ser empregado e, depois, sócio de empresa que forneceu mobiliário e equipamentos aos Correios. Sem receber pagamento, retirou da agência um ar condicionado, o que motivou a estatal a mover contra ele ação por apropriação indébita. Não há condenação final no caso, que está em fase de recurso no Superior Tribunal de Justiça.

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