quinta-feira, 15 de novembro de 2018

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Colheita do feijão e do milho enche de esperança produtores rurais

Maria José Quixabeira e Irineu Guedes comemoram colheita de milho e feijão Fotos: Adailson Calheiros

Maria José Quixabeira e Irineu Guedes comemoram colheita de milho e feijão Fotos: Adailson Calheiros

As marcas da última seca ainda estão frescas na memória e na vida dos pequenos agricultores familiares de Alagoas. Todos têm uma história para contar, de perdas de animais e de colheitas inteiras, de sonhos destruídos.  Os prejuízos só não são maiores que a esperança do sertanejo de recomeçar. Com as primeiras chuvas os agricultores semearam a terra, tem feijão na panela, milho para os animais e ainda vai sobrar um pouco para garantir uma renda extra.
O pequeno agricultor Ireneu Guedes, 61 anos, do povoado Tapuio, em Poço das Trincheiras, no sertão alagoano, perdeu 18 cabeças de gado na última seca. “Não tinha mais comida para o gado e a pouca água era salgada. Foi difícil ver os bichos morrer de sede e de fome. Chegamos a comer a semente guardada para o próximo plantio”.
Mostrando os montes de feijão de arranque, na frente das casas do povoado, Irineu não cabia de felicidade.  “Estamos terminando de bater o feijão e quase todo o milho já foi quebrado. É uma alegria ver os animais gordos e as sacas de feijão pelo meio da casa”, contou o incansável sertanejo.
Junto com a esposa, Maria José Quixabeira, 47 anos, e o vizinho Elias Lima, 44 anos, Irineu quebrou as últimas espigas de milho da sua roça. “Quando choveu já tínhamos plantado e a produção não foi tão boa. Esperamos que no próximo as chuvas ajudem ainda mais”.
Em sua casa de taipa, Maria Jose mostrou com orgulho o feijão colhido. “O rosinha é muito apreciado por aqui, já o carioca é a comida de todos os dias”. Maria também mostrou o balde cheio de ovos, a produção diária das gordas galinhas criadas no terreiro. “Quando chove não falta comida por aqui, quem não plantou a gente ajuda e quando sobra um pouco a gente vende”.

    Não faltaram sementes para o plantio

Graças ao Programa de Aquisição de Sementes, desenvolvido pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário (Seagri), não faltaram feijão, milho e arroz para a roça de Irineu e seus vizinhos.  Sem falar nas sementes de mamona, sorgo, arroz e algodão.
Em oito anos, o Programa distribuiu cerca de 10 milhões de quilos de sementes. Esse montante beneficiou 83 mil famílias de agricultores em todo Estado, abrangendo 102 municípios alagoanos. “Estamos cumprindo um papel fundamental: garantir a safra para a alimentação das famílias e a geração de renda”, afirmou Henrique Brandão, gestor do Programa.
Somente em 2014 o governo distribuiu um milhão e 170 mil quilos de sementes selecionadas – com um potencial de germinação de 90% e capacidade de produzir cinco vezes mais que um grão comum. Os recursos investidos no Programa, de 2007 a 2014, somam R$ 47 milhões e 632 mil, oriundos do Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza (Fecoep).
“Em março, no dia de São José, teve chuva e boas sementes para o plantio. Isso foi possível porque não descuidamos e fizemos a entrega sistemática todos os anos”, afirmou Miguel Antônio Oliveira, assessor técnico da Seagri.
Segundo Miguel Antônio, que trabalha diretamente com os agricultores familiares, a produção no estado foi relativamente boa. “Isso levando em consideração a irregularidade das chuvas. Podemos destacar também a qualidade das sementes”.
“No Baixo São Francisco, a produtividade de arroz, segundo dados da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), passou de 3.000 quilos por hectares, há seis anos, para 7.300 quilos por hectares, atualmente”, destacou Henrique Brandão.

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