quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

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“A atividade leiteira é economicamente importante na agropecuária do sertão alagoano” diz Roberto Amaral

Por Roberta Sampaio

IMG_4121Roberto Amaral é sócio – diretor da indústria de laticínios Bona Sorte, localizada em Palmeira dos Índios. É Médico Veterinário, especialista em controle de Qualidade de Alimentos pela Universidade Federal da Paraíba, tendo como foco o Leite (laticínios), e ainda na parte de tecnologia e gestão da qualidade. Já área da Economia Amaral é especialista em projetos de análises de investimentos para empresa. Tendo ainda cursos relacionados a área de produção industrial e laticínios e para a tecnologia de leite e derivados. Já trabalhou em outra empresa de laticínios em Palmeira dos Índios e, em seguida, aceitou o convite para fazer parte do projeto de criar, em 2010, uma nova indústria de laticínios em Palmeira – A Bona Sorte. Roberto fala durante a entrevista sobre a predominância da atividade leiteira no sertão de alagoas e a importância das obras do canal do sertão. De acordo com Amaral, a Bona Sorte já se expandiu para os estados de Sergipe e está iniciando um trabalho em Pernambuco, pensando ainda explorar o mercado na Paraíba e na Bahia até dezembro próximo.

Confira abaixo a entrevista na íntegra:

Tribuna do Sertão- Fale um pouco sobre a história da indústria Bona Sorte.

Roberto Amaral – A inauguração da Bona Sorte pode ser considerada um marco histórico para o município porque Palmeira se tornou o centro da Industrialização do Leite no Estado de Alagoas. Isso é interessante porque o centro do Arranjo Produtivo Local (APL) da produção de leite de Alagoas é Major Isidoro. Então, quando se fala em produção de leite se fala em Major, no entanto, com relação em industrialização desse leite, ou seja, o beneficiamento do leite, a transformação dele, o centro é Palmeira dos Índios, com a Ilpisa e a Bona Sorte. E tenho felicidade e orgulho em ter participado desses projetos e hoje estar como sócio-diretor da Bona Sorte uma empresa que já garante seu nome no mercado alagoano desde o ano de 2012.

Tribuna do SertãoComo foi efetivamente o surgimento da Bona Sorte em Palmeira dos Índios?

Roberto Amaral – A Bona Sorte surgiu em um momento muito importante, pois o contexto histórico da Bacia Leiteira de Alagoas tinha perdido duas importantes fábricas de leite que se chamavam Boa Sorte, uma fábrica que inclusive ganhou muito prestígio pela qualidade do seu leite. Em seguida, houve outra notícia ruim para a industrialização do leite em Alagoas, que foi o fechamento da Camil. E nesse mesmo período Pernambuco abria as portas de três novas empresas grandes de laticínios, enquanto Alagoas perdia 2 indústrias. Então a inauguração da Bona Sorte veio em um momento muito interessante para o Estado, que foi um momento de resgate, de renovar a bacia leiteira. Contudo, logo no início enfrentamos a pior seca dos últimos 50 anos que foi a de 2012, com apenas dois anos de sua inauguração, tivemos que enfrentar um ciclo muito ruim para o nordeste.

Tribuna do Sertão – Foi muita ousadia inaugurar uma indústria em um momento em que haviam outas fechando suas portas?

Roberto Amaral – Nós edificamos a Bona Sorte em um projeto focado em produtos especializados. Nós pesquisamos qual era a principal demanda de produtos com o maior valor agregado, e isso nos deu um poder de competitividade muito grande. Com isso, direcionamos a Bona Sorte nos lácteos fermentados, e especialidades lácteas. Hoje nós temos um produto o Bona fibra que é o único que existe no mercado de Alagoas que concorre diretamente com o Activia Danone, ou seja, que tem a mesma propriedade do produto. Direcionamos isso, para atender uma demanda regional, porque sabíamos que não tínhamos muitos concorrentes. A nossa linha é praticamente a mesma, mas que foram melhorando. Estamos hoje em Alagoas, Sergipe e iniciando um trabalho em Pernambuco. E, no nosso estado e em SE recebemos críticas muito boas, de especialistas que fazem comentários muito bons, como também dos nossos consumidores. Afirmamos que as propostas dos avanços estão sempre pautadas com a preocupação na qualidade dos produtos. Estamos com uma ação arrojada que une qualidade e modernidade para atender ao público consumidor exigente e moderno.

Tribuna do Sertão Qual o motivo da escolha de Palmeira dos índios para a instalação da Bona Sorte?

Roberto Amaral – Quando se fala em industrialização se pensar em dois fatores importantes. O primeiro fator é estar próximo à produção de onde se produz o leite, e Palmeira dos Índios é uma espécie de portal do sertão. E o segundo fator é o escoamento, e Alagoas está localizada em um ponto estratégico que dá acesso à vários outros Estados. Palmeira também conta com uma excelente posição geográfica, sendo favorecida ainda por uma estrutura rodoviária, pois passa pelo município a BR-316, que leva e trás para a Bacia Leiteira, além dos outros estados do nordeste. Isso significa dizer então que a Bona Sorte está estrategicamente bem posicionada

Tribuna do SertãoE quais foram os problemas enfrentados no setor de Laticínios durante o período da seca no nordeste?

Roberto Amaral – Enfrentamos realmente grandes problemas, principalmente o semiárido dos estados de PE, BA, SE, PB enfim. Tivemos um grande abalo, pois teve a escassez de produto, e quando o produto fica escasso a matéria-prima valoriza mais, então o leite ficou muito caro para o laticínio com relação ao preço do sudeste. Para ter ideia, no “pico” da seca do nordeste, algumas regiões do sudeste chegaram a vender o leite por quase a metade do preço que era vendido aqui. E isso foi muito difícil para as indústrias de laticínios.

Tribuna do Sertão – Como o setor conseguiu se recuperar dos problemas ocasionados com a seca e quais as perspectivas?

Roberto Amaral – Em 2013 as chuvas, mesmo escassas caíram na região, mas que já melhorou um pouco a situação. E agora em 2014 está um ano razoavelmente chuvoso. Ainda não deu para juntar muita água, mas melhorou bastante a realidade. Diante disso, as nossas perspectivas, é que se forem analisados os históricos de secas, de acordo com estudos climáticos, no nordeste existem ciclos secos a mais ou menos cada dez anos, então nossa expectativa é de que 2015 em diante nós teremos momentos bons, sem tanta seca. Ficamos assim, otimistas em estarmos entrando em ciclo bom, pelo menos é o que se espera.

O outro lado positivo é o Canal do Sertão, que já está com 65 km de água disponível, e se fechar pelo menos mais uns 100 km de sertão com água já fica melhor ainda. E digo, quando o Canal do Sertão for efetivado pra valer. Pois a vantagem de ter o sertão irrigado é que dá a estabilidade, porque o grande problema é a falta de comida para o gado, e, havendo a irrigação a custo compatível, mesmo com seca vai existir uma certa estabilidade.

Tribuna do Sertão – Como o senhor acredita que o governo pode ajudar no desenvolvimento das indústrias em Alagoas?

Roberto Amaral – A melhor forma do governo ajudar o estado de Alagoas é a efetivação do Canal do Sertão, ele precisa avançar mais ainda. Sabemos que este governo já está sendo finalizado, portanto, é necessário que o próximo gestor dê continuidade a essa obra tão importante. Esta é uma obra maravilhosa. A importância do Canal do Sertão é tão grandiosa, tão sonhada, tão desejada, desde o tempo do Império no Brasil. É uma necessidade que é mais do que urgente. E os próximos governos devem avançar e direcionar projetos de investimentos não só na atividade leiteira, como na atividade agrícola de modo geral.

O canal do sertão têm dois pontos muito importantes para o governo focar que são: o primeiro é a agricultura familiar, apoiando esses pequenos agricultores. E o segundo ponto-chave é a atividade leiteira, porque a atividade leiteira é a que predomina no sertão. Praticamente 100% dos municípios do sertão dependem da atividade leiteira. Então se essa é a atividade mais importante do sertão, mais do que milho, feijão. Posso afirmar que a atividade leiteira é a atividade econômica mais importante na agropecuária do sertão alagoano. Então ela não pode ser deixada de lado, e mudar o que a cultura já determinou. Se a atividade leiteira se fixou no sertão em plena seca é porque ela tem identificação com a região. O que atividade leiteira precisa é ser melhorada, pois só o fato dela existir nos piores momentos, ela já mostra que veio para ficar e isso não tem quem mude.

Tribuna do Sertão – Como seria esse melhoramento da atividade?. O que ajudaria o setor?.

Roberto Amaral – É chegar às margens do Canal e começar uma produção leiteira adensada. Como, por exemplo, em Israel existem poucas reservas de água e produzem muito leite e uma área bem pequena. Então às margens do canal poderiam dar oportunidades de vários micro- produtores poderem adensar cada vez mais sua produção. Utilizando a água de forma adequada e produzindo bastante leite. E a irrigação favorece isso, a produção de forma adensada, e o Canal do Sertão faz isso.

Tribuna do Sertão – A vinda de indústrias para um município envolve localização estratégica para ser um centro distribuidor e políticas públicas de incentivo. Palmeira teria essas condições para oferecer?

Roberto Amaral – As indústrias não querem promessas, querem planos de incentivo, não é somente a política fiscal do município, mas também a infraestrutura que envolve a princípio energia elétrica, água, rodovia e saneamento. Palmeira dos Índios é sem dúvida alguma, um dos melhores municípios para serem instalados vários tipos de indústrias e distribuidoras, como de beneficiamento de milho, fábricas de doces, indústrias têxtil, entre outras.

Palmeira deve ser pensada com uma zona metropolitana do agreste alagoano pois, já faz parte legalmente desse território junto com Igaci, Craíbas e Arapiraca. E isso já foi aprovado na Câmara dos deputados de Alagoas. O complexo todo possui mais de 400 mil habitantes. E está na hora de Palmeira se pensar dentro dessa zona metropolitana, e qualquer um dos candidatos que seja vitorioso deve pensar no fortalecimento dessa zona metropolitana, pois a sua economia está se confinando apenas em Arapiraca. E isso não pode acontecer. A criação dessa zona é para que haja expansão dos municípios do projeto tenham um crescimento em conjunto e o que está acontecendo é o contrário e tudo está sendo direcionado para Arapiraca. E isso é muito complicado. É preciso que haja diálogo entre esses municípios. Palmeira precisa esta de fato nesse contexto.

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