terça-feira, 25 de setembro de 2018

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Moradores afirmam que foram ameaçados por procuradora de Palmeira dos Índios

Por Roberta Sampaio

A reunião entre uma comissão composta por moradores que residem próximo ao local onde será construído o polo industrial de Palmeira dos Índios, e representantes do poder executivo e legislativo municipal, ocorrida na tarde da última quinta-feira (29), na sede da secretaria municipal de Assistência Social, não conseguiu, de acordo com os representantes das famílias, fazer com que os ânimos fossem acalmados, pois, segundo a moradora Maria Aparecida a forma ameaçadora com que a procuradora do município abordou as famílias foi desrespeitosa  deixando todos em clima de desespero.

Maria Aparecida afirmou que Sinair foi até o local a mais ou menos quinze dias atrás informando que seria construído o polo industrial e todos teriam que fazer um cadastro. Com isso, a moradora disse que os residentes já ficaram assustados e perguntaram a procuradora até quando poderiam ficar no local. Nesse momento, a procuradora foi taxativa e, segundo Aparecida, de maneira rude, disse que a saída deveria ser feita imediatamente.

Caso contrário,”Ela nos ameaçou dizendo que ou fazíamos o cadastro ou simplesmente não teríamos direito a mais nada. E quem não fizesse seria expulso do local e ela mandaria um trator passar por cima das casas com tudo. Isso deixou todo mundo apavorado. Temos uma vida naquele local. Não podemos sair desse jeito. Isso não é coisa que se faça. Passamos a vida inteira naquele lugar, existem pais de famílias, idosos, enfim, existe gente ali. Não somos animais para ela chegar nos expulsando de nossas casas. Confiamos em James e ele uma vez foi ao local dizendo que nada disso iria acontecer, e agora estamos assim sem saber qual será o nosso destino”, desabafou a moradora Maria Aparecida.

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Após ouvir a lamentação de Aparecida o vereador Sérgio Passarinho informou que a partir daquele momento a procuradoria não iria fazer esse trabalho de cadastramento das famílias pois, isso é competência da secretaria de Assistência Social. Dizendo ainda que a atitude da Procuradora foi desnecessária, lamentando ainda a sua postura diante das famílias que ali residem.

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Outro vereador que fez questão de se pronunciar diante do relato de Maria Aparecida foi Júlio César, declarando que “Essa foi uma abordagem infeliz, descabida e só atrapalhou o trabalho que poderia estar acontecendo de forma tranquila. Tenho certeza que, juntos, conseguiremos encontrar a melhor solução para este caso. Peço ainda que, vocês recebam o pessoal para que esse cadastro seja feito, e dessa maneira, possamos conhecer a realidade daquela comunidade. Contudo, volta a dizer, a procuradora não poderia, nem deveria ter feito a abordagem dessa forma”, enfatizou o Vereador Júlio César.

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Ainda de acordo com o Edil, especialistas estão realizando um topografia no local, e a previsão seria que até ontem (01), os trabalhos seriam concluídos e assim, eles saberiam exatamente a área necessária a ser desocupada, e consequentemente o número de casas e famílias que precisarão ser assistidas devido a demolição de suas residências.

Já a Secretária de Assistência Social admitiu que a prefeitura ainda não sabe o número de pessoas, nem a realidade dessas famílias atingidas, e que, se tivessem feito esse levantamento com antecedência, talvez esse problema poderia ter sido evitado. “Infelizmente a falta desse conhecimento atrapalhou e gerou essa confusão toda. Mas, acredito que iremos conseguir realizar o nosso trabalho”, disse Analice Paulírio.

Outra representante do poder legislativo que estava presente, vereadora Sheila Duarte, pediu que a comissão formada pelos moradores aproveitassem a oportunidade dada e exibissem todos os detalhes do que aconteceu no momento da primeira abordagem feita e identificasse as consequências atuais como também a preocupação daqueles moradores com essa mudança

“Casinhas e aluguel Social”

Foi dada a hipótese de que as famílias fossem morar em casas que fazem parte do projeto do governo Federal “Minha casa Minha”, no entanto, muitas das pessoas que residem no local vivem da agricultura familiar, e com isso a prefeitura estaria mudando não só o local de moradia, as também o modo de vida dessas pessoas.

“Eu mesmo sou agricultor, vivo do que planto. Eu até posso ir para essas casas, mas como vou plantar minha roça?. Como vou fazer agora para sobreviver?. Querem nos colocar lá nas “casinhas”, mas vão nos dar transportes para assim podermos ir para a roça?. Indagou um dos moradores que fazia parte da comissão.

Contudo, a secretária de assistência social, Analice, fez a importante observação de que, mesmo que estas pessoas aceitem ir para as “casinhas” do governo federal, essas residências ainda não estão prontas, e eles precisam de uma solução de imediato.

Então, foi sugerida a ideia de uma aluguel social no valor de R$ 300, 00, pagos pela prefeitura municipal. Mas isso, também só poderá ser feito após o levantamento do número de famílias que precisaram da assistência. Enquanto isso, as obras do polo industrial, considerado por alguns como a oportunidade de desenvolvimento para Palmeira dos Índios continuam paradas e causando desconforto para a atual gestão e, o pior, descontentamento e sentimento de revolta nos moradores que garantiram não aceitar as propostas feitas, nem saíram da reunião conformados com o que foi dito.

 

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